quinta-feira, novembro 20, 2003

Registo hoje, 4011 visitas. Agradeço, por isso, a visita de todos os que por aqui têm passado e/ou continuam a passar.

Jornalismo Fardado

O novo Jornalismo Fardado


Vai ser lançado no próximo dia 25 de Novembro, o livro “O Novo Jornalismo Fardado, El País e o Nacionalismo Basco”, de Angel Rekalde e Rui Pereira.
O livro será apresentado na Casa da Animação - R. Júlio Dinis, edifício Les Palaces, no Porto) pelo jornalista do Jornal de Notícias e presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, seguindo-se um debate aberto com os autores.
No dia seguinte, 26, haverá uma sessão aberta, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, embora predominantemente destinada a estudantes do Curso Superior de Jornalismo e Ciências da Comunicação, com a participação dos autores.

Centrado num dos mais prestigiados e insuspeitos órgãos da imprensa europeia, este livro constitui a anatomia de uma oculta operação de propaganda e manipulação tão vasta e inimaginável quanto ignorada.

Face ao desafio independentista, há que traçar um plano profundo e meditado, de curto, médio e longo prazo. Há que organizar sempre dentro dos limites do Estado de Direito, uma operação global em sentido contrário àquele que os bascos sofreram. Há que dedicar durante duas ou três décadas, muitos milhares de milhões de pesetas anuais para financiar um plano que se estenda das histórias aos quadradinhos às séries de televisão, das escolas à cátedra da universidade, dos empregados aos empresários, da divulgação popular à investigação científica, dos serviços de informações às mais subtis engrenagens das forças de segurança. A História, a verdade e a razão estão com a unidade de Espanha [...] e é necessário penetrar todos os tecidos do povo basco de forma sistemática, estudada e bem financiada, com a grande verdade histórica do ser espanhol para reconstruir o leito comum da pátria”.

Este livro, do Campo das Letras pode ser encomendado pelo telefone 22 608 08 70, por e-mail, ou por correio: Campo das Letras – Editores, S. A., Rua D. Manuel II, 33 – 5º / 4050-345 Porto.
O livro tem 192 páginas e custa 14.28 Euros.

quarta-feira, novembro 19, 2003

Ser jornalista é...


A resposta está aqui.
Curiosa, é a tabela de remunerações.
Futuros jornalistas


Por Marcelo Paes

Futuros jornalistas. O principal inimigo do escritor é a folha em branco. Nela, tudo pode ser feito. Obras primas e as maiores barbaridades podem ser colocadas no papel e lidas por milhares de pessoas. No jornalismo a ideia é semelhante. A diferença é que o jornalista tem uma obrigação que o escritor não tem necessariamente: a verdade.

Quase todo o estudante de jornalismo é idealista ao ponto de querer mudar o mundo com seus textos. Isso não é nada fácil. O jovem jornalista ainda não sabe que vai ter que passar por cima de muitos problemas para ver o seu texto publicado, vai ter muitas dores de cabeça, vai ter algumas decepções, e vai acabar pensando que está trabalhando no ramo errado. Mas isso é normal, afinal o médico não tem que estudar em cadáveres inertes para poder aprender a lidar e curar um ser humano?

Se falarmos com jornalistas experientes, eles dirão que já passaram por muitas "histórias" antes de se tornarem as figuras de destaque que são hoje. O defeito do aprendiz de jornalista é pensar que vai acabar o curso e estar apto para entrevistar o presidente da República ou partir rumo aos Estados Unidos para ser correspondente internacional. Talvez alguns desses jovens façam melhor trabalho do que muitos profissionais que estão por aí. Mas, de certa forma, é compreensível, sem deixar de ser preocupante, que um grande jornal prefira uma pessoa com experiência a um jovem que "só" tem o curso superior de jornalismo.

A minha recomendação para quem quer crescer na profissão é não parar. Escrever muito e sempre para não perder o estilo e a forma, e ler mais ainda para aprimorar a escrita e atualizar os "arquivos" mentais. Um jornalista mal informado é como uma costureira sem agulhas. Por mais que tenha talento e os melhores materiais, não consegue produzir nada. É importante saber se o Flamengo ou o Corinthians perdeu no final de semana, mas também não custa nada ficar sabendo porque o Brasil vai sair prejudicado com a crise mundial. Toda a informação é importante, é bagagem que nunca vamos deixar para trás.

