No site Primeiras Edi��es do Jornal Expresso, publicado no dia 28 de Outubro de 2000, est� um texto interessant�ssimo do Fernando Madrinha que eu passo a citar.
O �Big Brother�, o Benfica e a morte do jornalismo
O JORNALISMO portugu�s vive uma fase cr�tica. E n�o vale a pena fingir que nada acontece, para disfar�ar comportamentos de profissionais e de empresas - ou dos seus respons�veis editoriais - que, se n�o forem corrigidos, h�o-de conduzir a uma descredibiliza��o veloz da honrada profiss�o de informar, se n�o mesmo ao fim dela. A import�ncia que a comunica��o assume nos dias de hoje alargou e fez prosperar um vasto campo de actividades e neg�cios paralelos ao jornalismo que nada t�m que ver com ele, mas se confundem e o influenciam num abra�o de morte.
� o caso dos muito requisitados assessores e adjuntos de imprensa, que circulam sem regra entre os corredores dos poderes p�blicos e as salas de redac��o, ora trabalhando abertamente para um ministro no seu gabinete, um empres�rio no seu escrit�rio, um sindicato, uma ordem ou outra organiza��o socioprofissional na sua sede, ora servindo-os disfar�adamente, mas com o mesmo denodo, na redac��o do jornal ou da r�dio para onde regressam depois de uma comiss�o de servi�o.
� o caso do jornalista que hoje escreve not�cias e reportagens, amanh� faz uma incurs�o na pol�tica, no dia seguinte vende a sua imagem para publicitar um banco ou um detergente e, num outro dia, volta � profiss�o de origem como se nunca a tivesse deixado.
� o caso da prolifera��o acelerada e do enriquecimento s�bito das chamadas empresas de comunica��o e imagem, que controlam a informa��o relativa aos seus clientes - seja um ministro, um autarca, um grupo econ�mico ou uma associa��o comercial -, ora dificultando e impedindo os jornalistas s�rios e empenhados de chegarem �s suas fontes ora promovendo apenas a informa��o conveniente e controlando os passos dos menos escrupulosos, sabe Deus por que meios e com que argumentos, eventualmente corruptores.
Nada disto � novo. Resulta dos males do tempo: a fragilidade dos princ�pios, a atrac��o dos poderes, a for�a do dinheiro, o desrespeito pontual ou sistem�tico por normas reguladoras - que at� existem, na maior parte dos casos -, a falta de vontade ou de firmeza dos poderes p�blicos e das organiza��es de classe para as fazerem cumprir, tanto aos profissionais como �s empresas.
Mas neste dom�nio da instrumentaliza��o dos �media� e dos seus profissionais - com a pressuposta aceita��o, se n�o mesmo o empenho militante de alguns deles e a complac�ncia dos seus �rg�os representativos -, o pa�s tem vindo a assistir a uma escalada que augura o pior e da qual se destacam dois exemplos das �ltimas semanas. Por um lado, a confus�o deliberada entre informa��o e entretenimento, que est� bem patente na forma como o principal jornal da TVI tem vindo a tratar e promover o programa �Big Brother�. Por outro lado, o alinhamento descarado da mesma TVI e da SIC com cada uma das candidaturas � presid�ncia do Benfica, fazendo campanha aberta - a TVI por Vilarinho e a SIC por Vale e Azevedo - sob o capa de informa��o isenta e desinteressada.
Na cobertura jornal�stica transmitida pelas duas esta��es, feita por jornalistas e, na apar�ncia, segundo crit�rios de mero interesse jornal�stico, era dif�cil distinguir a informa��o da propaganda. E os alinhamentos das mat�rias noticiosas confirmavam em absoluto a prefer�ncia por uma candidatura, n�o apenas em detrimento da outra, mas contra a outra, o que poderia at� aceitar-se - embora seja sempre sempre discut�vel em televis�es generalistas -, se a esta��o tivesse informado previamente que ia tomar partido.
A propaganda disfar�ada de not�cia, ou a not�cia ao servi�o de estrat�gias empresariais estranhas � pr�pria informa��o, equivale a explorar a boa f� do consumidor e � um embuste que s� pode prejudicar o jornalismo e a imagem daqueles que o produzem. Se persistirmos em contemporizar com tais procedimentos estaremos a comprometer a confian�a, a p�r em causa a credibilidade e a aceitar, a prazo, a morte do jornalismo como profiss�o, com regras de trabalho e princ�pios deontol�gicos muito pr�prios e bem definidos. Na televis�o, em especial, o lugar dos jornalistas ser� progressivamente tomado pelos comunicadores indiferenciados, t�o aptos a redigir ou apresentar uma not�cia, como um �script� de propaganda, como um programa de anima��o, como um �spot� de publicidade. Tudo em nome desse valor supremo que s�o as audi�ncias e por ordem desse �Grande Editor� que s�o os �shares�.
Qualquer semelhan�a com a realidade, � pura coincid�ncia (digo eu)...
Nunca como agora, com a guerra do Iraque, se questiona at� quando o jornalismo vai prevalecer.
Qualquer coment�rio, � s� clicar l� em cima.
sábado, março 22, 2003
sexta-feira, março 21, 2003
O C.I.T.I., Centro de Investiga��o para Tecnologias Interactivas, � uma unidade de investiga��o da Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci�ncias Sociais e Humanas, criada em 1991. Neste site, existe um link para estudos de multim�dia, onde se podem ver alguns dos trabalhos feitos por alunos do M.B.A. europeu e da licenciatura em Ci�ncias da Comunica��o.
