Interactividade: A grande promessa do Jornalismo Online
Vale sempre a pena dar uma olhadela num texto que a Dra. Elisabete Barbosa tem publicado acerca do papel da Internet do Jornalismo de hoje. A Dra. Elisabete Barbosa � ex-jornalista e interessa-se por jornalismo digital.
O endere�o �: http://www.bocc.ubi.pt/pag/barbosa-elisabete-interactividade.pdf
quinta-feira, janeiro 02, 2003
O papel do jornalista
Um jornalista n�o � um novelista, ainda que devese ter, para contar, o mesmo talento e a mesma gra�a dos melhores romancistas. Uma boa reportagem t�o pouco � um tipo de literatura, ainda que devesse ter a mesma intensidade de linguagem e a mesma capacidade de sedu��o dos grandes textos liter�rios. E, para ir ainda mais longe e ser mais claro do que acredito ter sido, um bom jornal n�o deveria estar cheio de grandes reportagens bem escritas, porque isso condenaria os seus leitores � satura��o.
Mas, se os leitores n�o encontram todos os dias, nos jornais que l�em, uma reportagem, uma �nica reportagem, que os hipnotize tanto como para que cheguem tarde ao seu trabalho, ent�o n�o ter�o por que atirar a culpa � televis�o ou � Internet dos seus eventuais fracassos, se n�o � sua pr�pria falta de f� na intelig�ncia dos seus leitores.
Antes, os jornalistas de alma sonhavam em escrever o romance da sua vida, ainda que fosse apenas um; agora, os novelistas de alma sonham em escrever uma reportagem ou uma cr�nica, t�o inesquec�veis como um belo romance. O problema est� em que os romancistas o fazem e, os jornalistas, ficam-se apenas pela vontade.
Seria preciso incit�-los, portanto, a que realizem essa frustra��o nas p�ginas dos seus pr�prios jornais, contando as hist�rias (ou est�rias) da vida real com assombro e plena entrega do ser, com a obsess�o pelo dado preciso e a paci�ncia de investigadores que caracteriza os melhores novelistas. N�o estou a preconizar que se escrevam novelas nos jornais. Nada disso. E menos ainda que se use a linguagem florida e adjectivada � que recorrem os jornalistas que se improvisam como novelistas da noite para o dia. T�o pouco defendo a ideia de que o mediador de uma not�cia se converta no protagonista. Claro que n�o.
Um jornalista que conhece o seu leitor jamais se exibe.
Estabelece com ele, desde o princ�pio, o que eu chamaria de um pacto de fidelidades: fidelidade � pr�pria consci�ncia e fidelidade � verdade. A avidez de conhecimento do leitor n�o se sacia com o esc�ndalo, mas com a investiga��o honesta; ela n�o � aplacada com golpes de feito, mas com a narra��o de cada facto dentro do seu contexto e dos seus antecedentes. Ao leitor, n�o se oferecem fogos de artif�cio ou den�ncias estrepitosas que se desvanecem no dia seguinte, mas sim, respeita-se com a informa��o precisa. Cada vez que um jornalista atira lenha ao fogo f�tuo do esc�ndalo, est� apagando com cinzas o fogo genu�no da informa��o.
O jornalismo n�o � um circo para se exibir, se n�o um instrumento para pensar, para criar, para ajudar o homem no seu eterno combate por uma vida mais digna e menos injusta.
Tudo isto, para reafrirmar o que anteriormente j� aqui foi dito: o que tende a acabar � o bom jornalismo feito por bons jornalistas...
Um jornalista n�o � um novelista, ainda que devese ter, para contar, o mesmo talento e a mesma gra�a dos melhores romancistas. Uma boa reportagem t�o pouco � um tipo de literatura, ainda que devesse ter a mesma intensidade de linguagem e a mesma capacidade de sedu��o dos grandes textos liter�rios. E, para ir ainda mais longe e ser mais claro do que acredito ter sido, um bom jornal n�o deveria estar cheio de grandes reportagens bem escritas, porque isso condenaria os seus leitores � satura��o.