O mercado de trabalho é outro dos problemas, já cheguei a ver muitos dos meus amigos e amigas desistirem do jornalismo por causa disso. Não vou negar que é um assunto sério, mas também não vou recomendar que fechem os cursos de jornalismo por uns 5 anos para dar vazão aos profissionais que estão aí. Assim como em outras áreas empresariais, é preciso investir em si próprio, fazer cursos, falar línguas, ter um "algo mais", fazer a diferença. Imagine se você fosse pintar a sua casa e aparecessem 20 pintores com as mesmas características. Qual deles chamaria? Qualquer pessoa responderia que contrataria o que tivesse melhores qualificações, afinal ninguém gostaria que um serviço simples ficasse mal feito. A situação nos órgãos de comunicação é parecida. Os patrões querem alguém com capacidades para manter o nível do jornal, televisão ou rádio e atrair novos consumidores daquele produto. Cabe ao jovem jornalista fazer com que não haja outra escolha para a vaga em questão senão ele próprio.

Não esqueça também os colegas e amigos da faculdade. Eles não são apenas para a diversão e as "baladas". Podem também ser a chave para uma oportunidade futura. Quando o curso acaba, cada um vai para o seu lado, mas não custa nada manter o contacto com alguns colegas. Muitas vezes eles sabem de coisas que nós ainda não sabemos. E, na vida, assim como no jornalismo, a informação é uma arma, quem a tem já parte com vantagem em relação aos outros.

E o mais importante de tudo é trabalhar com amor. Escrevo esse texto com um brilho nos olhos e espero que o leitor também se entusiasme com essas palavras.

Dica de Parem as máquinas.

terça-feira, novembro 18, 2003

Contrata��o de jornalistas

É uma boa notícia e vem publicada na edição de ontem do Público.

Intitulada “Governo prepara apoio à contratação de jornalistas pela imprensa regional”, a notícia refere que “O Governo está a ultimar um sistema de incentivos à contratação de jornalistas e outros profissionais pela imprensa regional que poderá levar a criação de centenas de postos de trabalho em jornais e rádios locais. Os salários dos profissionais a contratar serão parcialmente suportados pelo Estado durante três anos, diminuindo progressivamente o apoio entre o primeiro e o terceiro ano do programa”. Mais à frente pode-se ler que “O objectivo deste «período de transição» de três anos é apoiar a mudança do actual modelo «amador e proteccionista» da imprensa regional para um «modelo empresarial» em que a tendência deve ser a diminuição progressiva da presença do Estado”. Aliás, o secretário de Estado da Comunicação Social, Feliciano Barreiras Duarte afirmou que “a proposta do Governo é clara: uma nova entidade reguladora, que centralize competências dispersas por várias entidades, a começar pela Alta Autoridade para a Comunicação Social, pela Autoridade Nacional das Comunicações e pelo Instituto da Comunicação Social”.

O texto pode ser lido na íntegra, aqui.


Pode-se dizer que algo está a ser feito em prol de um tipo de jornalismo cada vez mais em expansão. Resta saber como é que essa proposta vai ser implementada e se será fiscalizada nas melhores condições. É que, os barões da imprensa nem estão à espera de algo semelhante para "se candidatarem" a esses fundos!!!
Aguardo outros comentários, como é óbvio.

sábado, novembro 15, 2003

Jornalistas portugueses no Iraque


O dia de ontem foi de angústia para o jornalismo português: Maria João Ruela levou um tiro no Iraque; Carlos Raleiras foi raptado no mesmo sítio.
Sejamos solidários.
Numa altura em que a TSF anuncia que Carlos Raleiras foi encontrado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera que o Governo é o principal responsável pela falta de condições de segurança dos jornalistas portugueses no Iraque. Em comunicado, o SJ alerta ainda para a necessidade de as empresas garantirem aos jornalistas uma melhor preparação para este tipo de missões.
Reloura, um dos membros do grupo Jornalistas da Web, enviou o seguinte comentário, sob o título "fim do jornal impresso e da ditadura do lide?"

