domingo, fevereiro 29, 2004

Adopte um Jornalista

Adopte um Jornalista


O CampaignDesk.org n�o � a �nica institui��o nos EUA dedicada a um acompanhamento cr�tico dos "media". Outros exemplos: a Accuracy in Media, o Media Research Center, a FAIR, o Center for Media & Democracy. Na Internet ainda h� muitos outros "observat�rios" individuais.

Este ano surgiu um fen�meno curioso: o "Adopt-a-journalist". Uma s�rie de invid�duos iniciaram "blogs" na Internet com o objectivo de escrutinar exaustivamente cada um dos artigos de um jornalista em particular.

O mais famoso destes "blogs" era o Wilgoren Watch, que se dedicava a criticar cada palavra escrita pela jornalista Jodi Wilgoren - a rep�rter do "New York Times" que cobria a campanha de Howard Dean. Mas havia mais, direccionados a rep�rteres como Nedra Pickler (da Associated Press) e mesmo a colunistas como Mona Charen (cujos artigos de opini�o s�o publicados em v�rios jornais).

Desde o final de Janeiro (quando Howard Dean come�ou a ficar fora da corrida) que a maior parte destes "blogs" n�o � actualizada. Mas o conceito de "adoptar um jornalista" ficou. O tipo de an�lise nos "blogs" de "Adopt-a-Journalist" � muito diferente do feito pelo CampaignDesk.org, mas Steve Lovelady reconhece-lhes virtudes.

Lovelady admite que estes "blogs" podem tornar-se numa "persegui��o" a um jornalista, mas tamb�m acha que n�o � mau que "os jornalistas tenham de prestar mais aten��o" ao que escrevem ou dizem: "No fundo, � uma forma de os jornalistas provarem o mesmo rem�dio que d�o aos pol�ticos".

Dica de P�blico

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Parceria

Parceria entre jornalistas do Brasil e de Portugal


O site brasileiro "O Jornalista" e este blog portugu�s firmaram uma parceria que ir� propiciar, entre outras coisas, o interc�mbio entre os jornalistas dos dois pa�ses de l�ngua portuguesa.

Para al�m disso, foi oficialmente lan�ado o grupo de discuss�o virtual Jornalistas Brasil�Portugal que pretende aproximar os jornalistas dos dois pa�ses, para um interc�mbio sobre as quest�es que envolvem a nossa profiss�o e o seu exerc�cio. Outras novidades se seguir�o a curto prazo.

Para fazer parte deste grupo, basta enviar uma mensagem em branco para o seguinte e-mail: jornalistasBrasil-Portugal-subscribe@yahoogrupos.com.br

De referir que o site "O Jornalista", voltado para os jornalistas, professores e estudantes de jornalismo, foi criado pelo jornalista brasileiro Vitor Ribeiro, com o objetivo de defender o ponto de vista dos que trabalham e lutam pela profiss�o de jornalista. O projeto contempla mat�rias, entrevistas, ilustra��es animadas, links, not�cias, espa�o de fotojornalismo, legisla��o referente � profiss�o e pesquisas sobre os principais temas referentes � pr�tica do Jornalismo no Brasil, al�m de ter a rela��o completa de todos os sindicatos de jornalistas do Pa�s e a �ntegra do anteprojeto de lei pela cria��o do Conselho Federal de Jornalismo.

Na edi��o que est� no ar, destaque para a entrevista com Ant�nio Carlos Fon, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S�o Paulo e um dos mais premiados rep�rteres brasileiros. As ilustra��es animadas de Carvall s�o outro destaque do site brasileiro.

As bases est�o lan�adas. Aguarda-se a participa��o de todos.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Estigmas...

Estigmas...


Por Gustavo Barreto, editor da revista Consci�ncia.Net

1. O jornalista � superficial. Sabe muito pouco sobre tudo. Sua fun��o � transformar um argumento, seja ele qual for, em algo comunic�vel. N�o precisa entender sobre o tema, apenas convencer.

2. O jornalista � um pol�tico fracassado. Da� vem a necessidade de estar pr�ximo do poder, sem question�-lo, com a condi��o de ali permanecer.

3. O jornalista quer apenas aparecer. Faz qualquer coisa para ter um 'exclusivo', mesmo que aquela not�cia seja apenas uma curiosidade, e n�o de interesse p�blico.

4. O jornalista manipula as not�cias. Ele brinca com as palavras e constr�i uma realidade deturpada a seu bel-prazer, sem escr�pulos.

