quarta-feira, março 03, 2004

Lugar de foca n�o � mais na Pol�cia, mas na Internet

Lugar de foca n�o � mais na Pol�cia, mas na Internet


Por Jo�o Carlos Firpe Penna, Jornalista e professor de Jornalismo

1985: Aprendi a ser jornalista ouvindo frases do tipo: "Lugar de foca � na (editoria de) Pol�cia"; "rep�rter que n�o passa por redac��o (da grande imprensa) n�o ser� nunca um jornalista completo"; "o bom rep�rter tem que ir para a rua cavar mat�ria".
1990: alguns anos depois de formado (e de ter ido trabalhar num jornal di�rio) eu fui professor de jornalismo recitando essa cartilha. Cheguei a dizer na sala, lembro-me, que todo jornalista precisava 'ter tinta na veia'.

1995: o Brasil come�a a entrar de vez para o maravilhoso mundo da Tecnologia da Informa��o, e o jornalismo vive, mesmo que involuntariamente, um processo r�pido - ainda que nebuloso - de busca de novas formas de express�o.

2000: a Internet torna-se uma realidade irrevers�vel na sociedade, assim como a TV por cabo, telem�veis, a informa��o em tempo real e os ambientes virtuais de comunica��o.

Hoje: o jornalismo vive uma fant�stica mudan�a de paradigmas, envolvendo todas essas fases descritas. Falta aos jornalistas, contudo, uma percep��o mais cristalina dessa transforma��o.

Ou seja, lugar de rep�rter n�o � mais necessariamente na pol�cia, nem mesmo necessariamente nas reda��es insalubres e muito menos necessariamente nos botequins da madrugada ap�s uma exaustiva jornada de trabalho.

Evidentemente que n�o se trata de desmerecer o trabalho dos profissionais que continuam a carregar a m�dia di�ria nas costas. Mas j� � poss�vel ser feliz sem passar necessariamente por tudo isso. N�o � preciso mais (se � que um dia foi) acompanhar a ronda da PM na noite para aprender a ser jornalista de verdade.

O jornalismo entra no S�culo XXI de peito aberto para um mundo muito mais ecl�tico e diversificado, menos preconceituoso, repleto de oportunidades, aberto para o desconhecido e para novas possibilidades. Enfim, um mundo onde � poss�vel ser mais alegre com a cria��o jornal�stica, em ambientes menos "emburrecedores" e mais produtivos.

S� para registar o �bvio, hoje o mercado j� pede rep�rter para trabalhar em revistas virtuais e para fazer coberturas online. E essas demandas j� corriqueiras s�o apenas a ponta do iceberg da montanha de possibilidades que est�o por vir.

Cabe a n�s, jornalistas (velhos, maduros, experientes, desiludidos, novos, estagi�rios, estudantes de in�cio de curso) partirmos em busca do novo e do desconhecido.

Para captar de verdade a for�a da express�o "mudan�a de paradigma'" � preciso, sem d�vida, um pouco de ousadia. Uma ousadia que deve vir atrelada � compet�ncia e ao profissionalismo.

Dica de Jornalistas da Web

Dom�nio de grupos econ�micos

Jornalista da RTP critica dom�nio de grupos econ�micos


A jornalista da RTP F�tima Campos Ferreira criticou ontem em Macau o dom�nio da comunica��o social pelos grandes grupos econ�micos. Os jornalistas s�o hoje uma �esp�cie de assalariados� dos grandes grupos econ�micos que dominam a comunica��o social, afirmou a tamb�m professora de jornalismo televisivo, ao intervir no semin�rio �Os media Portugueses e Macau�.

�� um equivoco dizer-se que os jornalistas s�o o quarto poder, eles t�m mesmo muito pouco poder�, sublinhou. Para F�tima Campos Ferreira, os jornalistas �est�o sujeitos a condi��es de trabalho nem sempre ideais e sobretudo existem muitos 'lobbies' de interesses de v�rios sectores - n�o s� econ�micos mas de outros como a justi�a - que hoje pressionam os meios de comunica��o atrav�s desses grupos econ�micos�.

