quinta-feira, março 20, 2003

Mais um coment�rio interessante que foi colocado no f�rum eu eu criei. Pena o autor deste coment�rio pensar que eu sou uma ela!!!

R.A.G. diz o seguinte: "Eu concordo com vc em partes minha cara colega,o jornalismo,como tudo q existe no mundo,est� passando por uma adapta��o,como vc mesmo disse.Com a facilidade da internet,e as novas tecnologias para conex�es rapidas e baratas(fibras �pticas por exemplo podendo acomodar um trafego de at� 10 petabitz por segundo,dez mil vezes q a atual)com isso acredito q os jornais ficar�o mais para a parte ''excluida da sociedade'' q infelizmente ter�o q se contentar com os monopl�ios das emissoras,sendo q com este avan�o tecnol�gico,levar� as pessoas,como eu,a se informar por sites q em muitas ocasi�es s�o criados apenas para uma noticia e quem viu viu quem n�o viu paciensia,eu vejo q o jornalismo vai sofrer muito com isso,pois todos n�s sabemos q ele sempre da a noticia,m�s nunca explica nada,ta certo q algu�m se arriscou por esta not�cia e � justamente por isso q tenho raiva de certas emissoras e seus diretores responsaveis por explorar a vontade de uma pessoa para n�o dar o reconhecimento merecido e tendo q deixar seus ideais de lado como vc mesmo disse, a respeito de glamur de pedro bial e gloria maria s� se for pelo sal�rio pq pra mim eles s�o pessoas q falam oq ouvem,n�o s�o capazes de serem construtivos,dependem, dos outros,tanto para fazer uma mat�ria qto para narra-la com ''palavras modernas'' q chamem a aten��o do p�blico!!!"

Basta clicar aqui em cima para comentar...

sexta-feira, março 14, 2003

Faz hoje 3 meses que este blog foi criado e, tamb�m hoje, registei o visitante n� 500.
A todos os que por aqui passam e aqui deixam o seu coment�rio, o meu muito obrigado...

terça-feira, março 11, 2003

Aqui est� um artigo muito bom que encontrei no site da Faculdade de Comunica��o da UFBA.
J� sabem que todo e qualquer coment�rio, � sempre bem vindo.



O Fim do Jornal Impresso?

O crescimento geom�trico do n�mero de publica��es digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-r�pido da Internet e sua consequente populariza��o em larga escala, tem despertado uma pol�mica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opini�es s�o divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais n�o sobreviver�o ao pr�ximo s�culo. Tudo ser� digitalizado e, at� a televis�o, como n�s a conhecemos, deixar� de existir. Outros afirmam que a Internet n�o representa uma amea�a �s publica��es impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avan�ada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.

Segundo Roger F. Filder, ex-diretor do projeto da Knight-Ridder sobre jornal em telas planas, os jornais electr�nicos ir�o substituir as edi��es impressas por volta do ano 2005. J� o ex-diretor executivo do News and Observer, Frank M. Daniels III, afirma que os jornais em papel ir�o desaparecer nos pr�ximos 10 ou 15 anos.

De facto, muitas s�o as vantagens das publica��es electr�nicas na Web. Os jornais digitais s�o mais interactivos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produ��o e distribui��o, geralmente muito elevados nas publica��es tradicionais, s�o reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informa��es adicionais que n�o teriam espa�o nas edi��es em papel. As not�cias podem ser actualizadas v�rias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Al�m de todas estas vantagens, h� tamb�m a possibilidade de se implantar servi�os especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edi��es passadas, classificados online, programas de busca, f�runs de discuss�o abertos ao p�blico, canais de conversa em tempo real e muitos outros.

Embora as publica��es online apresentem uma grande quantidade de atractivos e vantagens que os media tradicionais n�o disp�em, muitos jornalistas e especialistas em comunica��o acreditam que o jornal em papel ter� o seu lugar na era digital. Segundo Steve Outing, os jornais digitais n�o ir�o substituir as edi��es impressas. Mais do que uma amea�a, eles representam um importante instrumento complementar para as empresas jornal�sticas. Outing, no entanto, acredita que a circula��o dos produtos impressos tende a diminuir no futuro.