5. O jornalista constr�i a sua reputa��o, destruindo a dos outros. De nada faz para a constru��o da Na��o, e sim do seu pr�prio nome e patrim�nio.

6. Fofoqueiro. Na verdade, o jornalista � um grande fofoqueiro. Ganha (pouco) dinheiro para ouvir as coisas e contar para todo o mundo.


N�o ser� a primeira nem a �ltima vez que voc�, produtor de informa��o, ouvir� estas afirma��es. Mas porqu� colocar aqui frases t�o preconceituosas acerca da profiss�o de jornalista. Porque elas n�o surgiram do nada.

Aceita-se a argumenta��o de que nenhuma delas � verdadeira. Mas � igualmente irrefut�vel: todas t�m alguma realidade impl�cita. Quem, jornalista, nunca experimentou uma dessas sensa��es? Quem nunca se viu fazendo esses papeis? O que podemos fazer, afinal, para super�-los?

Aceitam-se ideias.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

O fim da Imprensa?

O fim da Imprensa?


Por Alessandro Barbosa Lima, consultor de marketing em meios electr�nicos e autor do livro E-Life - Ideias vencedoras para marketing e promo��o na Web

A Internet tem provocado mudan�as de poder nunca antes imaginadas. Primeiro decretou-se o fim do atravessador. De facto, empresas como a Sony e a Dell vendem directamente ao consumidor, mas os varejistas continuam a�, na Internet e fora dela. Os dois modelos convivem - at� ao momento - sem conflitos.
A Dell � um exemplo de que o consumidor agora � quem tem o poder. O poder para decidir na fabrica��o do produto antes mesmo dele sair da linha de montagem. Hoje s�o computadores, amanh� autom�veis, casas, enfim, todas as mercadorias.

Mas isso � apenas a ponta do iceberg. A facilidade de publica��o de conte�do na Internet poderia acabar com um dos mais antigos atravessadores do mundo, o atravessador de informa��es, a Imprensa?

A pergunta n�o � f�cil de ser respondida, mas alguns factos fazem-nos acreditar que em breve n�o precisaremos mais da Imprensa como a conhecemos hoje, ou do quarto poder, como ela tamb�m � chamada, devido ao seu poder fiscalizador.

Como fiscalizador da sociedade, a Imprensa representa-nos, � a atravessadora da opini�o p�blica para a pr�pria opin�o p�blica, num ciclo que se re-alimenta. Amplifica opini�es e, pelo menos na teoria, divulga informa��es verdadeiras que garantem uma sociedade mais justa e democr�tica.

Mas se pensarmos um pouco no papel da Imprensa dentro da sociedade da informa��o que est� sendo constru�da, podemos observar que h� algumas mudan�as, que silenciosa e lentamente poder�o enfraquecer o papel desta institui��o das sociedades democr�ticas.

A facilidade de propagar conte�dos atrav�s da Internet, em sites pessoais, blogs, correntes por e-mail comunidades virtuais e sites de not�cias enviadas pelos usu�rios, como o Slashdot, est�o mudando a face da informa��o e possivelmente mudar�o o que conhecemos por Imprensa no futuro.

Em 1995, criei a primeira revista da Internet brasileira, a Revista Mundi. Na �poca, da produ��o da p�gina � cria��o de imagens, era tudo muito lento e trabalhoso. Hoje, qualquer pessoa que conhe�a tecnologia e que saiba escrever pode-se tornar um pretenso jornalista, divulgando informa��es sobre o seu bairro, a sua cidade, ou o seu pa�s. Muitos usam este canal para falar de produtos. Se no passado revistas especializadas avaliavam ve�culos, e outros bens de consumo, hoje, estas avalia��es s�o realizadas em comunidades online ou em blogs e sites pessoais. N�o precisamos mais de atravessadores de informa��es.

Para um consumidor prestes a comprar um produto, a experi�ncia colectiva de milhares de consumidores ser� mais valiosa do que a experi�ncia de um �nico jornalista. As empresas "ponto com" n�o exageraram quando supervalorizaram o papel da Internet. Na Amazon ou no Submarino, por exemplo, posso ao mesmo tempo ler resenhas dos visitantes e comprar o livro. N�o precisamos mais da revista especializada em literatura.