"Especialistas em veículos comunicacionais,intusiastas da internet e defensores do chamado "jornalismo literário" ou "new journalism" afirmam que se o jornal impresso, tal como conhecemos, não mudar radicalmente suas estruturas textuais em poucos anos estes só serão encontrados em museus. O motivo seriam as "novas tecnologias" mais rápidas, dinâmicas, interativas e, muitas vezes, gratuitas.
Com o modelo da pirâmede inversa, com lide, sublide, a ditadura da pauta , matérias cada dia mais curtas e descartáveis, fotos compradas de agências internacionas, ou seja todos os jornais publicam a mesma coisa, e com a "teoria da falta-de-tempo-e-saco-do-brasileiro-para-ler"o jornal impresso torna-se um meio de comunicação que tem noticiado tudo as que os outros veículos já noticiaram no dia anterior sem acrescentar ou se aprofundar muito em nada, ou seja, algo dispensável!
Uma das alternativas, por eles apontadas, para a sobrevivência deste importante meio seria a adoção de grandes reportagens, matérias investigativas mais detalhadas com uma narrativa mais literária do que propriamente jornalística, ou seja, sem lide e sublide com poucas "short-news" já que essas os outros meios já dão.
Defensores do lide afirmam que ninguém tem mais tempo e paciência para ler matérias grandes e se alguém quizer saber mais detalhes sobre um assunto noticiado durante a semana é só recorrer a uma revista semanal ( que por sinal adotam a mesma técnica de redação dos jornais diários com os mesmos lides e coisa e tal).
Então seria este mesmo o fim do jornal impresso, o veículo em que os consumidores mais confiam?O fim do hábito da leitura em bancos de praças e lotações? O final do grande jornalismo?Ou será que há realmente espaço, mercadologicamente falando,para as grandes reportagens?"

Por seu lado, Raphael Perret, considerou que "A maior parte do conteúdo das revistas é formada por reportagens, que têm uma estrutura técnica diferente da noticia tradicional, que usa o modelo da pirâmide invertida. As reportagens se aproximam muito mais do new journalism, já que contam histórias com um aprofundamento maior que o da notícia. O maior exemplo é a Veja, que tem uma redação perfeita (estou falando de forma, não de conteúdo :-), sem utilizar lide, sublide ou qualquer outra aracterística do modelo da pirâmide invertida. Até porque os textos são quase editorializados, impedindo que se utilize a objetividade do lide.
Quanto ao "fim do jornalismo impresso", não gosto de profecias, mas acho que mudanças deverão ser implantadas como as que ocorreram há algumas décadas, quando os jornais se viram ameaçados pela TV. Acho que isso acontecerá naturalmente e os jornais continuarão a existir, mesmo com rádio, TV, World Wide Web e tudo o que vier".

Aguardam-se outros comentários...

domingo, novembro 09, 2003

O destaque de hoje vai para o Diário de Notícias.
Na edição deste domingo, vem um dossier onde se publica a opinião que os portugueses têm sobre o jornalismo que é feito actualmente em Portugal, assim como o tratamento jornalístico que é dado a alguns casos.
Para além disso, ainda se pode ler uma entrevista com Joaquim Letria que considera que "As televisões são mais permeáveis à manipulação".

sexta-feira, novembro 07, 2003

Sondagem indica que maioria acredita nos jornalistas

Sondagem indica que maioria acredita nos jornalistas


Na sec��o de Media do P�blico de hoje, vem um artigo onde se pode ler o seguinte:
A grande maioria dos portugueses acredita na Comunica��o Social, mas considera que os jornalistas agiram mal ao divulgarem o conte�do de escutas telef�nicas a dirigentes do PS no �mbito do processo Casa Pia, revela uma sondagem da TNS Euroteste, ontem divulgada pela revista "Vis�o". Entre os inquiridos, 77 por cento acredita no que relata a Comunica��o Social e dez por cento declara n�o acreditar. Entre os que afirmam acreditar, dez por cento diz que cr� "totalmente", enquanto 67 por cento afirma acreditar apenas "em parte" nos �rg�os de comunica��o social. Oito por cento dos entrevistados n�o acredita "em parte" do que l� e v�, enquanto a mesma percentagem de inquiridos diz-se descrente da totalidade das informa��es divulgadas. Seis por cento escolheram a resposta "n�o acredita, nem deixa de acreditar" e um por cento n�o soube ou n�o quis responder. A maioria dos inquiridos do estudo - baseado em 600 entrevistas - discorda, contudo, da divulga��o pelos "media" das escutas telef�nicas feitas aos dirigentes do PS. Um grupo de 42 por cento acha que foi negativa a op��o de divulgar as escutas, contra 37 por cento que entende o contr�rio.