O editor chefe do jornal O Globo, Ali Khammel, tem uma opini�o similar � de Steve Outing. Segundo ele, os jornais impressos ainda t�m uma vida longa pela frente e o que o faz apostar nisto � a sua cren�a de que eles v�o sobreviver porque promover�o mudan�as radicais no seu conte�do. De acordo com Khammel, os acontecimentos est�o hoje cada vez mais na esfera do jornalismo televisivo e online. Aos jornais cabe a explica��o, a interpreta��o e a an�lise dos factos e dos seus efeitos. "Tradicionalmente, pela extens�o de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televis�o. Trata-se de radicalizar esta postura", refor�a. Khammel afirma, ainda, que grupos editoriais em todo o mundo est�o aplicando grandes quantias de dinheiro na moderniza��o do parque gr�fico de seus jornais e isto representa uma clara evid�ncia de que os empres�rios do sector continuar�o a investir nos seus produtos impressos.

Para Leo Bogart, soci�logo e consultor da Newspaper Association of America, os jornais convencionais ir�o sobreviver e prosperar (!) no mundo digital. Ele aponta algumas raz�es para isto: a primeira � o facto de que, por maior que seja a evolu��o das telas dos computadores no futuro (leves, port�teis, de cristal l�quido), elas jamais ter�o a capacidade do jornal de serem dobradas ou enroladas e levadas para toda a parte. A segunda diz respeito ao interface do jornal impresso, que possibilita ao leitor visualizar todas as mat�rias de forma r�pida e eficiente, simplesmente passando as p�ginas. "A vis�o pode captar uma grande quantidade de informa��o num r�pido olhar, sejam elas relevantes ou n�o".

De facto, nada se compara � praticidade e o conforto proporcionados pelas publica��es impressas. Para ler um jornal ou revista atrav�s do computador, � preciso fazer um certo esfor�o, j� que geralmente os leitores est�o sentados desconfortavelmente e os actuais monitores ainda n�o s�o idealmente adequados ao sistema �ptico humano. Al�m disso, a depender do design de navega��o do site, do tr�fego de dados nas infovias e da velocidade de conex�o, ler uma publica��o digital na Internet pode tomar bastante tempo do usu�rio.

Ao que tudo indica, os jornais impressos n�o v�o desaparecer, pelo menos a m�dio prazo, principalmente porque eles ainda s�o os grandes respons�veis pela maioria esmagadora dos lucros (que n�o s�o poucos!) das companhias jornal�sticas. Al�m disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas vers�es digitais, atrav�s de uma rela��o de parceria onde um pode auxiliar o outro.

Na Pesquisa realizada por Donica Mensing, j� citada, foi constatado que os jornais online praticamente n�o prejudicam suas edi��es impressas. Dos jornalistas entrevistados, um ter�o afirmou que o servi�o online aumentou o interesse dos leitores pelo seu produto em papel. J� 46% acredita que n�o houve impacto sobre a vers�o impressa, enquanto 14% considera ser cedo demais para responder a esta pergunta. Apenas 2% disse que o servi�o online causou uma queda de interesse pelo jornal em papel.

Estes n�meros demonstram que os jornais e revistas digitais, de facto, n�o representam uma amea�a �s publica��es tradicionais. Pelo contr�rio, eles podem ser usados pelas empresas jornal�sticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a m�dio prazo, um investimento bastante lucrativo.

N�o existem, at� agora, modelos definidos nem f�rmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento nos media online. H� ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornal�stico, mas o sector j� deu passos importantes nos �ltimos cinco anos e algumas experi�ncias parecem estar-se consolidando como possibilidades vi�veis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo pe�as chaves no desenvolvimento de novas estrat�gias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados � oferta de servi�os �teis e de qualidade ser�o aquelas que estar�o comemorando a decis�o de terem investido na Internet.

sexta-feira, fevereiro 07, 2003

Continuam a aparecer alguns coment�rios interessantes (nem todos o s�o, infelizmente...) no F�rum que eu criei.
Seguem dois desses coment�rios:

"O ser humano necessita de seu pr�ximo para tudo, desde quando nasce at� a sua morte. O jornalismo n�o ir� acabar, o homem n�o pode destruir o que criou. A tecnologia, creio eu, que vem apenas para a melhoria, e n�o para acabar ou p�r um fim a algo inacab�vel. O que ser� do ser humano daqui a alguns anos se ele n�o tiver mais contacto com seu pr�ximo? O jornalismo n�o ir� acabar, a internet vem apenas para ajudar e facilitar ainda mais estes".