Ser� que os nossos filhos preferir�o uma opini�o profissional, muitas vezes n�o t�o imparcial quanto deveria a v�rias opini�es de consumidores que efectivamente compraram o produto?

Muito j� se pregou sobre o fim de tudo, do livro ao pr�prio planeta. Concordo com Umberto Eco que diz que o livro n�o vai acabar, mas talvez acabe o formato actual. A Imprensa n�o vai acabar, com certeza. Mas a Imprensa n�o ser� mais algu�m com um diploma de jornalista na parede. N�o se trata de discutir o fim do diploma ou n�o. A discuss�o � mais nobre. Acredito que Imprensa seremos todos n�s, com disposi��o para disponibilizar conte�do na Internet e com credibilidade para ser lido e referenciado por outros.

A maior revista, o maior jornal, toda a informa��o sobre qualquer assunto est� hoje dispon�vel na Internet. N�o em sites, em locais espec�ficos, mas espalhado como uma erva daninha, como um rizoma. Hoje para achar conte�dos espec�ficos ou saber a cota��o da bolsa de valores � mais f�cil se apontarmos os nossos navegadores para um ve�culo de Comunica��o qualquer. S� a pr�xima gera��o de mecanismos de busca e agentes inteligentes poder�o reunir estas informa��es de forma organizada e criar uma revista ou jornal personalizados, impresso em papel especial, toda a manh�, como os computadores da Dell, sob demanda.

Por enquanto temos jornalistas escrevendo em meios de comunica��o respeit�veis. Assessores de imprensa tentando divulgar informa��es nestes meios e depois monitor�-las. E leitores.

No futuro, teremos leitores que tamb�m escrever�o. E especialistas em Informa��o e Comunica��o que ao inv�s de enviar realises mec�nicos para meios de comunica��o divulgando as empresas que representam, ir�o aprender a gerar boca-a-boca sobre produtos e servi�os para todos n�s, leitores-jornalistas da Internet. N�o haver� poucos alvos, todos seremos alvos. Todos que escrevem no seu blog, site pessoal ou numa comunidade on-line contribuir�o para a intelig�ncia colectiva ou opini�o colectiva sobre qualquer assunto. Os formadores de opini�o ser�o a chave para a Imprensa e para as Rela��es P�blicas do futuro.

Dica de Sueli dos Santos, em e-mail enviado para o grupo Jornalistas da Web.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Ser Rep�rter �...

Para Boanerges Lopes, jornalista, Doutor em Comunica��o pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor na Universidade Federal de Alagoas...


Ser rep�rter �...


1. Saber que a reportagem como actividade n�o existiu ou foi irrelevante em 200 dos 400 anos da hist�ria da Imprensa;

2. Entender que a reportagem � um g�nero jornal�stico privilegiado e que se afirma na actualidade como o lugar por excel�ncia da narra��o jornal�stica;

3. Como diz o Zuenir: �Que os outros n�o me queiram mal, ou n�o me atirem pedras, mas se todos desaparecessem e s� ficasse o rep�rter, o jornalismo continuaria vivo�;

4. Desculpar-se ao Vin�cius, aos editores e redactores, juntamente com o Cl�vis Rossi, mas n�o deixar de dizer que rep�rter � fundamental: Certamente a �nica fun��o pela qual vale a pena ser jornalista;

5. Lembrar que antigamente o bom profissional era aquele que sa�a para a rua com a caneta e um peda�o de papel e voltava com uma not�cia, uma hist�ria alegre ou triste que estivesse a acontece naquele momento;

6. Poder testemunhar a hist�ria de todos os tempos e de cada tempo em si;

7. Algo paradoxal, pois � ao mesmo tempo a mais f�cil e a mais dif�cil maneira de viver a vida;

8. Muito mais transpira��o do que inspira��o;

9. Gastar a vista lendo, lendo, lendo, de bulas de rem�dios aos cl�ssicos, no intuito de descobrir tantos quantos forem os factos relevantes, necess�rios a gerar boas pautas, ou informa��es m�nimas que sirvam como ponto de partida para se buscar boas reportagens, geralmente calcadas em longas jornadas;

10. Ter como refer�ncia na forma��o, os textos de bons rep�rteres: Capote, Talese, Mailer, Reed, Walsh, Defoe, Hemingway, Abramo, Biondi, Kotscho, Braga, Silveira, Euclides da Cunha, e n�o tantos outros;