Mas, se os leitores n�o encontram todos os dias, nos jornais que l�em, uma reportagem, uma �nica reportagem, que os hipnotize tanto como para que cheguem tarde ao seu trabalho, ent�o n�o ter�o por que atirar a culpa � televis�o ou � Internet dos seus eventuais fracassos, se n�o � sua pr�pria falta de f� na intelig�ncia dos seus leitores.
Antes, os jornalistas de alma sonhavam em escrever o romance da sua vida, ainda que fosse apenas um; agora, os novelistas de alma sonham em escrever uma reportagem ou uma cr�nica, t�o inesquec�veis como um belo romance. O problema est� em que os romancistas o fazem e, os jornalistas, ficam-se apenas pela vontade.
Seria preciso incit�-los, portanto, a que realizem essa frustra��o nas p�ginas dos seus pr�prios jornais, contando as hist�rias (ou est�rias) da vida real com assombro e plena entrega do ser, com a obsess�o pelo dado preciso e a paci�ncia de investigadores que caracteriza os melhores novelistas. N�o estou a preconizar que se escrevam novelas nos jornais. Nada disso. E menos ainda que se use a linguagem florida e adjectivada � que recorrem os jornalistas que se improvisam como novelistas da noite para o dia. T�o pouco defendo a ideia de que o mediador de uma not�cia se converta no protagonista. Claro que n�o.
Um jornalista que conhece o seu leitor jamais se exibe.
Estabelece com ele, desde o princ�pio, o que eu chamaria de um pacto de fidelidades: fidelidade � pr�pria consci�ncia e fidelidade � verdade. A avidez de conhecimento do leitor n�o se sacia com o esc�ndalo, mas com a investiga��o honesta; ela n�o � aplacada com golpes de feito, mas com a narra��o de cada facto dentro do seu contexto e dos seus antecedentes. Ao leitor, n�o se oferecem fogos de artif�cio ou den�ncias estrepitosas que se desvanecem no dia seguinte, mas sim, respeita-se com a informa��o precisa. Cada vez que um jornalista atira lenha ao fogo f�tuo do esc�ndalo, est� apagando com cinzas o fogo genu�no da informa��o.
O jornalismo n�o � um circo para se exibir, se n�o um instrumento para pensar, para criar, para ajudar o homem no seu eterno combate por uma vida mais digna e menos injusta.
Tudo isto, para reafrirmar o que anteriormente j� aqui foi dito: o que tende a acabar � o bom jornalismo feito por bons jornalistas...
O admir�vel novo jornalismo
Uma revolu��o silenciosa est� a ocorrer na imprensa, h� j� algumas d�cadas e o seu culminar n�o est� longe. Trata-se do fim do jornalismo tradicional e o surgimento de um h�brido que incorpora mecanismos da publicidade, bem como do entretenimento.
N�o vem ao caso, aqui, se as publica��es t�m cada vez mais an�ncios, se utilizam recursos superficiais da forma publicit�ria ou se est�o menos cr�ticas em rela��o a certos processos, produtos e personalidades, tornando-se assim agentes indiretos de divulga��o.
O que interessa � apontar como a publicidade, com as suas normas e sistemas para vender um produto, se infiltrou nos organismos jornal�sticos e transformou a imprensa em outra coisa: em "publijornalismo", para cunhar um neologismo provis�rio.
Essa muta��o presume que todos os elementos morais ou transcendentes agregados ao jornalismo ao longo da sua hist�ria j� se extinguiram ou est�o em via de chegar ao fim. Ou seja, presume que o jornalismo j� n�o se alimenta dos chamados valores superiores por meio dos quais ele se colocava como consci�ncia da realidade e fazia da pr�pria realidade um objecto que devia decifrar.