O jornalista de hoje, disse, tem as suas condi��es de trabalho �muito fragilizadas� por via da grande concentra��o econ�mica dos �media� e de uma grande oferta de trabalho. �O jornalista luta contra todas estas quest�es mas � dif�cil fazer um jornalismo profissional, isento e objectivo sobretudo numa altura em que os pr�prios Conselhos de Redac��o tamb�m perdem terreno�.

Para F�tima Campos Ferreira tudo isto acontece numa �poca de �globaliza��o que � partida facilitaria mais a liberdade de express�o e a transmiss�o de ideias� mas �est� a ter um efeito contr�rio, ou seja, que a liberdade de express�o est� a ser coarctada por uma s�rie de fen�menos curiosos� como a concentra��o dos media.

Instada a comentar a corrida �s not�cias e o espect�culo medi�tico do processo Casa Pia, F�tima Campos Ferreira diz que o momento da divulga��o da not�cia pelo �Expresso� e pela SIC tem de ser elogiado mas depois a �voracidade de chegar � antena primeiro [com] a not�cia tem sido prejudicial para um jornalismo rigoroso�.

Na mesma sess�o falou tamb�m o director da revista �Vis�o�, Carlos C�ceres Monteiro, que abordou a tem�tica �A Europa e a �sia face ao novo papel dos Estados Unidos como pot�ncia imperial�.
Hoje os dois oradores de ontem juntam-se a M�rio Bettencourt Resendes, do grupo Lusomundo, para falarem sobre a imprensa portuguesa e Macau num debate moderado pelo director do jornal "Tribuna de Macau", Jos� Rocha Dinis.

Dica de P�blico

Que engra�ado� Lendo este texto d� a sensa��o que a F�tima Campos Ferreira j� trabalhou no jornal onde eu trabalho, tal a exactid�o das suas afirma��es.
E mais n�o digo. Quem quiser que diga o resto�

terça-feira, março 02, 2004

Os piores lugares do mundo

Os piores lugares do mundo


O Comit� para a Protec��o dos Jornalistas (CPJ, sigla em ingl�s) comemora o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, no dia 3 de Maio. Para esse efeito, nomeou os piores lugares do mundo para exercer o jornalismo. A lista de 10 lugares representa toda uma gama de amea�as actuais � liberdade de imprensa.

A encabe�ar a lista, aparece o Iraque. A brutal ofensiva lan�ada no ano passado, em Cuba, pelo governo de Fidel Castro levou 28 jornalistas ao c�rcere, onde cumprem longas penas de pris�o de at� 27 anos. Por esse motivo, Cuba aparece em segundo lugar. Ainda durante o ano passado, os jornalistas independentes do Vietname que se atreveram a criticar o governo do Partido Comunista na imprensa escrita ou na Internet, foram perseguidos, postos sob vigil�ncia ou enviados � pris�o. Tal atitude valeu-lhe um "honroso" terceiro lugar. O CPJ tamb�m colocou o Afeganist�o, Tchech�nia, Faixa de Gaza e Cisjord�nia, Eritreia, Togo, Col�mbia e Belarus na lista dos piores lugares para se ser jornalista.

De referir que muitos jornalistas que d�o a conhecer as not�cias destes lugares, realizaram o �ltimo sacrif�cio; outros est�o na pris�o cumprindo longas condena��es, assinalou Joel Simon, director em exerc�cio do CPJ.

Mas o que interessa � que os seus colegas continuam a enfrentar ofensivas dos governos, viol�ncia f�sica, duras leis de imprensa e o fogo indiscriminado; tudo, para continuarem a oferecer as not�cias aos seus leitores.

