terça-feira, março 11, 2003

Aqui est� um artigo muito bom que encontrei no site da Faculdade de Comunica��o da UFBA.
J� sabem que todo e qualquer coment�rio, � sempre bem vindo.



O Fim do Jornal Impresso?

O crescimento geom�trico do n�mero de publica��es digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-r�pido da Internet e sua consequente populariza��o em larga escala, tem despertado uma pol�mica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opini�es s�o divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais n�o sobreviver�o ao pr�ximo s�culo. Tudo ser� digitalizado e, at� a televis�o, como n�s a conhecemos, deixar� de existir. Outros afirmam que a Internet n�o representa uma amea�a �s publica��es impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avan�ada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.

Segundo Roger F. Filder, ex-diretor do projeto da Knight-Ridder sobre jornal em telas planas, os jornais electr�nicos ir�o substituir as edi��es impressas por volta do ano 2005. J� o ex-diretor executivo do News and Observer, Frank M. Daniels III, afirma que os jornais em papel ir�o desaparecer nos pr�ximos 10 ou 15 anos.

De facto, muitas s�o as vantagens das publica��es electr�nicas na Web. Os jornais digitais s�o mais interactivos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produ��o e distribui��o, geralmente muito elevados nas publica��es tradicionais, s�o reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informa��es adicionais que n�o teriam espa�o nas edi��es em papel. As not�cias podem ser actualizadas v�rias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Al�m de todas estas vantagens, h� tamb�m a possibilidade de se implantar servi�os especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edi��es passadas, classificados online, programas de busca, f�runs de discuss�o abertos ao p�blico, canais de conversa em tempo real e muitos outros.

Embora as publica��es online apresentem uma grande quantidade de atractivos e vantagens que os media tradicionais n�o disp�em, muitos jornalistas e especialistas em comunica��o acreditam que o jornal em papel ter� o seu lugar na era digital. Segundo Steve Outing, os jornais digitais n�o ir�o substituir as edi��es impressas. Mais do que uma amea�a, eles representam um importante instrumento complementar para as empresas jornal�sticas. Outing, no entanto, acredita que a circula��o dos produtos impressos tende a diminuir no futuro.

O editor chefe do jornal O Globo, Ali Khammel, tem uma opini�o similar � de Steve Outing. Segundo ele, os jornais impressos ainda t�m uma vida longa pela frente e o que o faz apostar nisto � a sua cren�a de que eles v�o sobreviver porque promover�o mudan�as radicais no seu conte�do. De acordo com Khammel, os acontecimentos est�o hoje cada vez mais na esfera do jornalismo televisivo e online. Aos jornais cabe a explica��o, a interpreta��o e a an�lise dos factos e dos seus efeitos. "Tradicionalmente, pela extens�o de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televis�o. Trata-se de radicalizar esta postura", refor�a. Khammel afirma, ainda, que grupos editoriais em todo o mundo est�o aplicando grandes quantias de dinheiro na moderniza��o do parque gr�fico de seus jornais e isto representa uma clara evid�ncia de que os empres�rios do sector continuar�o a investir nos seus produtos impressos.

Para Leo Bogart, soci�logo e consultor da Newspaper Association of America, os jornais convencionais ir�o sobreviver e prosperar (!) no mundo digital. Ele aponta algumas raz�es para isto: a primeira � o facto de que, por maior que seja a evolu��o das telas dos computadores no futuro (leves, port�teis, de cristal l�quido), elas jamais ter�o a capacidade do jornal de serem dobradas ou enroladas e levadas para toda a parte. A segunda diz respeito ao interface do jornal impresso, que possibilita ao leitor visualizar todas as mat�rias de forma r�pida e eficiente, simplesmente passando as p�ginas. "A vis�o pode captar uma grande quantidade de informa��o num r�pido olhar, sejam elas relevantes ou n�o".

De facto, nada se compara � praticidade e o conforto proporcionados pelas publica��es impressas. Para ler um jornal ou revista atrav�s do computador, � preciso fazer um certo esfor�o, j� que geralmente os leitores est�o sentados desconfortavelmente e os actuais monitores ainda n�o s�o idealmente adequados ao sistema �ptico humano. Al�m disso, a depender do design de navega��o do site, do tr�fego de dados nas infovias e da velocidade de conex�o, ler uma publica��o digital na Internet pode tomar bastante tempo do usu�rio.

Ao que tudo indica, os jornais impressos n�o v�o desaparecer, pelo menos a m�dio prazo, principalmente porque eles ainda s�o os grandes respons�veis pela maioria esmagadora dos lucros (que n�o s�o poucos!) das companhias jornal�sticas. Al�m disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas vers�es digitais, atrav�s de uma rela��o de parceria onde um pode auxiliar o outro.

Na Pesquisa realizada por Donica Mensing, j� citada, foi constatado que os jornais online praticamente n�o prejudicam suas edi��es impressas. Dos jornalistas entrevistados, um ter�o afirmou que o servi�o online aumentou o interesse dos leitores pelo seu produto em papel. J� 46% acredita que n�o houve impacto sobre a vers�o impressa, enquanto 14% considera ser cedo demais para responder a esta pergunta. Apenas 2% disse que o servi�o online causou uma queda de interesse pelo jornal em papel.

Estes n�meros demonstram que os jornais e revistas digitais, de facto, n�o representam uma amea�a �s publica��es tradicionais. Pelo contr�rio, eles podem ser usados pelas empresas jornal�sticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a m�dio prazo, um investimento bastante lucrativo.

N�o existem, at� agora, modelos definidos nem f�rmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento nos media online. H� ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornal�stico, mas o sector j� deu passos importantes nos �ltimos cinco anos e algumas experi�ncias parecem estar-se consolidando como possibilidades vi�veis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo pe�as chaves no desenvolvimento de novas estrat�gias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados � oferta de servi�os �teis e de qualidade ser�o aquelas que estar�o comemorando a decis�o de terem investido na Internet.

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