Para enviarem um mail para a Miriane, a autora deste coment�rio, clique aqui.

Outro coment�rio interessante � este, colocado pelo Fred. Infelizmente, n�o tenho nenhum contacto seu.
"A minha opini�o � que o jornalismo deve ser feito com mais responsabilidade, o jornalista tem que assinar e assumir aquilo que escreve ou fala nos meios de comunica��o; n�o pode dar sua opini�o no caso de notici�rios, apenas transmitir as not�cias. Se o jornalismo no Brasil continuar sendo feito dessa maneira suja com que ele � realizado hoje, espero que ele acabe".

Como sempre, aguardo aqui os vossos coment�rios.

terça-feira, fevereiro 04, 2003

O superintendente do N�cleo Nordeste da Telemar (Brasil), Carlos Alberto Becker, anunciou, na confer�ncia inaugural do 6� Congresso dos Jornalistas do Rio de Janeiro (17 a 19 de Agosto) que "o futuro jornalista ter� necessariamente que dominar as novas tecnologias multim�dias. A sociedade vai exigir um perfil baseado no profissionalismo, no dom�nio completo dessas novas tecnologias, e que seja um profissional anal�tico e investigativo". O congresso debateu ainda temas como "Jornalista potiguar mostra os desafios do jornalismo on line" e "O mercado e a profiss�o do jornalista".

segunda-feira, fevereiro 03, 2003

Existe um link no site da WideBiz dedicado ao jornalismo. Neste link, existe um texto de H. Guther Faggion. Guther � jornalista, formado pela Universidade Estadual Paulista e editor especial da revista Nova-e.
Neste texto, intitulado "O jornalismo na era do excesso de informa��o", debate quest�es como estas:
Ser� que estamos pr�ximos do fim dessa profiss�o? Ser� que o jornalista est� sujeito a perder o emprego em virtude da Internet e seus mais novos "rep�rteres, redactores e editores"?
Vale a pena ler, apesar de ser um pouco extenso.
Para aceder directamente ao texto, basta clicar aqui.
Aguardo, tamb�m, os vossos coment�rios.

quarta-feira, janeiro 22, 2003

O JORNALISTA, ESSE INCOMPREENDIDO
por Cesar Valente, jornalista brasileiro e professor de jornalismo

A decis�o definitiva (em primeira inst�ncia) da ju�za que odeia jornalistas n�o me surpreendeu. Era natural que ela confirmasse sua decis�o provis�ria. O que me surpreende todos os dias, desde 1972, ano em que comecei a pensar no jornalismo como profiss�o, ano da minha primeira assinatura na carteira de trabalho, como redator em um jornal, � a falta de no��o que a maioria tem sobre o que um jornalista faz e o que faz um jornalista.

Nunca fiz outra coisa na vida e dentro da profiss�o fiz praticamente de tudo. Diga uma fun��o qualquer, qualquer uma, dentro de jornais, revistas, televis�es e r�dios e eu provavelmente a terei exercido nem que seja por alguns dias. Fui dono de ve�culo de comunica��o, fui estagi�rio, fui editor chefe, fui rep�rter, diagramador, ilustrador, fot�grafo, locutor de r�dio, rep�rter de TV.

Ah, sou tamb�m professor de jornalismo. Ali�s, ajudei a criar um dos melhores cursos de jornalismo do Pa�s, o da Universidade Federal de Santa Catarina (melhorou bastante depois que deixei de ser seu coordenador). Sou professor desde 1979, com algumas interrup��es. Dei aula de reda��o, planejamento gr�fico, hist�ria da arte gr�fica, teoria da comunica��o, comunica��o institucional, ensinei at� como fazer uma tabela de pre�os para os servi�os que a gente presta como free-lancer.

A obrigatoriedade do diploma espec�fico de jornalismo, a meu ver, mais atrapalhou que ajudou o desenvolvimento da profiss�o. E a "reserva de mercado" fez proliferar os cursos sem qualidade. Vejam bem: n�o acredito que d� para exercer profissionalmente o jornalismo sem uma prepara��o inicial. Um bom curso superior ajuda bastante. Se for espec�fico, melhor. S� que tem muita gente misturando alhos com bugalhos.