Um desses trabalhos, de autoria de Sara Rodrigues, intitula-se Futuro do Jornalismo Impresso e diz o seguinte:
Com o advento do jornalismo online, � pertinente interrogarmo-nos sobre o futuro dos jornais tradicionais, e dos jornalistas que neles trabalham. "Um novo meio nunca cessa de oprimir os velhos meios, at� que encontre para eles novas configura��es e posi��es" - refere McLuhan em "Os meios de comunica��o como extens�es do homem". J� n�o bastava a concorr�ncia da r�dio e (sobretudo) da televis�o, actualmente a impressa ainda � amea�ada pela emerg�ncia de um novo medium. Teme-se que o jornal em papel se torne cada vez mais um produto de consumo dispon�vel (e � cada vez mais comum encontr�-lo dispon�vel gratuitamente nos lugares p�blicos) para aqueles que n�o t�m possibilidade de consult�-lo na Internet (que est� tamb�m cada vez mais dispon�vel, donde alguns autores fa�am depender a morte do impresso das condi��es de acessibilidade � rede e velocidade de utiliza��o), se n�o for mesmo substitu�do por esse novo formato de informa��o.
� um texto interessante que pode ser consultado na �ntegra, clicando aqui.
Um desses trabalhos, de autoria de Sara Rodrigues, intitula-se Futuro do Jornalismo Impresso e diz o seguinte:
Com o advento do jornalismo online, � pertinente interrogarmo-nos sobre o futuro dos jornais tradicionais, e dos jornalistas que neles trabalham. "Um novo meio nunca cessa de oprimir os velhos meios, at� que encontre para eles novas configura��es e posi��es" - refere McLuhan em "Os meios de comunica��o como extens�es do homem". J� n�o bastava a concorr�ncia da r�dio e (sobretudo) da televis�o, actualmente a impressa ainda � amea�ada pela emerg�ncia de um novo medium. Teme-se que o jornal em papel se torne cada vez mais um produto de consumo dispon�vel (e � cada vez mais comum encontr�-lo dispon�vel gratuitamente nos lugares p�blicos) para aqueles que n�o t�m possibilidade de consult�-lo na Internet (que est� tamb�m cada vez mais dispon�vel, donde alguns autores fa�am depender a morte do impresso das condi��es de acessibilidade � rede e velocidade de utiliza��o), se n�o for mesmo substitu�do por esse novo formato de informa��o.
� um texto interessante que pode ser consultado na �ntegra, clicando aqui.
quinta-feira, março 20, 2003
Mais um coment�rio interessante que foi colocado no f�rum eu eu criei. Pena o autor deste coment�rio pensar que eu sou uma ela!!!
R.A.G. diz o seguinte: "Eu concordo com vc em partes minha cara colega,o jornalismo,como tudo q existe no mundo,est� passando por uma adapta��o,como vc mesmo disse.Com a facilidade da internet,e as novas tecnologias para conex�es rapidas e baratas(fibras �pticas por exemplo podendo acomodar um trafego de at� 10 petabitz por segundo,dez mil vezes q a atual)com isso acredito q os jornais ficar�o mais para a parte ''excluida da sociedade'' q infelizmente ter�o q se contentar com os monopl�ios das emissoras,sendo q com este avan�o tecnol�gico,levar� as pessoas,como eu,a se informar por sites q em muitas ocasi�es s�o criados apenas para uma noticia e quem viu viu quem n�o viu paciensia,eu vejo q o jornalismo vai sofrer muito com isso,pois todos n�s sabemos q ele sempre da a noticia,m�s nunca explica nada,ta certo q algu�m se arriscou por esta not�cia e � justamente por isso q tenho raiva de certas emissoras e seus diretores responsaveis por explorar a vontade de uma pessoa para n�o dar o reconhecimento merecido e tendo q deixar seus ideais de lado como vc mesmo disse, a respeito de glamur de pedro bial e gloria maria s� se for pelo sal�rio pq pra mim eles s�o pessoas q falam oq ouvem,n�o s�o capazes de serem construtivos,dependem, dos outros,tanto para fazer uma mat�ria qto para narra-la com ''palavras modernas'' q chamem a aten��o do p�blico!!!"
Basta clicar aqui em cima para comentar...
R.A.G. diz o seguinte: "Eu concordo com vc em partes minha cara colega,o jornalismo,como tudo q existe no mundo,est� passando por uma adapta��o,como vc mesmo disse.Com a facilidade da internet,e as novas tecnologias para conex�es rapidas e baratas(fibras �pticas por exemplo podendo acomodar um trafego de at� 10 petabitz por segundo,dez mil vezes q a atual)com isso acredito q os jornais ficar�o mais para a parte ''excluida da sociedade'' q infelizmente ter�o q se contentar com os monopl�ios das emissoras,sendo q com este avan�o tecnol�gico,levar� as pessoas,como eu,a se informar por sites q em muitas ocasi�es s�o criados apenas para uma noticia e quem viu viu quem n�o viu paciensia,eu vejo q o jornalismo vai sofrer muito com isso,pois todos n�s sabemos q ele sempre da a noticia,m�s nunca explica nada,ta certo q algu�m se arriscou por esta not�cia e � justamente por isso q tenho raiva de certas emissoras e seus diretores responsaveis por explorar a vontade de uma pessoa para n�o dar o reconhecimento merecido e tendo q deixar seus ideais de lado como vc mesmo disse, a respeito de glamur de pedro bial e gloria maria s� se for pelo sal�rio pq pra mim eles s�o pessoas q falam oq ouvem,n�o s�o capazes de serem construtivos,dependem, dos outros,tanto para fazer uma mat�ria qto para narra-la com ''palavras modernas'' q chamem a aten��o do p�blico!!!"
