domingo, agosto 10, 2003

A rádio do futuro


Pouco experimentada nos inúmeros serviços oferecidos pelas mais recentes tecnologias digitais, a rádio parece adivinhar, no entanto, um futuro risonho. Foi o meio que mais facilmente se integrou na era multimédia - conseguiu um casamento feliz com a Internet, com a televisão, e namora actualmente com o telemóvel.

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domingo, agosto 03, 2003

Jornal do Futuro: Do Papel Electrónico ao Jornal do Bairro, na edição de hoje do Público.
O texto, de autoria da jornalista Elisabete Vilar pode ser lido aqui na íntegra.

sexta-feira, agosto 01, 2003

e-zines

E-ZINES:
Uma alternativa no jornalismo cultural


N�o � de hoje que o n�vel do jornalismo cultural, em especial aquele que � produzido pelos grandes ve�culos, est� em xeque. Uma das principais reclama��es por parte de leitores � quanto � mesmice de temas e enfoques nas an�lises, dando a sensa��o de que ler um caderno cultural � a mesma coisa que ler todos.
Um novo f�lego, por�m, parece estar vindo da internet com os e-zines (zines eletr�nicos). Abordando prioritariamente a cultura pop, as revistas eletr�nicas t�m procurado fugir dos padr�es pr�-estabelecidos da grande imprensa e v�m se destacando a cada dia.
Os e-zines s�o herdeiros diretos dos fanzines, publica��es rudimentares feitas muitas vezes com tesoura e cola e voltadas a um p�blico aficionado de determinado estilo musical, como o punk, na d�cada de 70. Com o tempo, o perfil foi sendo ampliado e outros temas, fora da m�sica, passaram a ser abordados. Com o advento da internet, a mudan�a do meio foi apenas uma quest�o de tempo. Muitos zines, al�m da edi��o em papel, passaram a ter suas vers�es eletr�nicas. E n�o demorou nada para surgirem e-zines exclusivos da net.
A principal diferen�a entre os e-zines e os cadernos de cultura � a liberdade tem�tica. Os grandes ve�culos s�o obrigados a cobrir de forma extensiva a agenda cultural, trazendo lan�amentos de CD, estr�ias de cinema e teatro, bastidores da televis�o, entrevistas e perfis com os nomes do momento. Talvez seja por esta f�rmula que as "ilustradas" e "cadernos 2" da vida se pare�am tanto. N�o que as revistas eletr�nicas deixem o mainstream de lado, mas elas procuram ir al�m, falando de artistas independentes, que sem uma grande estrutura de divulga��o acabam ignorados por jornais e revistas. "O conceito b�sico do ScreamYell era falar de coisas que outros ve�culos n�o falavam. Por isso eu comecei a fazer e-zines", conta o jornalista Marcelo Costa, um de seus idealizadores.
Uma contribui��o importante dos e-zines � que o exerc�cio da cr�tica n�o est� mais limitado apenas � grande imprensa. O leitor pode buscar outras opini�es a respeito de um lan�amento antes de decidir que CD vai comprar ou a que filme ou pe�a de teatro assistir�.
Outra caracter�stica dessas publica��es �, na maioria dos casos, dar vez e voz a profissionais que est�o batalhando por um lugar ao sol nas reda��es. � o caso do Rabisco . "Quando decidimos cri�-lo, quer�amos manter um canal para que jornalistas culturais ainda sem chance no mercado de trabalho pudessem extravasar suas opini�es e talentos", diz seu editor, Marcel Nadale. Quem confirma essa tend�ncia de lan�amento de novos nomes no jornalismo � Fabio Carbone, do Ru�dos . "A maioria dos colaboradores � de aspirantes a jornalistas que t�m no Ru�dos uma oportunidade de aparecer e entrar no mercado. � uma porta de entrada para aqueles que querem fazer um trabalho de maneira competente e original. Assim, todos ganham", diz.
Os e-zines seriam herdeiros leg�timos dos ve�culos da imprensa alternativa dos anos 70? "� bem diferente o cen�rio. Hoje em dia, temos uma abertura que n�o existia nos 70. O que causa, at�, uma superexposi��o de material que acaba n�o sendo digerido. Ou seja, h� tanta informa��o circulando que as pessoas n�o t�m tempo para ver/ler/ouvir/atentar para tudo. E o mundo hoje � mais livre, n�o h� bandeiras", responde Marcelo Costa. Para Fabio Carbone, "a imprensa alternativa caracterizava-se por abordar assuntos referentes � ditadura militar em publica��es menores, independentes, mas com postura de a��o. Por fazer oposi��o ao regime, o modelo foi considerado underground. O Ru�dos, por mais que n�o tenha car�ter pol�tico, pode ser considerado um ve�culo alternativo por priorizar assuntos espec�ficos, dando aprofundamento maior a temas que n�o s�o muito explorados na grande imprensa."
Marcel Nadale acha correto tra�ar o paralelo entre os dois tipos de publica��es, mas, segundo ele, a equival�ncia n�o chega a ser total. "Definitivamente, o valor sem�ntico de �alternativo� � respeitado: estamos � margem do mainstream da m�dia, com todas as benesses e as dificuldades que isso traz", diz.