11. Entender que as suas fun��es variam diante das situa��es hist�ricas, econ�micas, sociais e pol�ticas;

12. Segundo Nilson Laje: �Processar dados com autonomia, habilidade e reactividade, uma compet�ncia humana que pode ser aprimorada pela educa��o e pelo exerc�cio�;

13. Compreender que a reportagem � sempre uma ac��o transitiva e que, como sujeito, � preciso ao profissional manter contacto imediato com todos os sentidos: o olhar, paladar, olfacto, tacto e a audi��o de quem n�o pode ver, gostar, cheirar, tocar e ouvir o acontecimento;

14. N�o ser �rec�rter�, que segundo Lic�nio Neto � aquele sujeito pouco criativo que imita estilos de outros;

15. Ter persist�ncia, curiosidade, tenacidade e interesse pelo que faz � e uma grande aptid�o para se envolver com pessoas de todos os n�veis e feito os mais diversos poss�veis � de crimes hediondos aos buracos de ruas;

16. Segundo Ac�cio Ramos: �aquele que pergunta�;

17. Saber que perguntar n�o � uma tarefa f�cil. E que se a pergunta n�o for bem formulada pode ofender;

18. Fugir de perguntas cretinas como lembra Nello Marques: �Voc� est� optimista?� (diante de qualquer disputa); �Qual a sua maior esperan�a?� (para a m�o que procura um filho desaparecido); �O que mudou na sua vida?� (depois de ganhar algum pr�mio ou depois de um grave acidente);

19. Lidar com os mais variados tipos de entrevistados;

20. Perceber que existem alguns tipos que precisam ser evitados: o �crica�, o distra�do, o empolado, o partid�rio, o sabe nada, o sabe tudo e por a� vai;

21. Ser capaz de organizar dados num tempo reduzido e apresent�-los para que o maior n�mero de pessoas possa entend�-los;

22. Segundo Marcos Faerman: �Ter alma de rep�rter, alimentando-se do esp�rito de aventura, fasc�nio pela descoberta e pela hist�ria ainda n�o contada�;

23. Posicionar-se contrariamente aos macaquinhos chineses: ver, ouvir e contar � com enorme compet�ncia;

24. Segundo Aud�lio Dantas: �Ter uma certa dose de megalomania, na medida suficiente para acreditar na sua capacidade de mudar o mundo�;

25. Assumir-se como a figura humana mais caracter�stica do Jornalismo;

26. Segundo Cl�vis Rossi: �Batalhar pela conquista das mentes e cora��es dos seus alvos, leitores, telespectadores ou ouvintes para a causa da justi�a social, ingrediente que jamais pode ser dissociado da democracia�;

27. Deslocar-se de um universo testemunhal � denota��o contemplativa � para um universo instrumental � denota��o operacional, com intensa desenvoltura;

28. Seguir os ensinamentos de Juarez Bahia: apurar e redigir com correc��o, veracidade, exactid�o e credibilidade;

29. Entender que uma boa reportagem � fruto de uma observa��o cuidadosa, como orienta Cl�udio Abramo;

30. Ter clareza de que o mais importante � a not�cia, n�o o jornalista;

31. Assumir que o rigor no apuramento dos factos � determinante para a qualidade de qualquer trabalho jornal�stico;

32. Trabalhar em equipa;

33. Observar o conselho de Her�doto Barbeiro: �Ser criterioso com as mat�rias t�cnicas, pois o excesso de dados pode confundir o ouvinte ou telespectador que n�o vai ter a oportunidade de ouvir a reportagem novamente�;

34. N�o tratar com humor e humilha��o o sofrimento das pessoas;

35. N�o julgar os entrevistados nem querer mudar comportamentos;

36. Compreender que a fonte � imprescind�vel, mas a pr�tica do �fontismo� deve ser descartada;

37. Procurar a forma mais simples, mas n�o simpl�ria, de levar a informa��o ao p�blico;

38. Batalhar sempre pela verdade, embora muitas vezes n�o se saiba o que ela �, nem onde est�;

39. Balizar seus procedimentos di�rios pelo C�digo de �tica vigente;

40. Participar, organizar, reivindicar. Bradar sempre: Rep�rteres, Uni-vos!;

41. N�o deixar de ler as experi�ncias contidas no livro �Rep�rteres�, organizado por Aud�lio Dantas e publicado pela editora Senac;

42. N�o esquecer de comemorar o dia 16 de Fevereiro, apesar de todos os pesares. De prefer�ncia, �beber uns copos� no tasco mais pr�ximo;

43. Concordar com o Rossi em g�nero, n�mero e grau, diante da resposta para a seguinte indaga��o: Rep�rteres s�o ou n�o seres idiotas? S�o, mas �s vezes conseguem at� ser felizes na sua estranha maneira de viver a vida�.