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sexta-feira, março 14, 2003
terça-feira, março 11, 2003
Aqui est� um artigo muito bom que encontrei no site da Faculdade de Comunica��o da UFBA.
J� sabem que todo e qualquer coment�rio, � sempre bem vindo.
O Fim do Jornal Impresso?
O crescimento geom�trico do n�mero de publica��es digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-r�pido da Internet e sua consequente populariza��o em larga escala, tem despertado uma pol�mica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opini�es s�o divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais n�o sobreviver�o ao pr�ximo s�culo. Tudo ser� digitalizado e, at� a televis�o, como n�s a conhecemos, deixar� de existir. Outros afirmam que a Internet n�o representa uma amea�a �s publica��es impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avan�ada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.
Segundo Roger F. Filder, ex-diretor do projeto da Knight-Ridder sobre jornal em telas planas, os jornais electr�nicos ir�o substituir as edi��es impressas por volta do ano 2005. J� o ex-diretor executivo do News and Observer, Frank M. Daniels III, afirma que os jornais em papel ir�o desaparecer nos pr�ximos 10 ou 15 anos.
De facto, muitas s�o as vantagens das publica��es electr�nicas na Web. Os jornais digitais s�o mais interactivos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produ��o e distribui��o, geralmente muito elevados nas publica��es tradicionais, s�o reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informa��es adicionais que n�o teriam espa�o nas edi��es em papel. As not�cias podem ser actualizadas v�rias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Al�m de todas estas vantagens, h� tamb�m a possibilidade de se implantar servi�os especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edi��es passadas, classificados online, programas de busca, f�runs de discuss�o abertos ao p�blico, canais de conversa em tempo real e muitos outros.
Embora as publica��es online apresentem uma grande quantidade de atractivos e vantagens que os media tradicionais n�o disp�em, muitos jornalistas e especialistas em comunica��o acreditam que o jornal em papel ter� o seu lugar na era digital. Segundo Steve Outing, os jornais digitais n�o ir�o substituir as edi��es impressas. Mais do que uma amea�a, eles representam um importante instrumento complementar para as empresas jornal�sticas. Outing, no entanto, acredita que a circula��o dos produtos impressos tende a diminuir no futuro.
O editor chefe do jornal O Globo, Ali Khammel, tem uma opini�o similar � de Steve Outing. Segundo ele, os jornais impressos ainda t�m uma vida longa pela frente e o que o faz apostar nisto � a sua cren�a de que eles v�o sobreviver porque promover�o mudan�as radicais no seu conte�do. De acordo com Khammel, os acontecimentos est�o hoje cada vez mais na esfera do jornalismo televisivo e online. Aos jornais cabe a explica��o, a interpreta��o e a an�lise dos factos e dos seus efeitos. "Tradicionalmente, pela extens�o de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televis�o. Trata-se de radicalizar esta postura", refor�a. Khammel afirma, ainda, que grupos editoriais em todo o mundo est�o aplicando grandes quantias de dinheiro na moderniza��o do parque gr�fico de seus jornais e isto representa uma clara evid�ncia de que os empres�rios do sector continuar�o a investir nos seus produtos impressos.
Para Leo Bogart, soci�logo e consultor da Newspaper Association of America, os jornais convencionais ir�o sobreviver e prosperar (!) no mundo digital. Ele aponta algumas raz�es para isto: a primeira � o facto de que, por maior que seja a evolu��o das telas dos computadores no futuro (leves, port�teis, de cristal l�quido), elas jamais ter�o a capacidade do jornal de serem dobradas ou enroladas e levadas para toda a parte. A segunda diz respeito ao interface do jornal impresso, que possibilita ao leitor visualizar todas as mat�rias de forma r�pida e eficiente, simplesmente passando as p�ginas. "A vis�o pode captar uma grande quantidade de informa��o num r�pido olhar, sejam elas relevantes ou n�o".
De facto, nada se compara � praticidade e o conforto proporcionados pelas publica��es impressas. Para ler um jornal ou revista atrav�s do computador, � preciso fazer um certo esfor�o, j� que geralmente os leitores est�o sentados desconfortavelmente e os actuais monitores ainda n�o s�o idealmente adequados ao sistema �ptico humano. Al�m disso, a depender do design de navega��o do site, do tr�fego de dados nas infovias e da velocidade de conex�o, ler uma publica��o digital na Internet pode tomar bastante tempo do usu�rio.
Ao que tudo indica, os jornais impressos n�o v�o desaparecer, pelo menos a m�dio prazo, principalmente porque eles ainda s�o os grandes respons�veis pela maioria esmagadora dos lucros (que n�o s�o poucos!) das companhias jornal�sticas. Al�m disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas vers�es digitais, atrav�s de uma rela��o de parceria onde um pode auxiliar o outro.
Na Pesquisa realizada por Donica Mensing, j� citada, foi constatado que os jornais online praticamente n�o prejudicam suas edi��es impressas. Dos jornalistas entrevistados, um ter�o afirmou que o servi�o online aumentou o interesse dos leitores pelo seu produto em papel. J� 46% acredita que n�o houve impacto sobre a vers�o impressa, enquanto 14% considera ser cedo demais para responder a esta pergunta. Apenas 2% disse que o servi�o online causou uma queda de interesse pelo jornal em papel.
Estes n�meros demonstram que os jornais e revistas digitais, de facto, n�o representam uma amea�a �s publica��es tradicionais. Pelo contr�rio, eles podem ser usados pelas empresas jornal�sticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a m�dio prazo, um investimento bastante lucrativo.