Dica de Not�cias na Internet

quarta-feira, julho 30, 2003

Com o "New York Times" e a British Broadcasting Corp. (BBC) envolvidos no mesmo dilema, algo de sério deve estar a acontecer no jornalismo...

A justificação vem na edição de hoje do Público, num artigo de opinião do antigo director do "The Wall Street Journal", Robert L. Bartley.

Para ler o artigo na íntegra, clicar aqui.

sexta-feira, julho 25, 2003

Brasil

O diploma voltou a valer para o exerc�cio do jornalismo no Brasil. A ju�za federal, Alda Basto, do Tribunal Regional Federal da 3� Regi�o, suspendeu a senten�a que dispensou a obrigatoriedade do curso superior. Para ela, a concess�o de registo prec�rio de jornalista "sem qualquer restri��o" gera "titulares de ilus�o".

O pedido foi feito pela Federa��o Nacional dos Jornalistas, representada pelo advogado Jo�o Roberto Egydio Piza Fontes. Com a decis�o, os registos prec�rios obtidos por diversos profissionais liberais n�o valem mais. Da decis�o, ainda cabe recurso.

Segundo Alda Basto, "...preocupam-nos como ficar�o os milhares de jovens que lucrarem obter a Carteira de Jornalistas, em virtude da senten�a de primeiro grau e conseguirem emprego, pois amanh� podem tudo perder". A ju�za liberou a Federa��o Nacional dos Jornalistas da multa de 10 mil Reais pelas carteiras de jornalista que emitiu com tratamento diferenciado dos diplomados.

Entretanto, o procurador Andr� de Carvalho Ramos, que entrou com a a��o civil p�blica para a dispensa do diploma de jornalista, foi procurado pela revista Consultor Jur�dico para comentar a decis�o, mas est� em f�rias.

Mais informa��es no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S�o Paulo.

JN

Interessante, est� o artigo de Francisco Jos� Viegas, publicado hoje no Jornal de Not�cias, intitulado "A Blogosfera". Acerca da rela��o entre o jornalismo e os blogs, FJV escreve "...Os blogs n�o p�em em risco o jornalismo, evidentemente, nem os jornais: mas desafiam-os, obrigam-os a moderar a sua marca ideol�gica e as suas tentativas de manipula��o, lan�am reptos � pregui�a das redac��es e � sua modorra, provam que n�o � preciso ser-se profissional do jornalismo para escrever sobre a passagem do tempo ou sobre a actualidade ..."

Para aler o texto na �ntegra, basta clicar aqui.