Pergunto eu: Para quando um jornalismo livre?

domingo, fevereiro 29, 2004

Adopte um Jornalista

Adopte um Jornalista


O CampaignDesk.org n�o � a �nica institui��o nos EUA dedicada a um acompanhamento cr�tico dos "media". Outros exemplos: a Accuracy in Media, o Media Research Center, a FAIR, o Center for Media & Democracy. Na Internet ainda h� muitos outros "observat�rios" individuais.

Este ano surgiu um fen�meno curioso: o "Adopt-a-journalist". Uma s�rie de invid�duos iniciaram "blogs" na Internet com o objectivo de escrutinar exaustivamente cada um dos artigos de um jornalista em particular.

O mais famoso destes "blogs" era o Wilgoren Watch, que se dedicava a criticar cada palavra escrita pela jornalista Jodi Wilgoren - a rep�rter do "New York Times" que cobria a campanha de Howard Dean. Mas havia mais, direccionados a rep�rteres como Nedra Pickler (da Associated Press) e mesmo a colunistas como Mona Charen (cujos artigos de opini�o s�o publicados em v�rios jornais).

Desde o final de Janeiro (quando Howard Dean come�ou a ficar fora da corrida) que a maior parte destes "blogs" n�o � actualizada. Mas o conceito de "adoptar um jornalista" ficou. O tipo de an�lise nos "blogs" de "Adopt-a-Journalist" � muito diferente do feito pelo CampaignDesk.org, mas Steve Lovelady reconhece-lhes virtudes.

Lovelady admite que estes "blogs" podem tornar-se numa "persegui��o" a um jornalista, mas tamb�m acha que n�o � mau que "os jornalistas tenham de prestar mais aten��o" ao que escrevem ou dizem: "No fundo, � uma forma de os jornalistas provarem o mesmo rem�dio que d�o aos pol�ticos".

Dica de P�blico

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Parceria

Parceria entre jornalistas do Brasil e de Portugal


O site brasileiro "O Jornalista" e este blog portugu�s firmaram uma parceria que ir� propiciar, entre outras coisas, o interc�mbio entre os jornalistas dos dois pa�ses de l�ngua portuguesa.

Para al�m disso, foi oficialmente lan�ado o grupo de discuss�o virtual Jornalistas Brasil�Portugal que pretende aproximar os jornalistas dos dois pa�ses, para um interc�mbio sobre as quest�es que envolvem a nossa profiss�o e o seu exerc�cio. Outras novidades se seguir�o a curto prazo.

Para fazer parte deste grupo, basta enviar uma mensagem em branco para o seguinte e-mail: jornalistasBrasil-Portugal-subscribe@yahoogrupos.com.br

De referir que o site "O Jornalista", voltado para os jornalistas, professores e estudantes de jornalismo, foi criado pelo jornalista brasileiro Vitor Ribeiro, com o objetivo de defender o ponto de vista dos que trabalham e lutam pela profiss�o de jornalista. O projeto contempla mat�rias, entrevistas, ilustra��es animadas, links, not�cias, espa�o de fotojornalismo, legisla��o referente � profiss�o e pesquisas sobre os principais temas referentes � pr�tica do Jornalismo no Brasil, al�m de ter a rela��o completa de todos os sindicatos de jornalistas do Pa�s e a �ntegra do anteprojeto de lei pela cria��o do Conselho Federal de Jornalismo.

Na edi��o que est� no ar, destaque para a entrevista com Ant�nio Carlos Fon, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S�o Paulo e um dos mais premiados rep�rteres brasileiros. As ilustra��es animadas de Carvall s�o outro destaque do site brasileiro.

As bases est�o lan�adas. Aguarda-se a participa��o de todos.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Estigmas...

Estigmas...


Por Gustavo Barreto, editor da revista Consci�ncia.Net

1. O jornalista � superficial. Sabe muito pouco sobre tudo. Sua fun��o � transformar um argumento, seja ele qual for, em algo comunic�vel. N�o precisa entender sobre o tema, apenas convencer.