N�o existem, at� agora, modelos definidos nem f�rmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento nos media online. H� ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornal�stico, mas o sector j� deu passos importantes nos �ltimos cinco anos e algumas experi�ncias parecem estar-se consolidando como possibilidades vi�veis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo pe�as chaves no desenvolvimento de novas estrat�gias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados � oferta de servi�os �teis e de qualidade ser�o aquelas que estar�o comemorando a decis�o de terem investido na Internet.
J� sabem que todo e qualquer coment�rio, � sempre bem vindo.
O Fim do Jornal Impresso?
O crescimento geom�trico do n�mero de publica��es digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-r�pido da Internet e sua consequente populariza��o em larga escala, tem despertado uma pol�mica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opini�es s�o divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais n�o sobreviver�o ao pr�ximo s�culo. Tudo ser� digitalizado e, at� a televis�o, como n�s a conhecemos, deixar� de existir. Outros afirmam que a Internet n�o representa uma amea�a �s publica��es impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avan�ada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.
Segundo Roger F. Filder, ex-diretor do projeto da Knight-Ridder sobre jornal em telas planas, os jornais electr�nicos ir�o substituir as edi��es impressas por volta do ano 2005. J� o ex-diretor executivo do News and Observer, Frank M. Daniels III, afirma que os jornais em papel ir�o desaparecer nos pr�ximos 10 ou 15 anos.
De facto, muitas s�o as vantagens das publica��es electr�nicas na Web. Os jornais digitais s�o mais interactivos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produ��o e distribui��o, geralmente muito elevados nas publica��es tradicionais, s�o reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informa��es adicionais que n�o teriam espa�o nas edi��es em papel. As not�cias podem ser actualizadas v�rias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Al�m de todas estas vantagens, h� tamb�m a possibilidade de se implantar servi�os especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edi��es passadas, classificados online, programas de busca, f�runs de discuss�o abertos ao p�blico, canais de conversa em tempo real e muitos outros.
Embora as publica��es online apresentem uma grande quantidade de atractivos e vantagens que os media tradicionais n�o disp�em, muitos jornalistas e especialistas em comunica��o acreditam que o jornal em papel ter� o seu lugar na era digital. Segundo Steve Outing, os jornais digitais n�o ir�o substituir as edi��es impressas. Mais do que uma amea�a, eles representam um importante instrumento complementar para as empresas jornal�sticas. Outing, no entanto, acredita que a circula��o dos produtos impressos tende a diminuir no futuro.
O editor chefe do jornal O Globo, Ali Khammel, tem uma opini�o similar � de Steve Outing. Segundo ele, os jornais impressos ainda t�m uma vida longa pela frente e o que o faz apostar nisto � a sua cren�a de que eles v�o sobreviver porque promover�o mudan�as radicais no seu conte�do. De acordo com Khammel, os acontecimentos est�o hoje cada vez mais na esfera do jornalismo televisivo e online. Aos jornais cabe a explica��o, a interpreta��o e a an�lise dos factos e dos seus efeitos. "Tradicionalmente, pela extens�o de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televis�o. Trata-se de radicalizar esta postura", refor�a. Khammel afirma, ainda, que grupos editoriais em todo o mundo est�o aplicando grandes quantias de dinheiro na moderniza��o do parque gr�fico de seus jornais e isto representa uma clara evid�ncia de que os empres�rios do sector continuar�o a investir nos seus produtos impressos.
Para Leo Bogart, soci�logo e consultor da Newspaper Association of America, os jornais convencionais ir�o sobreviver e prosperar (!) no mundo digital. Ele aponta algumas raz�es para isto: a primeira � o facto de que, por maior que seja a evolu��o das telas dos computadores no futuro (leves, port�teis, de cristal l�quido), elas jamais ter�o a capacidade do jornal de serem dobradas ou enroladas e levadas para toda a parte. A segunda diz respeito ao interface do jornal impresso, que possibilita ao leitor visualizar todas as mat�rias de forma r�pida e eficiente, simplesmente passando as p�ginas. "A vis�o pode captar uma grande quantidade de informa��o num r�pido olhar, sejam elas relevantes ou n�o".
De facto, nada se compara � praticidade e o conforto proporcionados pelas publica��es impressas. Para ler um jornal ou revista atrav�s do computador, � preciso fazer um certo esfor�o, j� que geralmente os leitores est�o sentados desconfortavelmente e os actuais monitores ainda n�o s�o idealmente adequados ao sistema �ptico humano. Al�m disso, a depender do design de navega��o do site, do tr�fego de dados nas infovias e da velocidade de conex�o, ler uma publica��o digital na Internet pode tomar bastante tempo do usu�rio.
Ao que tudo indica, os jornais impressos n�o v�o desaparecer, pelo menos a m�dio prazo, principalmente porque eles ainda s�o os grandes respons�veis pela maioria esmagadora dos lucros (que n�o s�o poucos!) das companhias jornal�sticas. Al�m disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas vers�es digitais, atrav�s de uma rela��o de parceria onde um pode auxiliar o outro.
Na Pesquisa realizada por Donica Mensing, j� citada, foi constatado que os jornais online praticamente n�o prejudicam suas edi��es impressas. Dos jornalistas entrevistados, um ter�o afirmou que o servi�o online aumentou o interesse dos leitores pelo seu produto em papel. J� 46% acredita que n�o houve impacto sobre a vers�o impressa, enquanto 14% considera ser cedo demais para responder a esta pergunta. Apenas 2% disse que o servi�o online causou uma queda de interesse pelo jornal em papel.