Dica de Eduardo Henrique Furlan, enviada para o grupo Defesa do Jornalismo.
Algu�m acrescenta mais alguma defini��o?

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

O que � o jornalismo?

O que � o jornalismo? Quem � o jornalista?


O que � a objectividade, em que medida existe? At� onde um jornalista deve ir? O que � o interesse p�blico?

A ideia est� a ser lan�ada pelo Jo�o Sim�o.

H� muitas quest�es sobre jornalismo e jornalistas que ainda n�o encontraram resposta. S�o quest�es como estas que muita gente gostava de ver respondidas. Da� este desafio, e para participar nele, basta enviar um texto com respostas e/ou mais perguntas dentro desta tem�tica.

A ideia � criar uma webrevista com textos que respondam a estas quest�es podendo, a partir deles, criar um espa�o de reflex�o e debate.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Metade dos cibernautas "troca" Jornais pelas not�cias na Internet

Metade dos cibernautas "troca" Jornais pelas not�cias na Internet


Os cibernautas portugueses est�o a recorrer mais aos �sites� e portais de informa��o na Internet para se manterem a par das not�cias di�rias, em detrimento da consulta dos jornais. Mas a esmagadora maioria (71 por cento) declara que n�o est� disposta a pagar pelos conte�dos actualmente oferecidos.

Um estudo da Netsonda indica que quase metade (49 por cento) dos utilizadores de Internet que �navegam� nos �sites� noticiosos �l� imprensa em papel com menos frequ�ncia do que lia anteriormente�. Desses, 31 por cento do total fazem-no com �menos frequ�ncia� do que antes e 18 por cento com �muito menos frequ�ncia�.

Para ler o texto na �ntegra, clicar aqui


Querer� isto dizer alguma coisa? Estar� o jornalismo amea�ado? Aceitam-se coment�rios.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Gravar conversas telefónicas no PC


Sabia que já é possível usar o computador para gravar conversas telefónicas? Para os jornalistas, é muito mais prático e barato do que usar um gravador convencional, além de ter uma capacidade de gravação de centenas de horas, visto que o áudio é gravado num arquivo no disco rígido. Além disso, podem-se ainda converter os arquivos de áudio para .mp3, para ocuparem menos espaço no disco rígido, ou até mesmo gravar os arquivos como um CD de áudio para que as conversas telefónicas gravadas possam ser ouvidas em qualquer CD player.

Dica de Clube do Hardware


É a tecnologia ao serviço do jornalismo. Ou será que é o jornalismo ao serviço da tecnologia? Aceitam-se comentários.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Debate no SJ aponta necessidade de reflexão e de firmeza de princípios


O debate realizado na noite de 20 de Janeiro, na sede Sindicato dos Jornalistas (SJ), foi mais um passo para definir uma posição da classe sobre as condições actuais do exercício da profissão e da problemática do segredo de justiça e da protecção das fontes
A abrir a sessão, o presidente da Direcção do SJ, Alfredo Maia, sublinhou a gravidade e complexidade dos problemas com que os jornalistas hoje estão confrontados, enfatizando a necessidade de uma análise serena acerca da "responsabilidade ética, civil e criminal dos jornalistas".

Frisando que os jornalistas não estão acima da lei, apelou à reflexão de toda a classe sobre o assunto, para que em breve seja possível chegar a conclusões e encontrar soluções para os problemas do jornalismo actual e do seu relacionamento com a justiça.

Colisão entre segredo de justiça e sigilo profissional

Abordando os aspectos legais da questão, o advogado Horácio Serra Pereira salientou a clivagem que existe entre a doutrina jurídica e a jurisprudência quanto ao entendimento de quem está sujeito ao segredo de justiça, comentando que a tendência actual favorece a primeira.

De acordo com a linha de pensamento de alguma doutrina jurídica, qualquer pessoa que tenha contacto com um processo e divulgue informações nele contidas, mesmo não sendo entidade judiciária, é passível de incorrer no crime de violação do segredo de justiça. Na prática, esta leitura leva a que o jornalista possa ser sempre intimado a revelar as suas fontes, o que reduz a protecção do sigilo profissional do jornalista.