2. O jornalista � um pol�tico fracassado. Da� vem a necessidade de estar pr�ximo do poder, sem question�-lo, com a condi��o de ali permanecer.

3. O jornalista quer apenas aparecer. Faz qualquer coisa para ter um 'exclusivo', mesmo que aquela not�cia seja apenas uma curiosidade, e n�o de interesse p�blico.

4. O jornalista manipula as not�cias. Ele brinca com as palavras e constr�i uma realidade deturpada a seu bel-prazer, sem escr�pulos.

5. O jornalista constr�i a sua reputa��o, destruindo a dos outros. De nada faz para a constru��o da Na��o, e sim do seu pr�prio nome e patrim�nio.

6. Fofoqueiro. Na verdade, o jornalista � um grande fofoqueiro. Ganha (pouco) dinheiro para ouvir as coisas e contar para todo o mundo.


N�o ser� a primeira nem a �ltima vez que voc�, produtor de informa��o, ouvir� estas afirma��es. Mas porqu� colocar aqui frases t�o preconceituosas acerca da profiss�o de jornalista. Porque elas n�o surgiram do nada.

Aceita-se a argumenta��o de que nenhuma delas � verdadeira. Mas � igualmente irrefut�vel: todas t�m alguma realidade impl�cita. Quem, jornalista, nunca experimentou uma dessas sensa��es? Quem nunca se viu fazendo esses papeis? O que podemos fazer, afinal, para super�-los?

Aceitam-se ideias.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

O fim da Imprensa?

O fim da Imprensa?


Por Alessandro Barbosa Lima, consultor de marketing em meios electr�nicos e autor do livro E-Life - Ideias vencedoras para marketing e promo��o na Web

A Internet tem provocado mudan�as de poder nunca antes imaginadas. Primeiro decretou-se o fim do atravessador. De facto, empresas como a Sony e a Dell vendem directamente ao consumidor, mas os varejistas continuam a�, na Internet e fora dela. Os dois modelos convivem - at� ao momento - sem conflitos.
A Dell � um exemplo de que o consumidor agora � quem tem o poder. O poder para decidir na fabrica��o do produto antes mesmo dele sair da linha de montagem. Hoje s�o computadores, amanh� autom�veis, casas, enfim, todas as mercadorias.

Mas isso � apenas a ponta do iceberg. A facilidade de publica��o de conte�do na Internet poderia acabar com um dos mais antigos atravessadores do mundo, o atravessador de informa��es, a Imprensa?

A pergunta n�o � f�cil de ser respondida, mas alguns factos fazem-nos acreditar que em breve n�o precisaremos mais da Imprensa como a conhecemos hoje, ou do quarto poder, como ela tamb�m � chamada, devido ao seu poder fiscalizador.

Como fiscalizador da sociedade, a Imprensa representa-nos, � a atravessadora da opini�o p�blica para a pr�pria opin�o p�blica, num ciclo que se re-alimenta. Amplifica opini�es e, pelo menos na teoria, divulga informa��es verdadeiras que garantem uma sociedade mais justa e democr�tica.

Mas se pensarmos um pouco no papel da Imprensa dentro da sociedade da informa��o que est� sendo constru�da, podemos observar que h� algumas mudan�as, que silenciosa e lentamente poder�o enfraquecer o papel desta institui��o das sociedades democr�ticas.

A facilidade de propagar conte�dos atrav�s da Internet, em sites pessoais, blogs, correntes por e-mail comunidades virtuais e sites de not�cias enviadas pelos usu�rios, como o Slashdot, est�o mudando a face da informa��o e possivelmente mudar�o o que conhecemos por Imprensa no futuro.

Em 1995, criei a primeira revista da Internet brasileira, a Revista Mundi. Na �poca, da produ��o da p�gina � cria��o de imagens, era tudo muito lento e trabalhoso. Hoje, qualquer pessoa que conhe�a tecnologia e que saiba escrever pode-se tornar um pretenso jornalista, divulgando informa��es sobre o seu bairro, a sua cidade, ou o seu pa�s. Muitos usam este canal para falar de produtos. Se no passado revistas especializadas avaliavam ve�culos, e outros bens de consumo, hoje, estas avalia��es s�o realizadas em comunidades online ou em blogs e sites pessoais. N�o precisamos mais de atravessadores de informa��es.