Estes n�meros demonstram que os jornais e revistas digitais, de facto, n�o representam uma amea�a �s publica��es tradicionais. Pelo contr�rio, eles podem ser usados pelas empresas jornal�sticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a m�dio prazo, um investimento bastante lucrativo.
N�o existem, at� agora, modelos definidos nem f�rmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento nos media online. H� ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornal�stico, mas o sector j� deu passos importantes nos �ltimos cinco anos e algumas experi�ncias parecem estar-se consolidando como possibilidades vi�veis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo pe�as chaves no desenvolvimento de novas estrat�gias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados � oferta de servi�os �teis e de qualidade ser�o aquelas que estar�o comemorando a decis�o de terem investido na Internet.
sexta-feira, fevereiro 07, 2003
Continuam a aparecer alguns coment�rios interessantes (nem todos o s�o, infelizmente...) no F�rum que eu criei.
Seguem dois desses coment�rios:
"O ser humano necessita de seu pr�ximo para tudo, desde quando nasce at� a sua morte. O jornalismo n�o ir� acabar, o homem n�o pode destruir o que criou. A tecnologia, creio eu, que vem apenas para a melhoria, e n�o para acabar ou p�r um fim a algo inacab�vel. O que ser� do ser humano daqui a alguns anos se ele n�o tiver mais contacto com seu pr�ximo? O jornalismo n�o ir� acabar, a internet vem apenas para ajudar e facilitar ainda mais estes".
Para enviarem um mail para a Miriane, a autora deste coment�rio, clique aqui.
Outro coment�rio interessante � este, colocado pelo Fred. Infelizmente, n�o tenho nenhum contacto seu.
"A minha opini�o � que o jornalismo deve ser feito com mais responsabilidade, o jornalista tem que assinar e assumir aquilo que escreve ou fala nos meios de comunica��o; n�o pode dar sua opini�o no caso de notici�rios, apenas transmitir as not�cias. Se o jornalismo no Brasil continuar sendo feito dessa maneira suja com que ele � realizado hoje, espero que ele acabe".
Como sempre, aguardo aqui os vossos coment�rios.
Seguem dois desses coment�rios:
"O ser humano necessita de seu pr�ximo para tudo, desde quando nasce at� a sua morte. O jornalismo n�o ir� acabar, o homem n�o pode destruir o que criou. A tecnologia, creio eu, que vem apenas para a melhoria, e n�o para acabar ou p�r um fim a algo inacab�vel. O que ser� do ser humano daqui a alguns anos se ele n�o tiver mais contacto com seu pr�ximo? O jornalismo n�o ir� acabar, a internet vem apenas para ajudar e facilitar ainda mais estes".
Para enviarem um mail para a Miriane, a autora deste coment�rio, clique aqui.
Outro coment�rio interessante � este, colocado pelo Fred. Infelizmente, n�o tenho nenhum contacto seu.
"A minha opini�o � que o jornalismo deve ser feito com mais responsabilidade, o jornalista tem que assinar e assumir aquilo que escreve ou fala nos meios de comunica��o; n�o pode dar sua opini�o no caso de notici�rios, apenas transmitir as not�cias. Se o jornalismo no Brasil continuar sendo feito dessa maneira suja com que ele � realizado hoje, espero que ele acabe".
Como sempre, aguardo aqui os vossos coment�rios.
terça-feira, fevereiro 04, 2003
O superintendente do N�cleo Nordeste da Telemar (Brasil), Carlos Alberto Becker, anunciou, na confer�ncia inaugural do 6� Congresso dos Jornalistas do Rio de Janeiro (17 a 19 de Agosto) que "o futuro jornalista ter� necessariamente que dominar as novas tecnologias multim�dias. A sociedade vai exigir um perfil baseado no profissionalismo, no dom�nio completo dessas novas tecnologias, e que seja um profissional anal�tico e investigativo". O congresso debateu ainda temas como "Jornalista potiguar mostra os desafios do jornalismo on line" e "O mercado e a profiss�o do jornalista".
segunda-feira, fevereiro 03, 2003
Existe um link no site da WideBiz dedicado ao jornalismo. Neste link, existe um texto de H. Guther Faggion. Guther � jornalista, formado pela Universidade Estadual Paulista e editor especial da revista Nova-e.
Neste texto, intitulado "O jornalismo na era do excesso de informa��o", debate quest�es como estas:
Ser� que estamos pr�ximos do fim dessa profiss�o? Ser� que o jornalista est� sujeito a perder o emprego em virtude da Internet e seus mais novos "rep�rteres, redactores e editores"?
Vale a pena ler, apesar de ser um pouco extenso.
Para aceder directamente ao texto, basta clicar aqui.
Aguardo, tamb�m, os vossos coment�rios.
Neste texto, intitulado "O jornalismo na era do excesso de informa��o", debate quest�es como estas:
Ser� que estamos pr�ximos do fim dessa profiss�o? Ser� que o jornalista est� sujeito a perder o emprego em virtude da Internet e seus mais novos "rep�rteres, redactores e editores"?
Vale a pena ler, apesar de ser um pouco extenso.
Para aceder directamente ao texto, basta clicar aqui.
Aguardo, tamb�m, os vossos coment�rios.
quarta-feira, janeiro 22, 2003
O JORNALISTA, ESSE INCOMPREENDIDO
por Cesar Valente, jornalista brasileiro e professor de jornalismo
A decis�o definitiva (em primeira inst�ncia) da ju�za que odeia jornalistas n�o me surpreendeu. Era natural que ela confirmasse sua decis�o provis�ria. O que me surpreende todos os dias, desde 1972, ano em que comecei a pensar no jornalismo como profiss�o, ano da minha primeira assinatura na carteira de trabalho, como redator em um jornal, � a falta de no��o que a maioria tem sobre o que um jornalista faz e o que faz um jornalista.
