segunda-feira, agosto 02, 2004

Férias


O "Fim do Jornalismo?" vai de férias e regressa no dia 1 de Setembro.

Boas férias a todos(as)...

sábado, julho 31, 2004

Saramago questiona
Independência do Jornalismo


O escritor português José Saramago questionou ontem em Santander, Norte de Espanha, a independência do jornalismo. Segundo o Prémio Nobel da Literatura, nenhum trabalho é independente e não se pode falar de independência do jornalismo.

O autor de "Memorial do Convento" falava no âmbito do seminário "A imprensa, questionada. Uma análise da aventura informativa", organizado pela agência de notícias espanhola EFE e a Universidade Menéndez Pelayo.

Na sua conferência, intitulada "Informação, a quadratura do círculo", Saramago afirmou que é impossível a informação total e a objectividade, tanto no jornalismo como em qualquer actividade humana. "Acreditar que 'um facto é um facto' e que com isto se fecha a porta, que a subjectividade está excluída, é um erro, porque se a linguagem é um exemplo de subjectividade e só com a linguagem se pode explicar um facto, já está aí a subjectividade".

De igual forma opinou que a frase "uma imagem vale mais que mil palavras" não é correcta, pois que o acto de fotografar se faz de forma distinta segundo o ângulo e a luz. "A fotografia surge num quadrado e parece que o mundo termina ali, e o que se faz é subjectivar a imagem", explicou.

A informação, afirmou o antigo jornalista, é subjectiva na sua origem, na transmissão e na recepção. "A mesma mensagem terá tantos significados quantos sejam os seus receptores", disse.

José Saramago criticou também os "criadores de opinião" e questionou o direito que "tem um senhor ou uma senhora de acreditar que por escrever uma coluna temos de acreditar que é verdade o que diz".

O autor de "Jangada de pedra" referiu também a "relação de cumplicidade" entre os políticos e a imprensa. "Não se fala do cordão umbilical que une a imprensa às empresas. Nenhum jornal pode recusar publicidade, pelo que é certo que os jornais servem para vender clientes aos anunciantes, sejam os anúncios grandes ou pequenos".

Relativamente à independência dos jornalistas, o Nobel português afirmou que, na realidade, há que falar da "infelicidade dos profissionais" estarem conscientes que estão a ser utilizados. "Entre o chefe e o patrão, o jornalista gasta a melhor parte da sua vida em saber se está a dar a informação que quer o 'guia'". "É como um camaleão que tem de disfarçar o que pensa pela cor do meio onde trabalha. Na realidade gostaria de não ter opinião para que fosse menos doloroso mudar as suas ideias pelas dos outros", prosseguiu Saramago.

Sobre a televisão afirmou que "se alimenta de consciências" e considerou a contínua repetição que faz da imagens "acaba com a emoção".

Fonte: Público

Alguém quer comentar?

terça-feira, julho 27, 2004

"Jornaleirismo"


Entrevista de José Rodrigues dos Santos, na edição de ontem do JN, comentada e/ou criticada por Nuno Santos no Nónio.

Outras opiniões, aceitam-se.

segunda-feira, julho 26, 2004

Como triunfar
no Jornalismo pós-moderno


Por Marko Ajdaric

1) Qualquer notícia é qualquer notícia.

2) Os factos não têm história.

3) O quê é mais importante do que o por que.

4) Não se ligue em essências. A aparência é o que vale.

5) Não há versões, nem análises. Só os mesmos factos de sempre.

6) Mentir não é um problema. Desde que seja a mentira da moda.

7) Não deixe as pessoas descobrirem o que você não possa dominar.

8) Fale sempre dos mesmos assuntos.

9) Elogie sempre o que já está em evidência.

10) Fale mal de alguém na página 2 e de outro na página 4 e venda o seu jornal para ambos.

11) Nunca trate nada com profundidade. Assim, quando você descartar um assunto, ninguém vai perceber.

12) Nunca mostre a essência de um governo. Siga o factóide do dia.

13) Ponha bastante expressões estrangeiras. Assim, vão acreditar que você é entendido.

14) Não mostre outras fontes. Não corra o risco de fugirem da sua verdade.

15) Caso você tenha opinião, não deixe que percebam.

16) Se a notícia não agrada ao seu anunciante - ou ao dono do grupo que controla o jornal onde trabalha -, você não a viu.

17) Não existem outras versões de um facto além da nossa.

18) Se o citado é um ícone nosso, destaque-o no título (Ex: 'O New York Times'), senão, omita-o '(Ex: 'jornal').

19) Não importa o que aconteça na economia real: a manchete sempre tem que ser sobre bolsas de valores.

20) Não estude. Basta seguir esta cartilha.

Alguém quer acrescentar mais algum ponto?

sexta-feira, julho 16, 2004

Cursos de Comunicação
muito teóricos


Os cursos de Ciências da Comunicação, que começaram a proliferar em Portugal nos anos 90, não são hoje tão bem vistos pelo mercado quanto se poderia pensar. Embora a visão de directores, chefes de redacção e jornalistas não seja forçosamente negativa, há aspectos do curso que todos os anos manda para o mercado centenas de licenciados que poderiam ser melhorados.