Por exemplo: tem coisas que qualquer um pode fazer. Escrever � uma delas. Estas cr�nicas, as colunas, abundantes nos jornais, artigos, editoriais, s�o coisas que dizem respeito mais � liberdade de express�o que ao jornalismo. Ningu�m precisa ser treinado para escrever cr�nicas.

Mas colocar um jornal, seja impresso, seja de r�dio ou TV, todos os dias, na hora certa, no ar ou na rua, exige conhecimentos t�cnicos. Nada muito glamuroso, nada excepcional, mas � uma opera��o que exige obedi�ncia a uma s�rie de rotinas, conhecimento de uma s�rie de procedimentos, para que, no hor�rio exato, apare�a nas bancas ou nos receptores aquele produto bem feito, bem acabado e at�, em alguns casos, interessante e �til.

Jornalismo, em ess�ncia e resumidamente, � a t�cnica (ou arte) de conhecer um fato, compreender suas circunst�ncias e depois cont�-lo, de tal maneira que quem ouve, l� ou v� o relato, consiga ter uma id�ia bastante aproximada do que realmente aconteceu. N�o �, de fato, uma ci�ncia oculta ou algo extremamente dif�cil. Mas exige t�cnica.

Um acidente banal, numa esquina, � uma coisa simples de se relatar. O carro x vinha pela rua tal, o carro y vinha pela outra rua e um dos dois desobedeceu o sinal de parar, resultando no acidente. Complica um pouco mais quando, na reda��o, temos o relato desse acidente sem v�timas e de um outro, com tr�s mortos: o que publicar e o que n�o publicar? Os jornais, voc�s sabem, t�m limita��o de espa�o ou de tempo.

Os fatos interessantes n�o ocorrem todos os dias nem nos hor�rios mais favor�veis. Mas os jornais t�m que estar na rua ou no ar, todos os dias, no mesmo hor�rio. Como planejar o trabalho de tal maneira que n�o falte assunto para todas as p�ginas ou para todos os minutos do jornal? Como fazer com que as pessoas sintam vontade de sinonizar ou comprar o jornal? Como fazer com que os relatos que apresentamos tenham um equil�brio de assuntos, para atingir a um n�mero grande de pessoas?

Todas essas quest�es exigem, para respostas adequadas, conhecimentos t�cnicos. E s�o esses trabalhadores, genericamente conhecidos como rep�rteres, redatores, editores, secret�rios de reda��o, editores executivos, chefes de reda��o, diretores de reda��o, que fazem jornalismo. Os colunistas, articulistas de opini�o, artistas midi�ticos, performers, o diabo, fazem outra coisa. N�o menor, n�o menos importante. Diferente.

Qualquer pessoa pode fazer um jornal, um programa jornal�stico de televis�o. O resultado pode ser uma experi�ncia amadora ou um produto profissional. Mais ou menos como quando voc� vai fazer aquela pequena reforma em casa. N�o existe reserva de mercado para pedreiros. N�o precisa ter diploma para fazer um muro. Mas a gente sempre prefere aquele profissional respeitado, que j� fez belos muros na vizinhan�a. N�o tem import�ncia que ele cobre um pouco mais caro que o biscateiro que sempre aparece. A gente tem que ter um muro confi�vel, no prumo, que n�o caia sobre nossas cabe�as.

Tem gente que sabe fazer e tem gente que n�o sabe. A obrigatoriedade do diploma camuflou, de certa maneira, a incompet�ncia. Mas n�o podemos chegar ao outro extremo, de achar que pessoas incultas, ignorantes das t�cnicas de apura��o, reda��o e edi��o, possam substituir os profissionais na produ��o de jornais de qualidade. Fazer bons jornais exige um conhecimento que n�o se adquire ao nascer, n�o se transmite por osmose e n�o se aprende vendo como � que faz. Mas naturalmente, como tudo na sociedade capitalista, cabe ao leitor, � leitora, ao espectador e � espectadora, decidir quem vai deixar que entre em casa para contar o que est� acontecendo na sua cidade, no seu pa�s e no mundo. Seria bom, portanto, que os habitantes deste pa�s tivessem escolha. E que todos os ve�culos n�o resolvessem, seja por conten��o de despesas, seja por desprezar a intelig�ncia do consumidor, nivelar por baixo, empregando amadores bem intencionados que trabalham por dois tost�es e produzem jornais que n�o valem um n�quel.