Nunca fiz outra coisa na vida e dentro da profiss�o fiz praticamente de tudo. Diga uma fun��o qualquer, qualquer uma, dentro de jornais, revistas, televis�es e r�dios e eu provavelmente a terei exercido nem que seja por alguns dias. Fui dono de ve�culo de comunica��o, fui estagi�rio, fui editor chefe, fui rep�rter, diagramador, ilustrador, fot�grafo, locutor de r�dio, rep�rter de TV.
Ah, sou tamb�m professor de jornalismo. Ali�s, ajudei a criar um dos melhores cursos de jornalismo do Pa�s, o da Universidade Federal de Santa Catarina (melhorou bastante depois que deixei de ser seu coordenador). Sou professor desde 1979, com algumas interrup��es. Dei aula de reda��o, planejamento gr�fico, hist�ria da arte gr�fica, teoria da comunica��o, comunica��o institucional, ensinei at� como fazer uma tabela de pre�os para os servi�os que a gente presta como free-lancer.
A obrigatoriedade do diploma espec�fico de jornalismo, a meu ver, mais atrapalhou que ajudou o desenvolvimento da profiss�o. E a "reserva de mercado" fez proliferar os cursos sem qualidade. Vejam bem: n�o acredito que d� para exercer profissionalmente o jornalismo sem uma prepara��o inicial. Um bom curso superior ajuda bastante. Se for espec�fico, melhor. S� que tem muita gente misturando alhos com bugalhos.
Por exemplo: tem coisas que qualquer um pode fazer. Escrever � uma delas. Estas cr�nicas, as colunas, abundantes nos jornais, artigos, editoriais, s�o coisas que dizem respeito mais � liberdade de express�o que ao jornalismo. Ningu�m precisa ser treinado para escrever cr�nicas.
Mas colocar um jornal, seja impresso, seja de r�dio ou TV, todos os dias, na hora certa, no ar ou na rua, exige conhecimentos t�cnicos. Nada muito glamuroso, nada excepcional, mas � uma opera��o que exige obedi�ncia a uma s�rie de rotinas, conhecimento de uma s�rie de procedimentos, para que, no hor�rio exato, apare�a nas bancas ou nos receptores aquele produto bem feito, bem acabado e at�, em alguns casos, interessante e �til.
Jornalismo, em ess�ncia e resumidamente, � a t�cnica (ou arte) de conhecer um fato, compreender suas circunst�ncias e depois cont�-lo, de tal maneira que quem ouve, l� ou v� o relato, consiga ter uma id�ia bastante aproximada do que realmente aconteceu. N�o �, de fato, uma ci�ncia oculta ou algo extremamente dif�cil. Mas exige t�cnica.
Um acidente banal, numa esquina, � uma coisa simples de se relatar. O carro x vinha pela rua tal, o carro y vinha pela outra rua e um dos dois desobedeceu o sinal de parar, resultando no acidente. Complica um pouco mais quando, na reda��o, temos o relato desse acidente sem v�timas e de um outro, com tr�s mortos: o que publicar e o que n�o publicar? Os jornais, voc�s sabem, t�m limita��o de espa�o ou de tempo.
Os fatos interessantes n�o ocorrem todos os dias nem nos hor�rios mais favor�veis. Mas os jornais t�m que estar na rua ou no ar, todos os dias, no mesmo hor�rio. Como planejar o trabalho de tal maneira que n�o falte assunto para todas as p�ginas ou para todos os minutos do jornal? Como fazer com que as pessoas sintam vontade de sinonizar ou comprar o jornal? Como fazer com que os relatos que apresentamos tenham um equil�brio de assuntos, para atingir a um n�mero grande de pessoas?
Todas essas quest�es exigem, para respostas adequadas, conhecimentos t�cnicos. E s�o esses trabalhadores, genericamente conhecidos como rep�rteres, redatores, editores, secret�rios de reda��o, editores executivos, chefes de reda��o, diretores de reda��o, que fazem jornalismo. Os colunistas, articulistas de opini�o, artistas midi�ticos, performers, o diabo, fazem outra coisa. N�o menor, n�o menos importante. Diferente.
Qualquer pessoa pode fazer um jornal, um programa jornal�stico de televis�o. O resultado pode ser uma experi�ncia amadora ou um produto profissional. Mais ou menos como quando voc� vai fazer aquela pequena reforma em casa. N�o existe reserva de mercado para pedreiros. N�o precisa ter diploma para fazer um muro. Mas a gente sempre prefere aquele profissional respeitado, que j� fez belos muros na vizinhan�a. N�o tem import�ncia que ele cobre um pouco mais caro que o biscateiro que sempre aparece. A gente tem que ter um muro confi�vel, no prumo, que n�o caia sobre nossas cabe�as.
Tem gente que sabe fazer e tem gente que n�o sabe. A obrigatoriedade do diploma camuflou, de certa maneira, a incompet�ncia. Mas n�o podemos chegar ao outro extremo, de achar que pessoas incultas, ignorantes das t�cnicas de apura��o, reda��o e edi��o, possam substituir os profissionais na produ��o de jornais de qualidade. Fazer bons jornais exige um conhecimento que n�o se adquire ao nascer, n�o se transmite por osmose e n�o se aprende vendo como � que faz. Mas naturalmente, como tudo na sociedade capitalista, cabe ao leitor, � leitora, ao espectador e � espectadora, decidir quem vai deixar que entre em casa para contar o que est� acontecendo na sua cidade, no seu pa�s e no mundo. Seria bom, portanto, que os habitantes deste pa�s tivessem escolha. E que todos os ve�culos n�o resolvessem, seja por conten��o de despesas, seja por desprezar a intelig�ncia do consumidor, nivelar por baixo, empregando amadores bem intencionados que trabalham por dois tost�es e produzem jornais que n�o valem um n�quel.