Se algu�m quiser comentar, fique � vontade...

quarta-feira, julho 23, 2003

A precariedade no jornalismo e o surgimento do jornalista prec?rio

Gerson Martins, jornalista e coordenador do F�rum Nacional dos Professores de Jornalismo, publicou no site da Federa��o Nacional dos Jornalistas, o seguinte artigo:


A precariedade no jornalismo e o surgimento do jornalista prec�rio


A responsabilidade social do jornalista imp�e certas diretrizes que s�o apreendidas com um estudo s�rio, de alta qualifica��o e num per�odo de tempo superior ao per�odo de um ano. Contudo essa condi��o sofre o risco de ser definitivamente abandonada pelo malogro judicial de um entendimento parcial, superficial do processamento da informa��o. Em raz�o disso se criou um profissional prec�rio. Nesses termos � muito importante buscar o Aur�lio e entender o que significa prec�rio. Antes, por�m, quero destacar que a denomina��o prec�rio foi inteligente e providencial. Agradecemos, sinceramente, essa denomina��o. Ela expressa corretamente a condi��o do pseudoprofissional.

Segundo o Aur�lio, prec�rio quer dizer: "que n�o � est�vel ou seguro; incerto, duvidoso; minguado, dif�cil; fr�gil, d�bil". Dessa forma podemos concluir que o jornalista prec�rio � um jornalista incerto, d�bil, inst�vel, fr�gil. As empresas de comunica��o, a m�dia com toda certeza n�o contratam seus potenciais profissionais nessas condi��es. Embora se trate de pura especula��o de ling��stica, essa conceitua��o traduz a realidade dos fatos.

No mercado em que atua o jornalista profissional as empresas de comunica��o de forma generalizada contratam apenas jornalistas profissionais diplomados, mesmo aquelas que apregoam, enfatizam e at� mesmo fazem campanhas contra a necessidade do profissional diplomado, t�m, em seus quadros, apenas profissionais diplomados. Por qu�? Todos t�m consci�ncia da qualifica��o e condi��es desses profissionais e n�o est�o dispostas a arriscar ou, mais ainda, em investir mais recursos � do que investem hoje � para treinar profissionais sem as condi��es m�nimas de trabalho, segundo essas empresas.

Se esta condi��o � generalizada podemos concluir � e os registros nas Delegacias do Trabalho confirmam � que os jornalistas prec�rios s�o aqueles que n�o t�m compet�ncia para a aprova��o num vestibular, pois a maioria dos novos jornalistas prec�rios � oriunda de atividades marginais do jornalismo. A ansiedade em adquirir o t�tulo de jornalista usando de atalhos n�o qualificados resulta nessa condi��o. O caminho natural para conquistar a designa��o de jornalista por meio da forma��o universit�ria torna-se inacess�vel pela aus�ncia de condi��o intelectual necess�ria.

Como condi��o de profissional de forma��o superior � e somente essa disponibiliza condi��es m�nimas para preparar adequadamente esses profissionais � a responsabilidade social que imp�e denota a seriedade e a compet�ncia que os cursos de prepara��o devem possuir. A estrutura escolar brasileira imp�e por si mesma as condi��es de qualidade do processo de ensino-aprendizagem em todas as profiss�es regulares no pa�s. Nesse sentido n�o nos compete nesse momento julgar a qualidade deste ou daquele curso, desta ou daquela escola. N�o obstante esse fato os campos profissionais que se definem na estrutura escolar do pa�s exigem a forma��o superior quanto mais responsabilidade social se lhes implica, imputa. Conhecemos in�meros casos de uma imprensa, de um trabalho jornal�stico que resultou em destrui��o de fam�lias, institui��es, empresas, pessoas. Imaginemos essa possibilidade nas rela��es de profissionais que n�o tenham uma forma��o m�nima adequada. Pessoalmente acredito que a principal disciplina num curso de jornalismo � �tica Jornal�stica. Afirmo sempre aos colegas, alunos e amigos que se um profissional de jornalismo n�o se conscientizar da import�ncia dos procedimentos �ticos, da import�ncia da consci�ncia de sua classe, de seus direitos e deveres no espa�o, no tempo dessa disciplina, ent�o dificilmente vai conseguir atuar como profissional qualificado e eticamente consciente. J� observei in�meras vezes estudantes de jornalismo que adotam como perfil a frase atribu�da a Guevara: "se hay gobierno, soy contra", denotando um comportamento essencialmente "anarquista" no aspecto de desorganiza��o e simples contrariedade a tudo. Esses mesmos estudantes, posteriormente, como profissionais adaptam-se a todas as estruturas organizacionais e "rezam a cartilha" empresarial. H� a� um processo totalmente oposto. Tornam-se mascaradores e manipuladores da realidade. S�o maus jornalistas. S�o profissionais a-�ticos.