sexta-feira, outubro 31, 2003

Uma relação de amor e ódio, por Miriam Abreu


Os jornalistas têm uma vida pessoal precária, muitas vezes abdicam de relacionamentos, trabalham excessivamente e vivem em ambientes de trabalho competitivos. Estes profissionais são muito solicitados, muitas vezes humilhados e percebem que a vida está sendo consumida pelo trabalho. Para você jornalista, isso pode não ser nenhuma novidade, mas para outras pessoas sim. A análise faz parte de uma pesquisa, realizada pelo advogado e psicólogo Roberto Heloani, que entrevistou 44 jornalistas [brasileiros], com os quais aplicou testes e realizou discussões em grupos. São mais de mil páginas de transcrições de fitas.

Heloani decidiu pesquisar a vida do jornalista por este ser um formador de opinião. "Desta forma podemos aprender um pouco mais sobre eles, saber um pouco mais da vida deste profissional, que passa uma imagem glamourosa, vendida pela própria mídia", comenta o pesquisador.

Apesar de ter uma convivência freqüente com jornalistas – ele já realizou cursos na área – Heloani confessa que se surpreendeu com o resultado da pesquisa. A primeira surpresa, segundo ele, é com a péssima qualidade de vida do profissional de imprensa. "Eu já sabia que jornalistas trabalham muito, mas eles andam estressados, apesar de saber driblar o cansaço. Ele agüenta uma carga de trabalho pesada porque é um apaixonado pela profissão. Existe uma relação de amor e ódio pelo jornalismo".

Os jornalistas, segundo a pesquisa, abdicam de uma vida a dois pela profissão. Algumas mulheres, na faixa dos 25 anos aos 30, chegaram a dizer para Heloani que não têm tempo para namorar. "O estilo de vida do jornalista compromete esta relação".

Sem mencionar nomes, Heloani contou a história de um jornalista que goza de certo poder numa grande emissora de TV do país. "Este jornalista era casado com uma psicóloga. Muitas vezes eles não se viam, até que um dia foi demais. Quando ele chegou do trabalho, ela estava dormindo. A esposa acordou e não viu o marido, o que era comum. Mas quando ligou a TV, viu que o marido estava na Argentina, no meio de um tiroteio. Foi demais para a psicóloga, que pediu demissão. Hoje ele é casado com uma jornalista. Acho que pelo fato de terem a mesma profissão, a compreensão é maior".

Quanto à saúde, a pesquisa mostra que poucos cuidam dela. Os jornalistas se queixam que não têm tempo para procurar um médico. Heloani disse que, além de terem pouco tempo para se alimentar, os profissionais consomem excessivamente café e álcool, este para relaxar depois de um longo dia de trabalho. "Eles também reclamam da questão do sono. A maior parte dorme pouco, em horários irregulares devidos aos plantões. Aqueles que têm cargos de chefia ficam ansiosos porque existe a preocupação pela responsabilidade do produto". O pesquisador afirma que a insônia é um dos sintomas do estresse e pode acabar em depressão.

Quase todos os entrevistados disseram que o ambiente de trabalho é competitivo, enfatizaram a cobrança excessiva e também a precariedade das condições em muitas redações. Muitos deles também exercem várias funções ao mesmo tempo. "Hoje, o profissional de imprensa é multifuncional, polivalente. Devido ao próprio processo de informatização, o jornalista tem que ser tudo, tem que ser uma equipe".

A pesquisa também mostrou que o individualismo é uma característica marcante. Segundo Heloani, a profissão está sendo moldada à competitividade. "Para sobreviver na profissão, o jornalista acha que seu colega é o seu principal empecilho".

Para o jornalista, o sindicato da categoria é ineficaz. "É esta descrença e o questionamento sobre a forma coletiva que também faz do jornalista um ser individualista". De acordo com Heloani, a desconfiança e descrença nas entidades representativas constroem a fragilidade da profissão.

"O jornalista está seguindo um caminho extremamente perigoso. Acho que o processo de conscientização é lento. Se continuar assim, ele vai comprometer sua saúde física e mental", conclui.

Dica de Eduardo Henrique Furlan, do Grupo Defesa do Jornalismo.