Para um consumidor prestes a comprar um produto, a experi�ncia colectiva de milhares de consumidores ser� mais valiosa do que a experi�ncia de um �nico jornalista. As empresas "ponto com" n�o exageraram quando supervalorizaram o papel da Internet. Na Amazon ou no Submarino, por exemplo, posso ao mesmo tempo ler resenhas dos visitantes e comprar o livro. N�o precisamos mais da revista especializada em literatura.

Ser� que os nossos filhos preferir�o uma opini�o profissional, muitas vezes n�o t�o imparcial quanto deveria a v�rias opini�es de consumidores que efectivamente compraram o produto?

Muito j� se pregou sobre o fim de tudo, do livro ao pr�prio planeta. Concordo com Umberto Eco que diz que o livro n�o vai acabar, mas talvez acabe o formato actual. A Imprensa n�o vai acabar, com certeza. Mas a Imprensa n�o ser� mais algu�m com um diploma de jornalista na parede. N�o se trata de discutir o fim do diploma ou n�o. A discuss�o � mais nobre. Acredito que Imprensa seremos todos n�s, com disposi��o para disponibilizar conte�do na Internet e com credibilidade para ser lido e referenciado por outros.

A maior revista, o maior jornal, toda a informa��o sobre qualquer assunto est� hoje dispon�vel na Internet. N�o em sites, em locais espec�ficos, mas espalhado como uma erva daninha, como um rizoma. Hoje para achar conte�dos espec�ficos ou saber a cota��o da bolsa de valores � mais f�cil se apontarmos os nossos navegadores para um ve�culo de Comunica��o qualquer. S� a pr�xima gera��o de mecanismos de busca e agentes inteligentes poder�o reunir estas informa��es de forma organizada e criar uma revista ou jornal personalizados, impresso em papel especial, toda a manh�, como os computadores da Dell, sob demanda.

Por enquanto temos jornalistas escrevendo em meios de comunica��o respeit�veis. Assessores de imprensa tentando divulgar informa��es nestes meios e depois monitor�-las. E leitores.

No futuro, teremos leitores que tamb�m escrever�o. E especialistas em Informa��o e Comunica��o que ao inv�s de enviar realises mec�nicos para meios de comunica��o divulgando as empresas que representam, ir�o aprender a gerar boca-a-boca sobre produtos e servi�os para todos n�s, leitores-jornalistas da Internet. N�o haver� poucos alvos, todos seremos alvos. Todos que escrevem no seu blog, site pessoal ou numa comunidade on-line contribuir�o para a intelig�ncia colectiva ou opini�o colectiva sobre qualquer assunto. Os formadores de opini�o ser�o a chave para a Imprensa e para as Rela��es P�blicas do futuro.

Dica de Sueli dos Santos, em e-mail enviado para o grupo Jornalistas da Web.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Ser Rep�rter �...

Para Boanerges Lopes, jornalista, Doutor em Comunica��o pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor na Universidade Federal de Alagoas...


Ser rep�rter �...


1. Saber que a reportagem como actividade n�o existiu ou foi irrelevante em 200 dos 400 anos da hist�ria da Imprensa;

2. Entender que a reportagem � um g�nero jornal�stico privilegiado e que se afirma na actualidade como o lugar por excel�ncia da narra��o jornal�stica;

3. Como diz o Zuenir: �Que os outros n�o me queiram mal, ou n�o me atirem pedras, mas se todos desaparecessem e s� ficasse o rep�rter, o jornalismo continuaria vivo�;