Dica de Carta Aberta
Eu comento:At� que ponto um jornalista � o que �, s� porque tem um diploma em jornalismo ou comunica��o social? Em Portugal, come�a-se a questionar se, para se ser jornalista, tem que se que ter um destes diplomas. Eu pr�prio sou jornalista e licenciei-me em Rela��es Internacionais porque acredito que, acima de tudo, um jornalista deve ter uma bagagem superior, bem como, uma especializa��o noutras �reas que n�o s�o fornecidas pelo curso de jornalismo ou de comunica��o social.
No entanto, at� que ponto os novos conte�dos que existem, n�o s� na Internet, mas tamb�m ligados a essas outras especialidades ir�o colocar em causa o jornalismo e o papel do jornalista, tal qual como o conhecemos? Fico a aguardar os vossos coment�rios.
por Cesar Valente, jornalista brasileiro e professor de jornalismo
A decis�o definitiva (em primeira inst�ncia) da ju�za que odeia jornalistas n�o me surpreendeu. Era natural que ela confirmasse sua decis�o provis�ria. O que me surpreende todos os dias, desde 1972, ano em que comecei a pensar no jornalismo como profiss�o, ano da minha primeira assinatura na carteira de trabalho, como redator em um jornal, � a falta de no��o que a maioria tem sobre o que um jornalista faz e o que faz um jornalista.
Nunca fiz outra coisa na vida e dentro da profiss�o fiz praticamente de tudo. Diga uma fun��o qualquer, qualquer uma, dentro de jornais, revistas, televis�es e r�dios e eu provavelmente a terei exercido nem que seja por alguns dias. Fui dono de ve�culo de comunica��o, fui estagi�rio, fui editor chefe, fui rep�rter, diagramador, ilustrador, fot�grafo, locutor de r�dio, rep�rter de TV.
Ah, sou tamb�m professor de jornalismo. Ali�s, ajudei a criar um dos melhores cursos de jornalismo do Pa�s, o da Universidade Federal de Santa Catarina (melhorou bastante depois que deixei de ser seu coordenador). Sou professor desde 1979, com algumas interrup��es. Dei aula de reda��o, planejamento gr�fico, hist�ria da arte gr�fica, teoria da comunica��o, comunica��o institucional, ensinei at� como fazer uma tabela de pre�os para os servi�os que a gente presta como free-lancer.
A obrigatoriedade do diploma espec�fico de jornalismo, a meu ver, mais atrapalhou que ajudou o desenvolvimento da profiss�o. E a "reserva de mercado" fez proliferar os cursos sem qualidade. Vejam bem: n�o acredito que d� para exercer profissionalmente o jornalismo sem uma prepara��o inicial. Um bom curso superior ajuda bastante. Se for espec�fico, melhor. S� que tem muita gente misturando alhos com bugalhos.
Por exemplo: tem coisas que qualquer um pode fazer. Escrever � uma delas. Estas cr�nicas, as colunas, abundantes nos jornais, artigos, editoriais, s�o coisas que dizem respeito mais � liberdade de express�o que ao jornalismo. Ningu�m precisa ser treinado para escrever cr�nicas.
Mas colocar um jornal, seja impresso, seja de r�dio ou TV, todos os dias, na hora certa, no ar ou na rua, exige conhecimentos t�cnicos. Nada muito glamuroso, nada excepcional, mas � uma opera��o que exige obedi�ncia a uma s�rie de rotinas, conhecimento de uma s�rie de procedimentos, para que, no hor�rio exato, apare�a nas bancas ou nos receptores aquele produto bem feito, bem acabado e at�, em alguns casos, interessante e �til.
Jornalismo, em ess�ncia e resumidamente, � a t�cnica (ou arte) de conhecer um fato, compreender suas circunst�ncias e depois cont�-lo, de tal maneira que quem ouve, l� ou v� o relato, consiga ter uma id�ia bastante aproximada do que realmente aconteceu. N�o �, de fato, uma ci�ncia oculta ou algo extremamente dif�cil. Mas exige t�cnica.
Um acidente banal, numa esquina, � uma coisa simples de se relatar. O carro x vinha pela rua tal, o carro y vinha pela outra rua e um dos dois desobedeceu o sinal de parar, resultando no acidente. Complica um pouco mais quando, na reda��o, temos o relato desse acidente sem v�timas e de um outro, com tr�s mortos: o que publicar e o que n�o publicar? Os jornais, voc�s sabem, t�m limita��o de espa�o ou de tempo.
Os fatos interessantes n�o ocorrem todos os dias nem nos hor�rios mais favor�veis. Mas os jornais t�m que estar na rua ou no ar, todos os dias, no mesmo hor�rio. Como planejar o trabalho de tal maneira que n�o falte assunto para todas as p�ginas ou para todos os minutos do jornal? Como fazer com que as pessoas sintam vontade de sinonizar ou comprar o jornal? Como fazer com que os relatos que apresentamos tenham um equil�brio de assuntos, para atingir a um n�mero grande de pessoas?