Ainda segundo o advogado do SJ, esta tendência doutrinária contraria as recomendações do Conselho da Europa para uma maior protecção ao sigilo profissional dos jornalistas.

Não existem “segredos sagrados”

Na sua intervenção, o presidente do Conselho Deontológico, Oscar Mascarenhas, alertou para o facto de as leis não terem sido feitas para proteger o jornalista, mas para permitir a liberdade de informação.

Por esse motivo, o jornalista tem de ponderar bem se a informação que lhe foi dada por uma fonte confidencial vale a pena o risco de ir preso, ou seja, se o interesse público de determinada informação justifica que o jornalista “dê o peito às balas” pela sua fonte.

“O sigilo profissional não é uma parede para proteger os jornalistas, mas para proteger as fontes”, sublinhou Oscar Mascarenhas, acrescentando que no exercício da profissão o jornalista tem de cumprir regras, como o uso do contraditório, e recusar-se a ser um mero prolongamento de uma das partes envolvidas, “um pé-de-microfone”.

Para o presidente do Conselho Deontológico não deve haver “segredos sagrados” para um jornalista, e este pode, em casos excepcionais, divulgar elementos de processos em segredo de justiça, designadamente para denunciar ilegalidades processuais.

Uma questão com muitos problemas

Aberto o debate, as intervenções traduziram a complexidade da temática em discussão.

Se, por um lado, parece consensual que o tratamento dado ao processo Casa Pia tem estado por vezes “muito próximo do jornalismo de sarjeta”, o que “não tem a ver com jornalismo” mas tem certamente a ver “com audiências e tiragens”, por outro lado, não se pode ignorar as condições concretas em que hoje se produz a informação, nomeadamente a precariedade de emprego.

No debate reconheceu-se que as ameaças à liberdade de imprensa não advêm apenas, nem sobretudo, da veiculação dos jornalistas ao segredo de justiça, mas também das condições de trabalho em que os jornalistas são forçados a desenvolver a sua actividade.

Os jornalistas são compelidos a acelerar os tempos de produção, ficando sem possibilidade de levar a cabo uma verdadeira investigação autónoma e para a necessária distanciação e reflexão sobre os dados em que assenta a informação que vão divulgar. Esta realidade tem-se agravado com a crescente concentração dos meios de informação nas mãos de um pequeno número de grupos económicos.

Trabalhar sem rede

Na reflexão promovida pelo SJ reconheceu-se igualmente que, em certos casos, tem faltado aos jornalistas a capacidade de autocrítica e que se têm cometido erros e imprudências que poderão vir a pagar-se caro, nomeadamente com alterações legislativas que restrinjam a liberdade de imprensa. Mas não deixou de se chamar a atenção para outro aspecto, também preocupante, que tem a ver com a interiorização de critérios comerciais por parte de jornalistas, o que resulta na convicção de que “o que vende bem é bom para noticiar”.

Como se afirmou durante o debate, “hoje em dia trabalha-se sem rede” e não se dá o devido acompanhamento aos jornalistas, em particular aos mais jovens, no seio das redacções. Por isso, considerou-se importante promover novos debates com a participação de professores de comunicação social e reflectir sobre a formação dos profissionais e candidatos a profissionais.

Nesse sentido, Alfredo Maia revelou que, no final de Fevereiro, irá ter lugar a I Conferência Nacional sobre Condições de Produção nos Média, na qual o Sindicato espera “reunir jornalistas, patrões e universidades, para discutir, entre outros assuntos, as concentrações empresariais e os direitos dos jornalistas”, num tempo em que “o tempo comercial está a cilindrar o tempo jornalístico”.

No final do debate, Oscar Mascarenhas lançou o repto a conselhos de redacção, jornalistas e professores de jornalismo para que discutam em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas a questão das fontes confidenciais.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas

Alguém comenta???

quarta-feira, janeiro 21, 2004

SJ e Ordem dos Advogados debatem relações entre os média e a justiça


O Sindicato dos Jornalistas e a Ordem dos Advogados, em reunião realizada hoje, manifestaram a sua determinação comum “de não enveredarem pela defesa corporativa dos direitos e garantias dos respectivos representados com prejuízo do conjunto de obrigações deontológicas das suas profissões”.

Pergunto: Se não vai o Sindicato dos Jornalistas zelar pela nossa defesa, quem vai???