É esta a visão de um estudo publicado no último número da revista Media XXI, ao inquirir a opinião de responsáveis do sector sobre a qualidade das licenciaturas e se estas se enquadram nas necessidades do mercado de trabalho.

Os cursos de comunicação são considerados muito teóricos (segundo 58% dos inquiridos) e não vão ao encontro das necessidades do mercado (51%). Metade das pessoas ouvidas pela Media XXI acha mesmo que a qualidade dos cursos é "inferior à dos outros países europeus". Curiosamente, uma esmagadora maioria defende (79%) que a entrada no mundo do jornalismo não deve estar só aberta a licenciados em Ciências da Comunicação, mas também de outras áreas.

A visão partilhada pelos entrevistados é a de que "as universidades oferecem licenciaturas a mais e qualidade a menos" (63%), os professores deveriam ter mais qualidade (56%), as escolas carecem de melhores infra-estruturas (61%) e apoio pedagógico (66%). E pensam que a procura destes cursos se deve à maior facilidade de acesso (55%) e porque os cursos de comunicação estão na moda (50%).

REACÇÕES. Martim Cabral, gestor da redacção e responsável pelos estagiários da SIC, concorda que os cursos são "muito teóricos". "Passam por mim dezenas de alunos que relatam as deficiências dos cursos", refere, e acrescenta que isso se reflecte no seu desempenho. É de opinião que os alunos não fazem filmagens e montagens suficientes, o que é "inaceitável para quem chega à televisão". Para Martim Cabral, "o jornalismo não se aprende numa aula, aprende-se na rua".

"Há uma natureza prática limitada", diz Estrela Serrano, docente na Escola Superior de Comunicação Social, do Instituto Politécnico de Lisboa, sublinhando a importância de os professores serem jornalistas, o que nem sempre acontece. "As universidades não estão apetrechadas para simular situações reais", reconhece, mas pensa que esta realidade "está a evoluir no ensino politécnico".

"Não estranho que os profissionais não vejam a formação teórica como importante", mas "quem exerce esta profissão não pode dispensar a reflexão e a discussão teóricas sobre o jornalismo", contrapõe Estrela Serrano.

Dica de DN

Aceitam-se outras opiniões.

terça-feira, julho 13, 2004

Jornalismo na Universidade do Minho
entre os melhores


O Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES) tornou público o documento "Índice de sucesso escolar no Ensino Superior Público: Diplomados em 2002-2003", datado de 25 de Maio. Neste estudo, realizado pela Direcção de Serviços de Estatística e de Indicadores do OCES, procedeu-se à avaliação do sistema de ensino superior português, a partir da análise das taxas de insucesso relativas a diplomados em 2002-2003. Na investigação foram considerados todos os estabelecimentos de ensino superior público, dependentes do Ministério da Ciência e do Ensino Superior.

De entre a informação disponibilizada destacamos aqui a referente ao campo do jornalismo e comunicação, permitindo-nos estabelecer índices de sucesso escolar nos Cursos de Comunicação Social do país, que transcrevemos.


Ensino Universitário:


86% - Comunicação Social (Univ. Minho)
85% - Ciências da Comunicação (ESE - U.Algarve)
81% - Ciências da Comunicação (U. Beira Interior)
74% - Comunicação Social (ISCSP-UTL)
66% - Novas Tecnologias da Comunicação (U. Aveiro)
51% - Ciências da Comunicação (U. Nova L.)
16% - Jornalismo (U. Coimbra)


Ensino Politécnico:


78% - Relações Humanas e Com. no Trabalho (ESE-IPLeiria)
77% - Jornalismo (Escola Sup.C. Social - IPL)
76% - Comunicação - C. Organizacional (ESE-IPCoimbra)
65% - Comunicação Empresarial (Escola Sup.C. Social - IPL)
65% - Jornalismo e Comunicação (IPPortalegre)
64% - Publicidade e Marketing (Escola Sup.C. Social - IPL)
62% - Tecnologia e Comunicação Audiovisual IPPorto)
61% - Comunicação Social (ESE-IPSetúbal)
59% - Comunicação Social (ESE - IPViseu)
54% - Comunicação Social (E.S.Tec -IPTomar)
41% - Comunicação - C. Social ((ESE-IPCoimbra)
29% - Comunicação - C. e Design Multimédia (ESE-IPCoimbra)
Supremo vai debater relação com
Comunicação Social


Juízes e jornalistas vão debater, esta semana, as relações entre a Justiça e a comunicação social, no primeiro seminário do género organizado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

O debate, que reunirá, amanhã e depois, em Lisboa, magistrados do Supremo e jornalistas da área da justiça, decorrerá em "off the record" para "permitir maior liberdade de expressão por parte de todos os participantes", realçou fonte do Supremo Tribunal de Justiça, citada pela agência Lusa.