Todas essas quest�es exigem, para respostas adequadas, conhecimentos t�cnicos. E s�o esses trabalhadores, genericamente conhecidos como rep�rteres, redatores, editores, secret�rios de reda��o, editores executivos, chefes de reda��o, diretores de reda��o, que fazem jornalismo. Os colunistas, articulistas de opini�o, artistas midi�ticos, performers, o diabo, fazem outra coisa. N�o menor, n�o menos importante. Diferente.
Qualquer pessoa pode fazer um jornal, um programa jornal�stico de televis�o. O resultado pode ser uma experi�ncia amadora ou um produto profissional. Mais ou menos como quando voc� vai fazer aquela pequena reforma em casa. N�o existe reserva de mercado para pedreiros. N�o precisa ter diploma para fazer um muro. Mas a gente sempre prefere aquele profissional respeitado, que j� fez belos muros na vizinhan�a. N�o tem import�ncia que ele cobre um pouco mais caro que o biscateiro que sempre aparece. A gente tem que ter um muro confi�vel, no prumo, que n�o caia sobre nossas cabe�as.
Tem gente que sabe fazer e tem gente que n�o sabe. A obrigatoriedade do diploma camuflou, de certa maneira, a incompet�ncia. Mas n�o podemos chegar ao outro extremo, de achar que pessoas incultas, ignorantes das t�cnicas de apura��o, reda��o e edi��o, possam substituir os profissionais na produ��o de jornais de qualidade. Fazer bons jornais exige um conhecimento que n�o se adquire ao nascer, n�o se transmite por osmose e n�o se aprende vendo como � que faz. Mas naturalmente, como tudo na sociedade capitalista, cabe ao leitor, � leitora, ao espectador e � espectadora, decidir quem vai deixar que entre em casa para contar o que est� acontecendo na sua cidade, no seu pa�s e no mundo. Seria bom, portanto, que os habitantes deste pa�s tivessem escolha. E que todos os ve�culos n�o resolvessem, seja por conten��o de despesas, seja por desprezar a intelig�ncia do consumidor, nivelar por baixo, empregando amadores bem intencionados que trabalham por dois tost�es e produzem jornais que n�o valem um n�quel.
Dica de Carta Aberta
Eu comento:At� que ponto um jornalista � o que �, s� porque tem um diploma em jornalismo ou comunica��o social? Em Portugal, come�a-se a questionar se, para se ser jornalista, tem que se que ter um destes diplomas. Eu pr�prio sou jornalista e licenciei-me em Rela��es Internacionais porque acredito que, acima de tudo, um jornalista deve ter uma bagagem superior, bem como, uma especializa��o noutras �reas que n�o s�o fornecidas pelo curso de jornalismo ou de comunica��o social.
No entanto, at� que ponto os novos conte�dos que existem, n�o s� na Internet, mas tamb�m ligados a essas outras especialidades ir�o colocar em causa o jornalismo e o papel do jornalista, tal qual como o conhecemos? Fico a aguardar os vossos coment�rios.
terça-feira, janeiro 21, 2003
A imparcialidade � um mito?
Quem responde � o jornalista brasileiro Carlos Chagas, entrevistado pela Revista Jur�dica Consulex. Chagas � mais conhecido pelo p�blico como comentarista dos bastidores da pol�tica brasileira na antiga TV Manchete. Confira a resposta que ele d�:
"Por enquanto � uma utopia a conquistar. Na verdade, ningu�m � imparcial. O jornalista n�o � um rob�, uma m�quina que voc� aciona e solta a not�cia ou a interpreta��o. A imparcialidade at� seria prejudicial no mundo de hoje. Talvez, daqui a 200 anos, seja necess�ria, se o mundo mudar. Diante da fuga do Salvatore Cacciola ou do juiz Lalau, por exemplo, n�o d� para ser imparcial. N�o se pode dizer "o juiz est� foragido" friamente. Voc�, na interpreta��o, na entona��o de voz, na express�o e no coment�rio, deve demonstrar que aquele juiz � um ladr�o, precisa ser punido, e o Governo, por sua vez, falha para com a sociedade, porque n�o consegue encontr�-lo"
Dica de urgente.blogspot
E voc�, o que pensa? A imparcialidade � um mito, uma utopia no meio jornal�stico? E, at� que ponto, a imparcialidade, o rigor ou a isen��o, v�o colocar um ponto final no jornalismo?
Coloque seu ponto de vista, clicando em Comentar aqui em cima.
Quem responde � o jornalista brasileiro Carlos Chagas, entrevistado pela Revista Jur�dica Consulex. Chagas � mais conhecido pelo p�blico como comentarista dos bastidores da pol�tica brasileira na antiga TV Manchete. Confira a resposta que ele d�:
"Por enquanto � uma utopia a conquistar. Na verdade, ningu�m � imparcial. O jornalista n�o � um rob�, uma m�quina que voc� aciona e solta a not�cia ou a interpreta��o. A imparcialidade at� seria prejudicial no mundo de hoje. Talvez, daqui a 200 anos, seja necess�ria, se o mundo mudar. Diante da fuga do Salvatore Cacciola ou do juiz Lalau, por exemplo, n�o d� para ser imparcial. N�o se pode dizer "o juiz est� foragido" friamente. Voc�, na interpreta��o, na entona��o de voz, na express�o e no coment�rio, deve demonstrar que aquele juiz � um ladr�o, precisa ser punido, e o Governo, por sua vez, falha para com a sociedade, porque n�o consegue encontr�-lo"
Dica de urgente.blogspot
E voc�, o que pensa? A imparcialidade � um mito, uma utopia no meio jornal�stico? E, at� que ponto, a imparcialidade, o rigor ou a isen��o, v�o colocar um ponto final no jornalismo?
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