terça-feira, janeiro 21, 2003

Conte�do monetiz�vel - o fim do jornalismo de qualidade? A busca por mais audi�ncia e receitas imediatas e a ado��o de um racioc�nio t�pico de m�dias de massa para a cria��o de conte�do na Internet pode p�r em risco o jornalismo digital.
Segue um texto de Roberto Cassano. Se quiserem enviar-lhe um e-mail, basta clicar aqui.

"Buzzwords s�o aqueles termos que, de tempos em tempos, monopolizam palestras, semin�rios, reuni�es gerenciais e at� rodas de conversa de profissionais da chamada "Nova Economia". Nosso mercado � repleto deles: "conte�do", "personaliza��o", "usabilidade", "IPO", "marketing de permiss�o", "B2B", "B2C" e, mais recentemente, "converg�ncia de m�dias". Ultimamente tenho ouvido com frequ�ncia um novo termo que soa assustador para quem est� acostumado a trabalhar com jornalismo e produ��o de conte�do de uma forma geral.
Quando se prepara um lan�amento de um produto, n�o basta saber se ele funciona ou se � bonito. � preciso ter em m�os um estudo que garanta que as pessoas v�o querer compr�-lo e que as suas vendas possibilitar�o, cedo ou tarde, o retorno sobre o investimento que os fabricantes tiveram para produzi-lo. � assim que funciona o capitalismo. Com a globaliza��o e a busca desesperada por um modelo de neg�cios s�lido para a Internet, a estrutura de todas as empresas que actuam online (as antigas "pontocom") torna-se similar: um fornecedor e/ou um distribuidor, um produto, e um ou mais mercados consumidores. A grosso modo, o modelo pode realmente ser aplicado a todos, e deve haver sempre dinheiro circulando entre estes elementos desta cadeia produtiva.
Por este ponto de vista, se uma empresa produz conte�do, o conte�do � o produto e ele deve ser, a curto ou m�dio prazo, fonte de receita que garanta lucro aos acionistas da empresa. E ponto final. Existem mil e uma maneiras de se ganhar dinheiro com conte�do, mas tr�s s�o os modelos mais �bvios: com publicidade, com assinatura, ou com um misto de ambos.
A actual massa de usu�rios da Internet, chamada pelos t�cnicos de "usu�rios de banda estreita", decididamente n�o est� interessada em pagar por 90 por cento do conte�do dispon�vel na Rede, por motivos que, por si s�, j� valeriam um artigo inteiro. Resta a alternativa da publicidade, fonte que secou, transformando-se de um Amazonas para um Saara em menos de seis meses. E a�? Quem est� fora dos o�sis que restaram, pode optar por fechar as portas ou mudar o modelo de neg�cio.
Para estes, a esperan�a � a "banda larga", que teoricamente exigir� uma mudan�a de mentalidade por parte dos usu�rios, como na rela��o TV Aberta versus TV por assinatura. Se o conte�do passar� a ser "vendido" para os usu�rios, ele precisa ser um "conte�do monetiz�vel". Esta � a buzzword que tanto me preocupa. E enquanto a banda larga n�o chega, a monetiza��o deste conte�do precisa ser feita, ainda, via publicidade, o que leva � exig�ncia de um aumento signigicativo da audi�ncia.
Exemplos claros da exig�ncia de monetiza��o do conte�do podem ser vistos na programa��o dominical das emissoras de TV aberta. Seu conte�do pobre, sempre na t�nue fronteira entre �tica e sensacionalismo, e sem nenhuma qualidade e informa��o relevante, s�o frutos do chamado "efeito Ibope". Se salas de chat, canais de sexo e jogos representam o grosso da audi�ncia dos principais portais brasileiros, quem investir� na produ��o de um jornalismo digital inovador, por exemplo?
� claro que este "efeito Ibope" atinge principalmente os grandes portais horizontais, mas s�o justamente estes que respondem por quase a totalidade dos "page views" gerados no Brasil. Seguindo o exemplo da TV aberta, poderia deduzir-se que conte�do bom gera renome enquanto conte�do pobre gera audi�ncia (e publicidade). Na luta por melhores resultados financeiros, pode-se esperar uma brutal queda de qualidade nos sites da Internet, com resultados question�veis. � muito dif�cil definir com clareza um "conte�do monetiz�vel", principalmente se caminhamos para uma efectiva realidade de comunica��o "1 para 1", em contraposi��o ao broadcast da TV. Se o objectivo � tratar o internauta como indiv�duo, como rotular o conte�do que ele assiste? E tratar a Internet como m�dia de massa (o que ela definitivamente n�o �) resolve o problema, mesmo a curto prazo?
� importante ressaltar que o debate sobre que conte�dos s�o monetiz�veis na Internet est� apenas come�ando, e ele dever� incluir outros aspectos sobre perfil do p�blico, capacidade de cada fatia do mercado de gerar outras fontes de receita al�m do "click through", como assinaturas ou e-commerce, tempo, personaliza��o etc. O fundamental, por agora, � come�armos a pensar em alternativas e solu��es, com foco no produto, para apresentar aos nossos acionistas e CEOs, que tem foco no neg�cio. E precisam mais � monetizar."


De igual forma se pergunta: at� que ponto os novos conte�dos na Internet ir�o colocar em causa o jornalismo e o papel do jornalista, como o conhecemos.

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