sexta-feira, agosto 01, 2003

e-zines

E-ZINES:
Uma alternativa no jornalismo cultural


N�o � de hoje que o n�vel do jornalismo cultural, em especial aquele que � produzido pelos grandes ve�culos, est� em xeque. Uma das principais reclama��es por parte de leitores � quanto � mesmice de temas e enfoques nas an�lises, dando a sensa��o de que ler um caderno cultural � a mesma coisa que ler todos.
Um novo f�lego, por�m, parece estar vindo da internet com os e-zines (zines eletr�nicos). Abordando prioritariamente a cultura pop, as revistas eletr�nicas t�m procurado fugir dos padr�es pr�-estabelecidos da grande imprensa e v�m se destacando a cada dia.
Os e-zines s�o herdeiros diretos dos fanzines, publica��es rudimentares feitas muitas vezes com tesoura e cola e voltadas a um p�blico aficionado de determinado estilo musical, como o punk, na d�cada de 70. Com o tempo, o perfil foi sendo ampliado e outros temas, fora da m�sica, passaram a ser abordados. Com o advento da internet, a mudan�a do meio foi apenas uma quest�o de tempo. Muitos zines, al�m da edi��o em papel, passaram a ter suas vers�es eletr�nicas. E n�o demorou nada para surgirem e-zines exclusivos da net.
A principal diferen�a entre os e-zines e os cadernos de cultura � a liberdade tem�tica. Os grandes ve�culos s�o obrigados a cobrir de forma extensiva a agenda cultural, trazendo lan�amentos de CD, estr�ias de cinema e teatro, bastidores da televis�o, entrevistas e perfis com os nomes do momento. Talvez seja por esta f�rmula que as "ilustradas" e "cadernos 2" da vida se pare�am tanto. N�o que as revistas eletr�nicas deixem o mainstream de lado, mas elas procuram ir al�m, falando de artistas independentes, que sem uma grande estrutura de divulga��o acabam ignorados por jornais e revistas. "O conceito b�sico do ScreamYell era falar de coisas que outros ve�culos n�o falavam. Por isso eu comecei a fazer e-zines", conta o jornalista Marcelo Costa, um de seus idealizadores.
Uma contribui��o importante dos e-zines � que o exerc�cio da cr�tica n�o est� mais limitado apenas � grande imprensa. O leitor pode buscar outras opini�es a respeito de um lan�amento antes de decidir que CD vai comprar ou a que filme ou pe�a de teatro assistir�.
Outra caracter�stica dessas publica��es �, na maioria dos casos, dar vez e voz a profissionais que est�o batalhando por um lugar ao sol nas reda��es. � o caso do Rabisco . "Quando decidimos cri�-lo, quer�amos manter um canal para que jornalistas culturais ainda sem chance no mercado de trabalho pudessem extravasar suas opini�es e talentos", diz seu editor, Marcel Nadale. Quem confirma essa tend�ncia de lan�amento de novos nomes no jornalismo � Fabio Carbone, do Ru�dos . "A maioria dos colaboradores � de aspirantes a jornalistas que t�m no Ru�dos uma oportunidade de aparecer e entrar no mercado. � uma porta de entrada para aqueles que querem fazer um trabalho de maneira competente e original. Assim, todos ganham", diz.
Os e-zines seriam herdeiros leg�timos dos ve�culos da imprensa alternativa dos anos 70? "� bem diferente o cen�rio. Hoje em dia, temos uma abertura que n�o existia nos 70. O que causa, at�, uma superexposi��o de material que acaba n�o sendo digerido. Ou seja, h� tanta informa��o circulando que as pessoas n�o t�m tempo para ver/ler/ouvir/atentar para tudo. E o mundo hoje � mais livre, n�o h� bandeiras", responde Marcelo Costa. Para Fabio Carbone, "a imprensa alternativa caracterizava-se por abordar assuntos referentes � ditadura militar em publica��es menores, independentes, mas com postura de a��o. Por fazer oposi��o ao regime, o modelo foi considerado underground. O Ru�dos, por mais que n�o tenha car�ter pol�tico, pode ser considerado um ve�culo alternativo por priorizar assuntos espec�ficos, dando aprofundamento maior a temas que n�o s�o muito explorados na grande imprensa."
Marcel Nadale acha correto tra�ar o paralelo entre os dois tipos de publica��es, mas, segundo ele, a equival�ncia n�o chega a ser total. "Definitivamente, o valor sem�ntico de �alternativo� � respeitado: estamos � margem do mainstream da m�dia, com todas as benesses e as dificuldades que isso traz", diz.

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