No interc�mbio realidade-jornalismo, o leitor ocupava o lugar de espectador passivo, sobre o qual a imprensa exercia um poder de influ�ncia, den�ncia ou esclarecimento. Eram sobretudo os leitores que aderiam aos jornais, e n�o vice-versa. A ades�o do leitor �s publica��es era de feitio ideol�gico (fossem as publica��es pluralistas ou n�o) ou de gosto e posi��o de classe (fossem de elite ou populares).
O jornalismo p�de-se manter, assim, no bojo do capitalismo (que, ali�s, lhe deu a configura��o primordial), como um produto excepcional: nem tanto mercadoria nem tanto cultura, mas uma mercadoria ideol�gica.
Admir�vel meio novo, o "publijornalismo" n�o v� no que faz outra coisa sen�o um produto. A no��o de mercadoria � generalizada dentro das publica��es e atinge todos os seus processos, mesmo os que dizem respeito �s iniciativas de cr�tica, de explica��o, elucida��o, investiga��o ou contesta��o pr�prias da imprensa.
O "publijornalismo' s� contesta, elucida ou investiga porque est� vendendo um melhor produto e vendendo a si mesmo o tempo todo, e n�o porque julga, como seu antepassado (o jornalismo), que estar� tamb�m influindo numa determinada realidade ou cumprindo um papel cultural ou ideol�gico numa sociedade.
A informa��o como produto, puro e simples, n�o significa que o valor simb�lico da not�cia tenha sido abandonado: o pr�prio conte�do passou para a escala do consumo, e o acontecimento tornou-se apenas uma mercadoria aos olhos da rede universal do "publijornalismo" e sua espectaculariza��o da realidade.
A imprensa ainda vive essa situa��o como um problema, mas logo o drama chegar� ao fim.
Uma revolu��o silenciosa est� a ocorrer na imprensa, h� j� algumas d�cadas e o seu culminar n�o est� longe. Trata-se do fim do jornalismo tradicional e o surgimento de um h�brido que incorpora mecanismos da publicidade, bem como do entretenimento.
N�o vem ao caso, aqui, se as publica��es t�m cada vez mais an�ncios, se utilizam recursos superficiais da forma publicit�ria ou se est�o menos cr�ticas em rela��o a certos processos, produtos e personalidades, tornando-se assim agentes indiretos de divulga��o.
O que interessa � apontar como a publicidade, com as suas normas e sistemas para vender um produto, se infiltrou nos organismos jornal�sticos e transformou a imprensa em outra coisa: em "publijornalismo", para cunhar um neologismo provis�rio.
Essa muta��o presume que todos os elementos morais ou transcendentes agregados ao jornalismo ao longo da sua hist�ria j� se extinguiram ou est�o em via de chegar ao fim. Ou seja, presume que o jornalismo j� n�o se alimenta dos chamados valores superiores por meio dos quais ele se colocava como consci�ncia da realidade e fazia da pr�pria realidade um objecto que devia decifrar.
No interc�mbio realidade-jornalismo, o leitor ocupava o lugar de espectador passivo, sobre o qual a imprensa exercia um poder de influ�ncia, den�ncia ou esclarecimento. Eram sobretudo os leitores que aderiam aos jornais, e n�o vice-versa. A ades�o do leitor �s publica��es era de feitio ideol�gico (fossem as publica��es pluralistas ou n�o) ou de gosto e posi��o de classe (fossem de elite ou populares).
O jornalismo p�de-se manter, assim, no bojo do capitalismo (que, ali�s, lhe deu a configura��o primordial), como um produto excepcional: nem tanto mercadoria nem tanto cultura, mas uma mercadoria ideol�gica.
Admir�vel meio novo, o "publijornalismo" n�o v� no que faz outra coisa sen�o um produto. A no��o de mercadoria � generalizada dentro das publica��es e atinge todos os seus processos, mesmo os que dizem respeito �s iniciativas de cr�tica, de explica��o, elucida��o, investiga��o ou contesta��o pr�prias da imprensa.