Dica de Carta Aberta


Eu comento:At� que ponto um jornalista � o que �, s� porque tem um diploma em jornalismo ou comunica��o social? Em Portugal, come�a-se a questionar se, para se ser jornalista, tem que se que ter um destes diplomas. Eu pr�prio sou jornalista e licenciei-me em Rela��es Internacionais porque acredito que, acima de tudo, um jornalista deve ter uma bagagem superior, bem como, uma especializa��o noutras �reas que n�o s�o fornecidas pelo curso de jornalismo ou de comunica��o social.
No entanto, at� que ponto os novos conte�dos que existem, n�o s� na Internet, mas tamb�m ligados a essas outras especialidades ir�o colocar em causa o jornalismo e o papel do jornalista, tal qual como o conhecemos? Fico a aguardar os vossos coment�rios.

terça-feira, janeiro 21, 2003

A imparcialidade � um mito?
Quem responde � o jornalista brasileiro Carlos Chagas, entrevistado pela Revista Jur�dica Consulex. Chagas � mais conhecido pelo p�blico como comentarista dos bastidores da pol�tica brasileira na antiga TV Manchete. Confira a resposta que ele d�:

"Por enquanto � uma utopia a conquistar. Na verdade, ningu�m � imparcial. O jornalista n�o � um rob�, uma m�quina que voc� aciona e solta a not�cia ou a interpreta��o. A imparcialidade at� seria prejudicial no mundo de hoje. Talvez, daqui a 200 anos, seja necess�ria, se o mundo mudar. Diante da fuga do Salvatore Cacciola ou do juiz Lalau, por exemplo, n�o d� para ser imparcial. N�o se pode dizer "o juiz est� foragido" friamente. Voc�, na interpreta��o, na entona��o de voz, na express�o e no coment�rio, deve demonstrar que aquele juiz � um ladr�o, precisa ser punido, e o Governo, por sua vez, falha para com a sociedade, porque n�o consegue encontr�-lo"

Dica de urgente.blogspot

E voc�, o que pensa? A imparcialidade � um mito, uma utopia no meio jornal�stico? E, at� que ponto, a imparcialidade, o rigor ou a isen��o, v�o colocar um ponto final no jornalismo?

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Conte�do monetiz�vel - o fim do jornalismo de qualidade? A busca por mais audi�ncia e receitas imediatas e a ado��o de um racioc�nio t�pico de m�dias de massa para a cria��o de conte�do na Internet pode p�r em risco o jornalismo digital.
Segue um texto de Roberto Cassano. Se quiserem enviar-lhe um e-mail, basta clicar aqui.