Quero enfatizar de forma definitiva. Se � que podemos enfatizar de forma definitiva. O profissional de jornalismo tem uma responsabilidade social muito ampla e profunda. N�o podemos brincar de produzir informa��es ou continuar a elogiar nossos amigos pela m�dia. Algu�m admitiria um profissional da �rea m�dica sem condi��es de clinicar ou realizar uma cirurgia? Admitir�amos um profissional da �rea jur�dica sem conhecimentos suficientes para defender uma pessoa? Admitir�amos um profissional da �rea de engenharia sem informa��es m�nimas para garantir que uma edifica��o depois de conclu�da venha ruir? E por que um profissional que trabalha com informa��o, com a produ��o da informa��o, que pode tamb�m destruir pessoas com uma informa��o falsa, alterada ou manipulada n�o necessite estar adequadamente preparado? �! Se esse n�o for o entendimento creio que vou solicitar meu registro como m�dico e clinicar "por a�!".

Algu�m comenta???

O jornalismo e o diploma

Este texto, publicado este m�s no jornal �A Not�cia�, intitula-se �O jornalismo e o diploma�, da autoria de Elaine Tavares, jornalista e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina.

Andei lendo os textos acerca do diploma para o exerc�cio da profiss�o de Jornalista e fiquei bastante entristecida. E porqu�? Porque ficou claro que h� uma profunda incompreens�o do que seja efetivamente o Jornalismo. Mais triste ainda por ver essas opini�es partirem de pessoas que praticam o Jornalismo.

Fica a indaga��o. Se n�o se sabe o que � o Jornalismo, como � poss�vel pratic�-lo? Um dos argumentos apresentados � de que os melhores textos que est�o hoje nos jornais s�o escritos por economistas, soci�logos, fil�sofos etc...Bem, isso � certo, mas essa gente n�o faz jornalismo. O que eles escrevem s�o textos de opini�o. Isso significa que, a partir de seu pr�prio saber, eles analisam a sociedade. N�o h�, nestes textos, nada de jornalismo. Outro mito importante que precisa ser derrubado � a coisa do "dom". Jornalismo n�o depende de dom. Ele � 95% suor, esfor�o, trabalho bra�al. Todo o ser humano tem condi��o de aprender e o Jornalismo � uma profiss�o que depende muito de uma boa t�cnica e de muita, mas muita, leitura. O argumento de que nem mesmo o m�dico precisa de diploma � simplista demais.

A discuss�o deve se dar em cima do processo do saber. Para voc� atuar em qualquer campo do conhecimento precisa saber como agir dentro dele. E saber com seriedade. O Jornalismo � um campo de conhecimento e nele est�o colocadas uma s�rie de t�cnicas e saberes que devem ser apreendidos sim. N�o basta sentar num computador e vomitar "achismos". H� que ter clareza do que significa aquilo que a pessoa est� fazendo. Tampouco pode-se comparar o Jornalismo com a Propaganda ou com a arte de vender produtos. A� j� � at� m� f�.

Jornalismo de verdade � pesquisa de qualidade, � impress�o de rep�rter, � viv�ncia, � ac�mulo de leitura da boa, � dom�nio de texto, � t�cnica de entrevista, � sensibilidade para contar hist�rias, para interpretar a realidade, para analisar os fatos a partir de v�rios pontos de vista. � ser capaz de narrar com respeito e acuidade a vida dos seres que constroem a vida. � ter a capacidade de ligar temas , assuntos, aparentemente sem conex�o, na grande teia da hist�ria humana, para que a sociedade possa, a partir disso, pensar com a pr�pria cabe�a. O jornalista, de verdade, � um contador de hist�rias, um provocador do pensar, um art�fice da palavra. N�o � um "opinionista", n�o lida com a "doxa". Ele lida com o saber e o pensar.