O "publijornalismo' s� contesta, elucida ou investiga porque est� vendendo um melhor produto e vendendo a si mesmo o tempo todo, e n�o porque julga, como seu antepassado (o jornalismo), que estar� tamb�m influindo numa determinada realidade ou cumprindo um papel cultural ou ideol�gico numa sociedade.
A informa��o como produto, puro e simples, n�o significa que o valor simb�lico da not�cia tenha sido abandonado: o pr�prio conte�do passou para a escala do consumo, e o acontecimento tornou-se apenas uma mercadoria aos olhos da rede universal do "publijornalismo" e sua espectaculariza��o da realidade.
A imprensa ainda vive essa situa��o como um problema, mas logo o drama chegar� ao fim.
terça-feira, dezembro 17, 2002
N�o o jornalismo n�o vai acabar. O que tende a acabar � o bom jornalismo, mas tamb�m se compreende porque por muito que se goste do que se faz, � complicado fazer, muitas vezes, tantos sacrif�cios pela profiss�o... e ser t�o mal remunerado (mais vezes ainda). Existe tamb�m um crescer de mau jornalismo, ou pseudo-jornalismo, que � a procura incessante da pol�mica, das picardias, da especula��o... Um jornalista �, na sua ess�ncia, um contador de hist�rias e nem sempre � preciso morrer ningu�m ou acontecer qualquer tipo de trag�dia ou drama, para que se possa fazer jornalismo. Jornalismo �... informar e isso vai sempre ter raz�o de existir. Bruno Teixeira
domingo, dezembro 15, 2002
N�o, acho que n�o. Por muitos "defeitos" que os jornalistas e o jornalismo actual possam ter e que n�o s�o mais do que condicionantes impostas por "quem paga" e, principalmente por "quem l�", acho que o mundo sem jornalistas n�o faria muito sentido.
Mesmo com todo o mediatismo errado de algumas causas, � aos Jornalistas que temos de agradecer o "conhecer ao mundo" de causas t�o justas e nobres como a Independ�ncia de Timor Leste ou, e n�o precisamos de ir muito mais longe, o terr�vel drama das crian�as da Casa Pia. Eu sei, n�o s�o, infelizmente casos �nicos. E, tamb�m sei, �s vezes o jornalismo parece n�o ter limites em nome das audi�ncias e leva-nos a uma "satura��o" de um drama que nos devia tocar ao inv�s de fazer "mudar de canal"
Mesmo com todo o mediatismo errado de algumas causas, � aos Jornalistas que temos de agradecer o "conhecer ao mundo" de causas t�o justas e nobres como a Independ�ncia de Timor Leste ou, e n�o precisamos de ir muito mais longe, o terr�vel drama das crian�as da Casa Pia. Eu sei, n�o s�o, infelizmente casos �nicos. E, tamb�m sei, �s vezes o jornalismo parece n�o ter limites em nome das audi�ncias e leva-nos a uma "satura��o" de um drama que nos devia tocar ao inv�s de fazer "mudar de canal"
sábado, dezembro 14, 2002
Para que servem, afinal, os jornalistas?
Ser� que estamos no princ�pio do fim desse fen�nemo chamado jornalismo?
Este weblog serve para isso mesmo: sabermos se a Internet e as noas tecnologias v�o colocar um ponto final no jornalismo, ou se, pelo contr�rio, � uma grande aliada...
Aguardo, por isso, os vossos coment�rios.
Ser� que estamos no princ�pio do fim desse fen�nemo chamado jornalismo?
Este weblog serve para isso mesmo: sabermos se a Internet e as noas tecnologias v�o colocar um ponto final no jornalismo, ou se, pelo contr�rio, � uma grande aliada...
Aguardo, por isso, os vossos coment�rios.
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