4. Desculpar-se ao Vin�cius, aos editores e redactores, juntamente com o Cl�vis Rossi, mas n�o deixar de dizer que rep�rter � fundamental: Certamente a �nica fun��o pela qual vale a pena ser jornalista;

5. Lembrar que antigamente o bom profissional era aquele que sa�a para a rua com a caneta e um peda�o de papel e voltava com uma not�cia, uma hist�ria alegre ou triste que estivesse a acontece naquele momento;

6. Poder testemunhar a hist�ria de todos os tempos e de cada tempo em si;

7. Algo paradoxal, pois � ao mesmo tempo a mais f�cil e a mais dif�cil maneira de viver a vida;

8. Muito mais transpira��o do que inspira��o;

9. Gastar a vista lendo, lendo, lendo, de bulas de rem�dios aos cl�ssicos, no intuito de descobrir tantos quantos forem os factos relevantes, necess�rios a gerar boas pautas, ou informa��es m�nimas que sirvam como ponto de partida para se buscar boas reportagens, geralmente calcadas em longas jornadas;

10. Ter como refer�ncia na forma��o, os textos de bons rep�rteres: Capote, Talese, Mailer, Reed, Walsh, Defoe, Hemingway, Abramo, Biondi, Kotscho, Braga, Silveira, Euclides da Cunha, e n�o tantos outros;

11. Entender que as suas fun��es variam diante das situa��es hist�ricas, econ�micas, sociais e pol�ticas;

12. Segundo Nilson Laje: �Processar dados com autonomia, habilidade e reactividade, uma compet�ncia humana que pode ser aprimorada pela educa��o e pelo exerc�cio�;

13. Compreender que a reportagem � sempre uma ac��o transitiva e que, como sujeito, � preciso ao profissional manter contacto imediato com todos os sentidos: o olhar, paladar, olfacto, tacto e a audi��o de quem n�o pode ver, gostar, cheirar, tocar e ouvir o acontecimento;

14. N�o ser �rec�rter�, que segundo Lic�nio Neto � aquele sujeito pouco criativo que imita estilos de outros;

15. Ter persist�ncia, curiosidade, tenacidade e interesse pelo que faz � e uma grande aptid�o para se envolver com pessoas de todos os n�veis e feito os mais diversos poss�veis � de crimes hediondos aos buracos de ruas;

16. Segundo Ac�cio Ramos: �aquele que pergunta�;

17. Saber que perguntar n�o � uma tarefa f�cil. E que se a pergunta n�o for bem formulada pode ofender;

18. Fugir de perguntas cretinas como lembra Nello Marques: �Voc� est� optimista?� (diante de qualquer disputa); �Qual a sua maior esperan�a?� (para a m�o que procura um filho desaparecido); �O que mudou na sua vida?� (depois de ganhar algum pr�mio ou depois de um grave acidente);

19. Lidar com os mais variados tipos de entrevistados;

20. Perceber que existem alguns tipos que precisam ser evitados: o �crica�, o distra�do, o empolado, o partid�rio, o sabe nada, o sabe tudo e por a� vai;

21. Ser capaz de organizar dados num tempo reduzido e apresent�-los para que o maior n�mero de pessoas possa entend�-los;

22. Segundo Marcos Faerman: �Ter alma de rep�rter, alimentando-se do esp�rito de aventura, fasc�nio pela descoberta e pela hist�ria ainda n�o contada�;

23. Posicionar-se contrariamente aos macaquinhos chineses: ver, ouvir e contar � com enorme compet�ncia;

24. Segundo Aud�lio Dantas: �Ter uma certa dose de megalomania, na medida suficiente para acreditar na sua capacidade de mudar o mundo�;

25. Assumir-se como a figura humana mais caracter�stica do Jornalismo;

26. Segundo Cl�vis Rossi: �Batalhar pela conquista das mentes e cora��es dos seus alvos, leitores, telespectadores ou ouvintes para a causa da justi�a social, ingrediente que jamais pode ser dissociado da democracia�;