"Buzzwords s�o aqueles termos que, de tempos em tempos, monopolizam palestras, semin�rios, reuni�es gerenciais e at� rodas de conversa de profissionais da chamada "Nova Economia". Nosso mercado � repleto deles: "conte�do", "personaliza��o", "usabilidade", "IPO", "marketing de permiss�o", "B2B", "B2C" e, mais recentemente, "converg�ncia de m�dias". Ultimamente tenho ouvido com frequ�ncia um novo termo que soa assustador para quem est� acostumado a trabalhar com jornalismo e produ��o de conte�do de uma forma geral.
Quando se prepara um lan�amento de um produto, n�o basta saber se ele funciona ou se � bonito. � preciso ter em m�os um estudo que garanta que as pessoas v�o querer compr�-lo e que as suas vendas possibilitar�o, cedo ou tarde, o retorno sobre o investimento que os fabricantes tiveram para produzi-lo. � assim que funciona o capitalismo. Com a globaliza��o e a busca desesperada por um modelo de neg�cios s�lido para a Internet, a estrutura de todas as empresas que actuam online (as antigas "pontocom") torna-se similar: um fornecedor e/ou um distribuidor, um produto, e um ou mais mercados consumidores. A grosso modo, o modelo pode realmente ser aplicado a todos, e deve haver sempre dinheiro circulando entre estes elementos desta cadeia produtiva.
Por este ponto de vista, se uma empresa produz conte�do, o conte�do � o produto e ele deve ser, a curto ou m�dio prazo, fonte de receita que garanta lucro aos acionistas da empresa. E ponto final. Existem mil e uma maneiras de se ganhar dinheiro com conte�do, mas tr�s s�o os modelos mais �bvios: com publicidade, com assinatura, ou com um misto de ambos.
A actual massa de usu�rios da Internet, chamada pelos t�cnicos de "usu�rios de banda estreita", decididamente n�o est� interessada em pagar por 90 por cento do conte�do dispon�vel na Rede, por motivos que, por si s�, j� valeriam um artigo inteiro. Resta a alternativa da publicidade, fonte que secou, transformando-se de um Amazonas para um Saara em menos de seis meses. E a�? Quem est� fora dos o�sis que restaram, pode optar por fechar as portas ou mudar o modelo de neg�cio.
Para estes, a esperan�a � a "banda larga", que teoricamente exigir� uma mudan�a de mentalidade por parte dos usu�rios, como na rela��o TV Aberta versus TV por assinatura. Se o conte�do passar� a ser "vendido" para os usu�rios, ele precisa ser um "conte�do monetiz�vel". Esta � a buzzword que tanto me preocupa. E enquanto a banda larga n�o chega, a monetiza��o deste conte�do precisa ser feita, ainda, via publicidade, o que leva � exig�ncia de um aumento signigicativo da audi�ncia.
Exemplos claros da exig�ncia de monetiza��o do conte�do podem ser vistos na programa��o dominical das emissoras de TV aberta. Seu conte�do pobre, sempre na t�nue fronteira entre �tica e sensacionalismo, e sem nenhuma qualidade e informa��o relevante, s�o frutos do chamado "efeito Ibope". Se salas de chat, canais de sexo e jogos representam o grosso da audi�ncia dos principais portais brasileiros, quem investir� na produ��o de um jornalismo digital inovador, por exemplo?
� claro que este "efeito Ibope" atinge principalmente os grandes portais horizontais, mas s�o justamente estes que respondem por quase a totalidade dos "page views" gerados no Brasil. Seguindo o exemplo da TV aberta, poderia deduzir-se que conte�do bom gera renome enquanto conte�do pobre gera audi�ncia (e publicidade). Na luta por melhores resultados financeiros, pode-se esperar uma brutal queda de qualidade nos sites da Internet, com resultados question�veis. � muito dif�cil definir com clareza um "conte�do monetiz�vel", principalmente se caminhamos para uma efectiva realidade de comunica��o "1 para 1", em contraposi��o ao broadcast da TV. Se o objectivo � tratar o internauta como indiv�duo, como rotular o conte�do que ele assiste? E tratar a Internet como m�dia de massa (o que ela definitivamente n�o �) resolve o problema, mesmo a curto prazo?
� importante ressaltar que o debate sobre que conte�dos s�o monetiz�veis na Internet est� apenas come�ando, e ele dever� incluir outros aspectos sobre perfil do p�blico, capacidade de cada fatia do mercado de gerar outras fontes de receita al�m do "click through", como assinaturas ou e-commerce, tempo, personaliza��o etc. O fundamental, por agora, � come�armos a pensar em alternativas e solu��es, com foco no produto, para apresentar aos nossos acionistas e CEOs, que tem foco no neg�cio. E precisam mais � monetizar."


De igual forma se pergunta: at� que ponto os novos conte�dos na Internet ir�o colocar em causa o jornalismo e o papel do jornalista, como o conhecemos.

Para aceder � p�gina onde este texto foi publicado, clique aqui.

quinta-feira, janeiro 16, 2003

Camila Barbieri � estudante de Jornalismo no Brasil e colocou no meu livro de visitas, o seguinte coment�rio, que aqui reproduzo:


"Como estudante de jornalismo, eu espero sinceramente que a internet seja uma aliada.N�o acredito no fim do jornalismo, acredito que a qualidade tenha ca�do, mas a arte da boa reportagem n�o vai acabar. � verdade que as escolas de comunica��o est�o lotadas de gente que s� pensa em aparecer na tv. Quer dizer, na globo. E tem muita gente pra consumir esse modo de passar informa��es, digamos assim. Obviamente h� quem procure mais. H� p�blico para mais. A internet, para quem precisa, � uma fonte r�pida de informa��es, traz um leque imenso de op��es... � claro que � preciso ficar de olho na autenticidade, mas a web n�o vai acabar com o jornalismo... ao menos, enquanto houver gente preocupada com a qualidade do jornalismo e sua manuten��o".

Para enviarem um coment�rio via email para a Camila, podem clicar aqui. Para acederem ao seu weblog, cliquem aqui.