� claro que um diploma de qualquer universidade fabricante de monstrinhos n�o garante a forma��o de um ser assim como o descrito acima. Mas, a luta que deve ser travada � a da transforma��o da universidade. Fica muito f�cil fazer o discurso do "n�o ao diploma".

Destruir � mais r�pido que construir. O que eu queria mesmo era ver esses meninos e meninas que, efetivamente, queiram fazer jornalismo de qualidade, brigando por uma nova universidade, por um curso que garanta a pluralidade dos saberes, que prime pela t�cnica sem perder o humanismo. Queria v�-los construindo um mundo novo, cooperativo, solid�rio, belo. Queria v�-los nos jornais e Tvs fazendo jornalismo de verdade, respons�vel, cr�tico, transformador. � hora de a gente mudar o mundo, de acabar com o narcisismo que campeia nas reda��es. Jornalista conta a hist�ria da humanidade e n�o fica vomitando suas pr�prias opini�es. Jornalista faz revolu��o, provoca pensares e transforma��es. E isso s� se faz com saber. Se a universidade n�o forma gente assim, mude-se a universidade!!!!!

Aceitam-se coment�rios. Afinal de quem � a culpa pelo actual estado das coisas? Dos jornalistas, das universidades ou dos empregadores?

terça-feira, julho 22, 2003

Carlos Alberto Di Franco

Intitulado "Repensar os jornais", Carlos Alberto Di Franco, director do Master em Jornalismo para Editores e professor de �tica Jornal�stica, publicou o seguinte texto na sec��o de opini�o do site da Globo.

Ben Bradlee, o carism�tico ex-diretor do "The Washington Post", � sempre uma palavra que merece ser ouvida. Segundo Bradlee, "um grande editor � algu�m capaz de atrair bons profissionais para trabalhar no jornal. � algu�m que sabe como encorajar talentos e despertar o melhor nas pessoas. � como um t�cnico de um time". O coment�rio, apoiado na for�a persuasiva da simplicidade, resume todo um programa de recursos humanos para as reda��es.

Os recursos humanos s�o, de fato, a pe�a-chave de uma empresa informativa. O tempo e o dinheiro gastos em atrair, formar e aperfei�oar os melhores
profissionais s�o um investimento extremamente rent�vel. O gerenciamento de uma reda��o � muito mais do que uma atividade de coordena��o editorial. � a
fascinante capacidade de promover talentos. Os bons editores, assim como os grandes maestros, sabem que a beleza de uma sinfonia n�o depende de um g�nio solit�rio, mas de uma fina solidariedade de talentos.

Bradlee, um editor formado numa �poca de ouro do jornalismo impresso, n�o conseguiu, no entanto, captar as reais conseq��ncias do avan�o da internet.
A se��o dos classificados, por exemplo, nicho tradicional da m�dia impressa, precisa ser repensada com urg�ncia e ousadia. Caso contr�rio, ser� engolida
pelas facilidades oferecidas pela internet. A cultura virtual, queiramos ou n�o, � um fato. Os jovens s�o navegantes compulsivos do ciberespa�o. Mas os
jornais s� conquistar�o essa importante fatia do mercado se efetivamente perceberem que os seus sites n�o podem ficar reduzidos � simples reprodu��o
virtual do seu conte�do impresso. O jornalismo na internet pressup�e uma profunda revolu��o nos conceitos, na forma e no conte�do da informa��o.
Exige, ademais, equipes especializadas e bem formadas na cultura do jornalismo on-line.

Bradlee percebeu que o jornal pode ser imbat�vel na cobertura local. Segundo ele, a TV e a internet est�o um pouco "ausentes no notici�rio local, sobre o
que est� acontecendo na comunidade em que as pessoas vivem. E esse � um mercado important�ssimo para n�s". Tem raz�o. A globaliza��o est� produzindo um fen�meno curioso: quando tudo � (ou pretende ser) transnacional, o local ganha enorme import�ncia. As pessoas est�o carentes de v�nculos pr�ximos. O leitor quer saber o que acontece na sua cidade, no seu bairro, no seu quarteir�o. O consumidor real, n�o o de proveta concebido no ambiente rarefeito das reda��es, quer saber em que medida o global pode afetar o seu dia-a-dia e, como � l�gico, o seu bolso. Quer uma �gil e moderna presta��o de servi�os. Consult�rios ou se��es de respostas nas �reas de sa�de, direito, aplica��es financeiras e inform�tica, por exemplo, s�o um sucesso em todo o mundo.