27. Deslocar-se de um universo testemunhal � denota��o contemplativa � para um universo instrumental � denota��o operacional, com intensa desenvoltura;

28. Seguir os ensinamentos de Juarez Bahia: apurar e redigir com correc��o, veracidade, exactid�o e credibilidade;

29. Entender que uma boa reportagem � fruto de uma observa��o cuidadosa, como orienta Cl�udio Abramo;

30. Ter clareza de que o mais importante � a not�cia, n�o o jornalista;

31. Assumir que o rigor no apuramento dos factos � determinante para a qualidade de qualquer trabalho jornal�stico;

32. Trabalhar em equipa;

33. Observar o conselho de Her�doto Barbeiro: �Ser criterioso com as mat�rias t�cnicas, pois o excesso de dados pode confundir o ouvinte ou telespectador que n�o vai ter a oportunidade de ouvir a reportagem novamente�;

34. N�o tratar com humor e humilha��o o sofrimento das pessoas;

35. N�o julgar os entrevistados nem querer mudar comportamentos;

36. Compreender que a fonte � imprescind�vel, mas a pr�tica do �fontismo� deve ser descartada;

37. Procurar a forma mais simples, mas n�o simpl�ria, de levar a informa��o ao p�blico;

38. Batalhar sempre pela verdade, embora muitas vezes n�o se saiba o que ela �, nem onde est�;

39. Balizar seus procedimentos di�rios pelo C�digo de �tica vigente;

40. Participar, organizar, reivindicar. Bradar sempre: Rep�rteres, Uni-vos!;

41. N�o deixar de ler as experi�ncias contidas no livro �Rep�rteres�, organizado por Aud�lio Dantas e publicado pela editora Senac;

42. N�o esquecer de comemorar o dia 16 de Fevereiro, apesar de todos os pesares. De prefer�ncia, �beber uns copos� no tasco mais pr�ximo;

43. Concordar com o Rossi em g�nero, n�mero e grau, diante da resposta para a seguinte indaga��o: Rep�rteres s�o ou n�o seres idiotas? S�o, mas �s vezes conseguem at� ser felizes na sua estranha maneira de viver a vida�.

Dica de Eduardo Henrique Furlan, enviada para o grupo Defesa do Jornalismo.
Algu�m acrescenta mais alguma defini��o?

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

O que � o jornalismo?

O que � o jornalismo? Quem � o jornalista?


O que � a objectividade, em que medida existe? At� onde um jornalista deve ir? O que � o interesse p�blico?

A ideia est� a ser lan�ada pelo Jo�o Sim�o.

H� muitas quest�es sobre jornalismo e jornalistas que ainda n�o encontraram resposta. S�o quest�es como estas que muita gente gostava de ver respondidas. Da� este desafio, e para participar nele, basta enviar um texto com respostas e/ou mais perguntas dentro desta tem�tica.

A ideia � criar uma webrevista com textos que respondam a estas quest�es podendo, a partir deles, criar um espa�o de reflex�o e debate.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Metade dos cibernautas "troca" Jornais pelas not�cias na Internet

Metade dos cibernautas "troca" Jornais pelas not�cias na Internet


Os cibernautas portugueses est�o a recorrer mais aos �sites� e portais de informa��o na Internet para se manterem a par das not�cias di�rias, em detrimento da consulta dos jornais. Mas a esmagadora maioria (71 por cento) declara que n�o est� disposta a pagar pelos conte�dos actualmente oferecidos.

Um estudo da Netsonda indica que quase metade (49 por cento) dos utilizadores de Internet que �navegam� nos �sites� noticiosos �l� imprensa em papel com menos frequ�ncia do que lia anteriormente�. Desses, 31 por cento do total fazem-no com �menos frequ�ncia� do que antes e 18 por cento com �muito menos frequ�ncia�.

Para ler o texto na �ntegra, clicar aqui


Querer� isto dizer alguma coisa? Estar� o jornalismo amea�ado? Aceitam-se coment�rios.