A iniciativa, que será aberta pelo presidente do STJ, Aragão Seia, abre com um painel subordinado ao tema "A Estrutura Judicial e o Exercício da Função Jurisdicional", moderado por António José Teixeira, subdirector do JN.

O segundo painel, moderado pelo jornalista Eduardo Dâmaso, é dedicado ao tema "A Jurisdição Penal", enquanto o terceiro e último painel, sobre "Acesso à Informação", é moderado pelo director da SIC/Notícias, Ricardo Costa.

Dica de JN

segunda-feira, junho 28, 2004

Falsos recibos verdes mal resolvidos no DN


Oito jornalistas do “Diário de Notícias”, que durante vários anos trabalharam para o jornal numa situação de falso recibo verde, foram agora confrontados pela Empresa Global Notícias com um contrato de trabalho que não respeita os seus direitos.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas

Digam de vossa justiça...

terça-feira, junho 15, 2004

Brasil quer injectar Mil Milhões de euros
na comunicação social


A crise das empresas de comunicação social do Brasil é a maior da história do sector. Em dois anos, segundo dados do Ministério do Trabalho, rádios, televisões, jornais, revistas e agências de notícias cortaram 17 mil empregos. A receita líquida do sector tem caído em média 20 por cento ao ano. Da crise não escapa nem a gigante Globopar, a "holding" das Organizações Globo (Rede Globo, jornal "O Globo", uma série de revistas e dezenas de emissoras de rádio espalhadas pelo país"), que sofreu 60 por cento deste rombo.

A proposta de ajuda financeira do Governo brasileiro às empresas de comunicação social, que têm um endividamento estimado em dez mil milhões de reais (2,65 mil milhões de euros), deve sofrer alterações no Senado. As duas linhas de financiamento oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), uma empresa pública vinculada ao Governo, somam quatro mil milhões de reais (1,06 mil milhões de euros).

Fonte: Público

Obs.: Para quando um maior apoio à comunicação social portuguesa? É que, tirando os parcos incentivos do Instituto da Comunicação Social, pouco mais há.

quarta-feira, junho 09, 2004

Crise no jornalismo:
falta envolvimento


Por Luciana Oncken, Jornalista brasileira


Não é novidade para ninguém que o jornalismo está em crise. Mas muito se fala sobre a crise financeira que atinge as empresas do setor e pouco sobre a crise da forma, pouco se discute sobre a crise do texto, a crise do método. O jornalista está mais preocupado em discutir se precisa ou não do diploma para exercer a profissão sem se aprofundar sobre a sua formação. Antes de tudo, é preciso alma, paixão para exercer bem qualquer atividade. E quando se tem isso, a busca pelo conhecimento é uma conseqüência.

A crise do jornalismo é mais profunda: regras exageradas, textos burocráticos, matérias superficiais. Mas um dos problemas que tem me incomodado muito é a forma como se faz jornalismo hoje. A falta de entusiasmo, de envolvimento. O profissional se acomoda porque hoje é possível fazer tudo sem colocar os pés para fora da redação, às vezes nem é preciso ir até ela. Faz-se tudo de casa mesmo. Fax, telefone, Internet. O jovem jornalista tem dificuldade em se imaginar na profissão sem todo esse aparato.

Ele recebe, por exemplo, a incumbência de escrever sobre o dia-a-dia de um médico que trabalha no resgate e atende vítimas de acidente de trânsito. Mas quem disse que levanta o bumbum da cadeira? Não. Fotógrafo e repórter trabalham separados. O fotógrafo não tem como escapar. Lá vai ele, solitário, acompanhar a ambulância. Para o repórter, o telefone entra em ação.

Pergunta ao médico como é seu dia-a-dia, como é a ambulância, quais são suas reações, como ele age, etc. E coloca na matéria que é assim, assim e tal.
Você já imaginou quantas coisas ele perde? E as impressões? Não registra o que é, registra o que dizem ser. E o compromisso com a verdade, como é que fica?

Não estamos falando de um caso fictício. Isso acontece nas redações de hoje. Nem de jornalismo de noticiário, onde toda essa tecnologia é muito bem vinda. Há casos de grandes reportagens feitas por telefone. Do jornalista que não vai mais às ruas. Pode parecer dramático, radical, mas isso influencia o resultado do trabalho. Algumas matérias exigem a presença do jornalista. Caso contrário, não se trata de jornalismo.

Alguns dirão que o deadline é o verdadeiro vilão da história. Outros, que é a crise financeira. Há os que colocarão a culpa na própria tecnologia, ou nos patrões. Será o diploma? A falta dele? A sua exigência?

Pode ser tudo isso e um pouco mais: preguiça, falta de compreensão sobre o fazer do jornalismo, a banalização, o número exagerado de escolas que enganam jovens dizendo ensinar a profissão, falta de paixão, de alma, de conhecimento, de sentimento. Como diz meu amigo Sergio Vilas Boas: “quem não
vê a realidade com os próprios olhos, não a sente e, se não a sente, não se envolve”.

Fonte: Defesa do Jornalismo

Aceitam-se outras opiniões...