Ben Bradlee, formado na escola dos antigos editores, mant�m excessiva dist�ncia dos leitores. N�o acredita nas pesquisas de opini�o e imagina que
a postura vertical � a mais recomend�vel para o relacionamento do jornal com o seu p�blico. "Os leitores podem n�o querer ver no jornal o tipo de
informa��o da qual precisam. E podem n�o querer o que voc� acha que eles deveriam receber", sublinhou. Um bom jornal, por �bvio, n�o pode ficar ref�m
do mercado. Precisa, freq�entemente, tornar interessante o que � realmente importante. Mas um jornal de qualidade n�o pode viver de costas para o
leitor. Os jornalistas precisam escrever para os leitores e n�o para os colegas. O jornal precisa ter a s�bia humildade de moldar o seu conceito de
informa��o, ajustando-o �s aut�nticas necessidades do p�blico a que se dirige. Quando jornalistas e editores, entrincheirados e hipnotizados pelas
telas dos computadores, n�o v�o � luta, as reda��es se convertem em centros de simples processamento de informa��o pasteurizada. O lugar de rep�rter � a rua, garimpando a informa��o, apurando, prestando servi�o ao leitor.

O jornalismo de qualidade reclama atualiza��o, treinamento, inova��o e �tica. Fora disso � o vazio. E n�o h� anabolizante que resolva.

Dica de Ana Beatriz Mansur


Eu comento: Para que possa haver essa actualiza��o, treino, inova��o e �tica, que Carlos Alberto Di Franco fala � necess�rio haver um maior investimento e uma maior sensibilidade por parte dos respons�veis que est�o � frente dos �rg�os de comunica��o social. No entanto, ser� que eles est�o dispon�veis a fazer esse investimento, em prol dos lucros?

sábado, julho 19, 2003

F?rum

No F�rum que eu criei, a Anabela Fernandes colocou o seguinte coment�rio a prop�sito da quest�o Fim do diploma = Fim do Jornalismo?

Parece-me que diploma e jornalismo sobrevivem bem um sem o outro. Em Portugal, os cursos de comunica��o social nasceram nos anos 80. E � �bvio que j� antes havia grandes jornalistas que aprenderam na pr�tica, na escola das redac��es. Al�m disto, n�o me parece que os cursos tenham contribu�do para um aumento da qualidade do jornalismo que se pratica. A crise actual � de valores, � de �tica, � de deontologia, � de respeito... Coisas que s� muito ao de leve se abordam nas nossas universidades. Se calhar at� j� nem se abordam em s�tio nenhum. Falo por mim. Se soubesse o que sei hoje, n�o teria tirado comunica��o social.Teria tirado... Hist�ria.E claro que podia ser jornalista � mesma, e provavelmente, com uma bagagem cultural bem mais interessante. Ainda hoje, muitos dos nossos grandes jornalistas n�o o s�o por forma��o. S�o m�dicos, advogados, economistas.. E nem por isso fazem mau jornalismo. A grande li��o da actualidade � o excessivo respeito pelo poder econ�mico que controla tudo e exerce censura sobre os jornalistas receosos de perder o posto de trabalho. A quest�o Joel, n�o � se a internet ou os cursos v�o p�r fim ao jornalismo tal como o conhecemos. A quest�o �, ser� que alguma vez os jornalistas ser�o livres para exercer a sua profiss�o? � essa falta de liberdade que me faz duvidar da real exist�ncia do jornalismo e me faz pensar se n�o andaremos todos a enganar os outros e a n�s pr�prios... A internet n�o � nenhum pap�o. � s� o futuro!


Nem � preciso dizer mais nada, Anabela. Vamos ver se algu�m comenta.